Reprovação de candidatos faz Detran faturar R$ 800 mil em 6 meses

Reprovação de candidatos faz Detran faturar R$ 800 mil em 6 meses

Reprovação de candidatos faz Detran faturar R$ 800 mil em 6 meses

Cerca de 40% das pessoas que realizam os exames para retirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reprovaram nos seis primeiros meses deste ano no Piauí. No total, 18.539 candidatos não obtiveram êxito no teste prático. Esse índice de reprovação já levou o Detran-PI ao faturamento de mais de R$ 800 mil, considerando que, cada aluno reprovado repete o teste pelo menos uma vez e paga o valor de R$ 43,18 por cada prova remarcada. Em 2013, mais de 25 mil pessoas tiveram que pagar essa taxa. O nervosismo e o despreparo dos candidatos são os principais motivos que levam o candidato a falhar.

A estudante Denise Nascimento realizou os exames por três vezes, mas ainda não conseguiu tirar a carteira de motorista. Frustrada com a situação, ela reconhece que o nervosismo a atrapalhou, mas também alega que o avaliador não a deixou calma. “Eu fiz os exames por três vezes, eu nem sai do percurso nenhuma vez, estava fazendo tudo direitinho, mas o medo e a pressão que o avaliador fazia me deixavam muito insegura. No primeiro teste o examinador foi muito ignorante e os outros foram um pouco menos, acho que se eles tivessem sido mais delicados eu teria ficado mais calma”, relata.

Assim como Denise, a estudante de Direito Brenda Barbosa também teve dificuldades na hora do teste. Além, do nervosismo, a jovem afirma que autoescola que havia contratado não a instruiu corretamente, por isso, só conseguiu ser aprovada apenas na quarta vez que tentou. “Eu tentei por quatro vezes, admito que eu estava nervosa, mas não me senti preparada pela autoescola. Isso não está certo, pois pagamos caro para nos preparar para o exame e a escola não oferece um serviço de qualidade”, conta. Para a diretora de habilitação, Renata Sampaio os motivos que levam os candidatos a reprovarem são vários, mas os principais são o nervosismo, má formação e maus hábitos de direção adquiridos antes de tirar entrar na autoescola. “Os candidatos devem manter a calma durante o teste e devem estar seguros sobre os procedimentos que serão realizados”, afirma.

Candidatos denunciam práticas abusivas dos examinadores

Enquanto muitos candidatos têm dificuldade de passar nos testes realizados pelo Detran, existem denúncias de cobrança de propina e uso de influência para facilitar a aprovação nestes exames. A estudante L. F , que prefere não se identificar, conta que não foi preparada devidamente para o momento do teste. No entanto, ao perceber que ela não tinha condições de ser aprovada, a própria autoescola interviu junto aos examinadores do Detran para que a mesma fosse aprovada. "Eu não tinha condições de passar no teste. Mas a autoescola garantiu que examinadores "amigos" iriam realizar o meu teste e que eu seria aprovada. E assim aconteceu. Eles desconsideraram vários erros que eu cometi e fui aprovada. Pelo que eu percebi essa prática é comum. Já soube de gente que pagou R$ 500 para ser aprovado", relata.

Questionada sobre os possíveis abusos cometidos pelos examinadores, a diretora de habilitação, Renata Sampaio, afirma desconhecer o problema e garante que os testes são realizados de forma idônea. Muitos alunos também reclamam do grau de exigência dos testes que são realizados, mas segundo a diretora as avaliação são padrões em todo o país. "Os testes são bastantes simples, eles requerem do candidato os conhecimentos e as habilidades adquiridas durante o período de aprendizagem. Se a pessoa não conseguiu é porque não estava realmente preparada para conduzir um veículo", completa Renata.

Para controlar o nervosismo, os especialistas recomendam treinar as habilidade e conhecimentos aprendidos, tentar manter a calma e ter uma boa noite de sono. Em caso de abuso do examinador, como por exemplo, ele queira algo para aprovar o candidato, a diretora recomenda que seja feita uma queixa junto ao Detran e fazer um boletim de ocorrência com a polícia, mas garante que os avaliadores contratados são preparados.

Fonte: Francisco Lima e Rhauan Macedo