Público se irrita e pede dinheiro de volta em show do ilusionista Mister M no Ceará; veja!

Público se irrita e pede dinheiro de volta em show do ilusionista Mister M no Ceará; veja!

Responsável pelo evento no Ceará diz que vendeu "show corretamente".

Um show do ilusionista Mister M terminou em bate-boca neste domingo (27), em Fortaleza. O público não gostou da apresentação, saiu durante o show e foi à bilheteria do teatro pedir o dinheiro de volta.

O comerciante Isaías Pereira, 59 anos, foi um dos que saíram antes de terminar o espetáculo. Deixou o teatro uma hora antes de terminar e pediu de volta o valor do ingresso dele e do filho, Isaac, de 15 anos. "O show foi tão ruim que o pessoal se levantou no meio para pedir o dinheiro de volta. Totalmente fraco. Uma enganação. Esperávamos o show que a gente via na televisão, uma coisa bem feita", disse ele, que pagou R$ 70 da sua entrada e mais R$ 35 do filho.

Paulo Mingoni, responsável pelo Teatro Via Sul, onde Mister M se apresentou, informou que apenas fez a locação para uma produtora, a Areia Eventos, que trouxe o espetáculo ao Ceará. "A gente entrou como locador. Esse espetáculo não é do teatro. Ele (Mister M) é um nome mundialmente conhecido. Eu não fiz contrato com o "Zé da esquina""", afirmou.

Mingoni afirmou que não estava presente, mas autorizou a bilheteria a fazer a devolução do dinheiro para aqueles que se sentiram lesados. "A gente trabalha com responsabilidade. Aconteceu uma falha entre eles de não verificar. Ele apresentou um espetáculo de mágica que as pessoas achavam que seria do naipe da Globo. Eu também achava que seria. Nessa história, o maior prejudicado foi o teatro", argumentou.

O responsável pela Areia Eventos, Reginaldo Façanha, garantiu que o show apresentado em Fortaleza é o mesmo espetáculo apresentado em outros países. Ele diz que fará o ressarcimento, mas afirma que vendeu o show corretamente. "O público disse que não gostou. A gente não prometeu isso, a gente prometeu o Mister M e ele veio", afirmou. ""Acho que o público esperava que ele fizesse desaparecer um avião, um navio, isso não tem condições", disse.

Façanha informou que as pessoas que adquiriram os ingressos por sites de compra coletiva podem ser ressarcidas pelo cartão de crédito. Mas a devolução pela Areia Eventos deve demorar de 30 dias a 40 dias, prazo necessário para a empresa receber o dinheiro da compra realizada por meio de cartões. A devolução vai ocorrer no Teatro Via Sul.

Público decepcionado

Segundo Isaac, filho de Isaías, o público ficou decepcionado porque o show não tinha estrutura e apareceu com mágicas simples, como as feitas para crianças. "Ficamos decepcionados. Era só mágica com cartas, com balões, coisa para criança. Ele não tinha estrutura nenhuma. Eram truques de advinhação que ele ainda estava errando", reclamou.

O adolescente, que fez um vídeo no momento da confusão, lembra que o show começou com 40 minutos de atraso e que muitos desconfiavam de que não era o Mister M. "O pessoal estava desconfiando de que não era ele, que era uma pessoa vestida com a máscara. Daí o produtor do evento trouxe o Mister M, fez ele tirar a maquiagem e a máscara para mostrar que era ele mesmo", afirma. Isaac disse ainda que o produtor explicou que ele não teve a estrutura de show e que foi improvisado e que seria um show mais simples.

Isaac disse ainda que o tradutor era improvisado. "Era alguém da plateia", disse. Houve duas sessões, uma às 18h e outra às 20h. "E soube que na sessão de 18h, tinha um tradutor, mas ele não era bom. Aí, pegaram alguém da plateia para fazer a tradução", aposta. De acordo com o adolescente, quando ele chegou com o pai, o público da sessão das 18h já estava pedindo o dinheiro de volta. "Só foi ressarcido na hora quem pagou à vista na bilheteria. A gente recebeu porque pagamos à vista", disse.

O pai, Isaías, acrescenta que estranhou ao chegar e ver a reação das pessoas que saíam da primeira sessão, mas resolveu conferir. "Quando a gente chegou, o pessoal já estava reclamando dizendo que era palhaçada, achando que não era nem o Mister M", afirmou.

De acordo com Paulo Mingoni, o teatro não teve acesso a nada do espetáculo. "Nem de tradução foi pedido auxílio. O teatro estava à disposição deles para fazer ensaio e não foi feito nada. Ele chegou e fez. Fora a parte financeira, foi uma questão moral", afirmou. Ainda segundo ele, a produtora que fechou contrato é conhecida e também já trouxe grandes espetáculos. "Era um parceiro da gente. Não sei o que houve", apontou.

Fonte: G1