Produção dos Cerrados bate novo recorde, de acordo com a CONAB

Já nos municípios do semiárido a seca causou a perda de praticamente toda a safra agrícola.

O fator decisivo para o crescimento da produção foi o aumento da área de plantio. Os agricultores justificam que foi necessário ampliar a área, pois só assim poderiam cobrir as despesas de envio. ?Registramos 1.157 mil hectares de área plantada este ano, 10% maior quando comparamos com 2011?, aponta o engenheiro.

?Plantamos 75 mil hectares e colhemos 675 mil toneladas só na safra principal. O milho não sofreu com a ausência de chuvas?, comemora o produtor Altair Fianco, que produz há 23 anos na região. A soja continua sendo a principal cultura plantada na região, representando mais da metade da produção agrícola de todo o Estado. Entretanto, a qualidade das estradas é um verdadeiro obstáculo para o escoamento da produção.

De acordo com levantamento realizado em parceria da CONAB com o IBGE, o Piauí é o terceiro maior produtor de grãos dos Estados que ficam no Centro-Norte, atrás apenas de Maranhão e Bahia. O Estado colheu 1.271 mil toneladas de soja, ocupando uma área plantada de 447 mil hectares, 17% maior do que ano passado. ?A safra deste ano superou em 40 mil toneladas a última colheita. Mesmo com a falta de chuvas, fechamos o ano com saldo positivo?, aponta Flávio Linhares, engenheiro agrônomo da CONAB.

Apesar da produção ascendente, a má condição das estradas dificulta o crescimento econômico da região. A estrada, que começa na cidade de Sebastião Leal e vai até Monte Alegre, ainda está toda no barro, o que dificulta a passagem dos caminhões.

Em Uruçuí, situação da estrada é crítica

Na região de Uruçuí a situação da estrada é crítica. Os produtores da comunidade desistiram de esperar e passaram a recuperar outras rodovias. ?A Transcerrados está intrafegável. No período de chuvas a pista fica toda esburacada e os caminhões atolam com frequência. No verão, a poeira toma de conta, prejudicando a visibilidade dos caminhoneiros. Está muito difícil trafegar por aqui?, afirma o produtor Altair Fianco.

?A solução que encontramos foi recuperar mais de 100km da BR-391 que corta nossos municípios. O problema é que a pista tem uma ladeira muito acentuada, que dificulta a passagem de caminhões grandes. Para completar o trajeto, é preciso fazer duas viagens?, relata.

Por conta das dificuldades de transporte, produtos como calcário e fertilizantes chegam no cerrado a um preço acima do valor de mercado. Devido ao frete elevado, o valor do produto final também aumenta. Hoje a saca de soja está custando em média R$ 60, um acréscimo de 30% em relação ao ano passado.

?A verdade é que, mesmo com a colheita recorde, o número foi menor do que esperávamos. Com resultados deficientes e sem apoio do governo, o jeito é aumentar o valor do produto. E quem acaba pagando o preço da falta de infraestrutura é o consumidor?, falou.

Milho desponta, mas feijão deixa a desejar

A região conhecida como Mapito, que compreende o cerrado dos Estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, tem se mostrado na última década a nova fronteira agrícola na produção de soja, e agora mostra um grande potencial no plantio de milho, a segunda principal cultura dos Cerrados do Piauí.

Apesar de ter passado por dificuldades na década de 80, o Piauí hoje é destaque no plantio de algodão. O Estado se tornou o segundo maior produtor do Nordeste, atrás apenas da Bahia. Estima-se que 78 mil toneladas da fibra serão colhidas, um crescimento de 16% em relação à safra passada.

Embora tenha apresentado redução de 15% na estimativa de produção para o ano, o cultivo do arroz deverá render 234,9 mil toneladas. A área plantada encolheu mais de 16 mil hectares e a produtividade deverá ficar abaixo do ano passado. Os preços baixos e a sobretaxa fiscal desmotivaram os produtores a cultivar arroz.

O feijão teve o pior desempenho de produção da safra deste ano. Plantado principalmente no semiárido, que foi brutalmente afetado pela estiagem, a produtividade caiu mais de 65%. Serão colhidas apenas 26 mil toneladas, tudo colhido no cerrado.

Caso o feijão tivesse produzido com suecesso, os produtores dos cerrados iriam ter um bom faturamento este ano já que o produto está bastante valorizado no mercado por causa da seca nas regiões de maior produção.

Fonte: Djalma Batista