Réplica de Chevrolet 33, hot rod nacional é diversão pura; veja

As portas suicidas, de abertura invertida, dão acesso aos dois bancos vermelhos.

Nesses quase dez anos de revista, vivi uma experiência diferente durante essa reportagem. Ricardo Rodrigues, proprietário desta réplica de Chevy 33 equipada com motor V8 350 e câmbio Tremec de cinco marchas, me ligou e falou para passar o final de semana montado em sua máquina recém-finalizada. Como se não bastasse, disse: "Edu, bota para quebrar. Acelere, faça curvas, freie forte, divirta-se! Saia com a mulher, família, amigos e me diga o que achou depois..." Antes de ouvir essas palavras ao telefone, imaginava que, ao vivo, o carro seria como uma porcelana chique, que deveria ter todo o cuidado do mundo, que só se leva para eventos para passar pano e espanador a cada 11 minutos e meio.



Me enganei! Depois de três dias com esse antigo-zero-quilômetro, afirmo: as fotos não representam o que pode ser feito com esse Chevrolet 33. Se for para fazer na rua, aliás, você poderá ser preso, ficar sem sua habilitação, fazer aqueles cursos de reciclagem para reaver sua CNH...

As portas suicidas, de abertura invertida, dão acesso aos dois bancos vermelhos que levam os suicidas amarrados em cintos cinco pontos. Por incrível que pareça, há espaço suficiente para as pernas mesmo para os mais altos -- até 1,90 m! Quem vai do banco do lado está sujeito a fortes emoções, refém do piloto. Para que o conceito "racing" imposto pela dupla de irmãos que tocam a Sigma Sports Car (Ricardo e Rodrigo) e seus fiéis escudeiros fosse levado a sério, não há chave e miolo convencionais. Botões e chaves rápidas do tipo caça estão no apóia-braço revestido de fibra de carbono. Basta girar a chave geral, ligar a bomba elétrica, segurar na chave-caça para girar o motor de arranque à extrema direita e... Vrummm!

Com o V8 350 (5,7 litros) falando grosso e o quadrijet 750 cfm mamando direto do tanque de gasolina com capacidade para apenas 35 litros, andar forte praticamente pede sapatilhas de corrida ou calçado pequeno e estreito, pois as pedaleiras de alumínio billet são bem próximas entre si. Sinceramente, não esperei muito para me acostumar com o carro. Ao sair do estacionamento em que o guincho me esperava com o Chevy ainda com capa, em uma ensolarada manhã de sábado, pisei com vontade. O diferencial de Omega, com blocante, fez os dois pneus traseiros 305/25 R20 fritarem conforme a rotação subia.

A grande alavanca do Tremec tem curso longo, mas engate rápido, preciso, perfeito. A segunda marcha entra com uma borrachada instigante. De terceira para cima, o que me resta de cabelo virou uma verdadeira bagunça enquanto minha testa ficava cada vez maior e avermelhada, refletindo o sol. Os instrumentos Auto Meter, linha clássica e com escala em milhas por hora para o velocímetro, me enganaram novamente: na pista local da Marginal Pinheiros, em São Paulo, o limite é de 70 km/h e eu estava a mais de 70 milhas por hora. Multiplicando por 1,6 para a conversão, são 120 km/h e multa na certa.

Entrei para a Rodovia Castello Branco, sentido interior de São Paulo, acima dos 120 km/h. A suspensão de curso curto e rápida de reação instiga a acelerar ainda mais. Na dianteira, o sistema Indy Style funciona na horizontal e paralela às tampas de válvulas, o que transmite total confiança. Diferente dos amortecedores verticais (e convencionais), têm haste interna de maior diâmetro e trabalham com mais velocidade, comprimindo e retornando mais rapidamente. Por estar na horizontal, sua vedação deve ser mais eficiente também. Obra da Fênix Amortecedores.

Os braços triangulares, superior e inferior, embuchados com poliuretano, mantêm o conjunto duro. Com pneus também largos na frente, 245/30 R20, as imperfeições do nosso asfalto chegam até o volante. Como se trata de um bólido de performance disfarçado de antigo, o sintoma é inevitável. E para quem gosta de acelerar, é um prazer. Na traseira, a suspensão visível pelo porta-malas é também exclusiva, com amortecedores a 45 graus e regulagens de altura e compressão e retorno, como nos dianteiros.

Fonte: UOL