Projeto usa esporte para tirar jovens da dependência em Teresina

O principal tratamento utilizado é o futebol

O projeto Bola Pra Frente já existe desde 2012, e desde então, tem dado assistência para mais de 1 mil adolescentes em situação de vulnerabilidade social, que sofrem com alguma dependência química. O principal tratamento utilizado é o futebol. Além do esporte, os jovens recebem atendimento multidisciplinar com psicólogos, educador físico e conselheiro de dependência química.

Para lançar mais uma etapa deste projeto, aconteceu na manhã de quinta-feira (28), na Fazenda da Paz, centro da capital, um encontro com a equipe organizadora do Bola Pra Frente, com os pais ou responsáveis e com os jovens atendidos.

Para Célio Barbosa, coordenador da Fazenda da Paz, a iniciativa contou com o apoio de todos da instituição para obter sucesso. “O Bola Pra Frente supriu as necessidades que a Fazenda da Paz tinha no acolhimento dos adolescentes. Porque o tratamento desse público é diferenciado.

Mas conseguimos junto com a equipe e com os próprios acolhidos criar o projeto, que não é só jogar futebol. O esporte em si é o lazer, mas também conseguimos garantir atendimentos multiprofissionais”, esclarece.

Célio Barbosa, que também é um dos fundadores da instituição, destaca ainda os resultados da ação. “Nós tivemos em todas as etapas do projeto 100% de aproveitamento”, afirma.

Quem também continua incentivando a equipe do projeto é Diana Pacífico, coordenadora do Bola Pra Frente. Ela destaca que as dificuldades iniciais de encabeçar o projeto não os fizeram recuar. “No início é sempre difícil, mas com o passar do tempo, foi desenvolvendo e dando resultados positivos. Daí vem uma motivação, que a gente procura estar sempre melhorando”, revela.

Outro membro do Bola Pra Frente é o instrutor físico Gustavo Evangelista. Ele afirma que a iniciativa tem como foco a inclusão dos ex-dependentes químicos na sociedade. “O projeto tem esse diferencial porque além de trabalhar o esporte, nós trabalhamos, principalmente, o social dessas crianças. São jovens que vêm de uma situação difícil. Nós tentamos, de várias formas, fazer uma inserção deles na sociedade, trabalhando a parte psicológica e o fisiológico deles que fica debilitado por conta do consumo de drogas”, explica.

Gustavo Evangelista diz que a participação dos jovens em campeonatos de futebol possibilita novas oportunidades.

“Fazemos com que eles vejam que este mundo pertence bem mais a eles, do que aquele outro”, acrescenta.

Um exemplo de superação

Dentre os jovens que receberam os atendimentos da Fazenda da Paz, através do projeto Bola Pra Frente, está Lázaro Henrique, 19. Ele é a prova viva de que, realmente, é possível vencer a dependência química e dar a volta por cima.

O jovem após o tratamento tornou-se colaborador da Fazenda da Paz e garante que o projeto mudou sua vida. “A diferença é que Lázaro hoje é bem mais maduro, graças ao projeto. Vontade eu tinha de praticar esporte, só que não praticava porque estava envolvido com substâncias químicas. Sozinho não tinham mais forças para fazer nada, então com ajuda da minha família e das pessoas que ainda acreditavam em mim, consegui chegar onde estou hoje, sem drogas, trabalhando e estudando”, revela ele que está há dois anos e sete meses sem fazer uso de substâncias químicas.

Geísa Santos, psicóloga do projeto, relembra que foi a mãe de Lázaro quem procurou atendimento ao filho. “Quando a genitora veio nos procurar na época, era como se fosse uma luz para ela naquele momento. Claro que os primeiros três meses são cruciais, porque está se adaptando a tudo. Ele evolui muito”, relata.

Fonte: Virgínia Santos e Márcia Gabriele