Restauração de afresco de Volpi no Itamaraty será analisada

O trabalho é um dos afrescos do artista Alfredo Volpi (1896-1988). Das 3.000 obras catalogadas de Volpi, apenas cinco são pinturas murais.

O painel "O Sonho de Dom Bosco" possui rachaduras, pontos onde há de perda de material e respingos de tinta, provocados por uma pintura do teto do Palácio do Itamaraty, edifício onde está o mural.

O trabalho é um dos afrescos do artista Alfredo Volpi (1896-1988). Das 3.000 obras catalogadas de Volpi, apenas cinco são pinturas murais.

Estas incluem a obra do Itamaraty e um painel que foi apagado -feito para a Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, foi considerado profano pelos religiosos responsáveis pelo local.


Restauração de afresco de Volpi no Itamaraty será analisada; veja fotos de murais do artista

Um profissional que já havia sido escalado no passado para restaurar "O Sonho de Dom Bosco" foi chamado para analisar, mais uma vez, os danos identificados na obra da década de 1960.

No próximo mês, o restaurador Thomas Brixa fará uma análise do estado do afresco, e com base nesse diagnóstico, o reparo poderá ser realizado.

Brixa havia feito esse mesmo trabalho em 1989. "Estava em pior estado do que agora", afirma o restaurador.

"Tinham passado pano, grandes partes do afresco estavam com pigmento reduzido, havia pingos de tinta, arranhões", conta Brixa.

Na ocasião, a restauração levou cerca de três semanas.

Brixa aponta algumas especificidades da obra de Volpi que dificultam a tarefa: "O afresco é pintado sobre o reboco molhado, e você pinta com uma solução calcária misturada com os pigmentos. Quando seca, cria-se uma película. É uma técnica muito resistente. No caso do Volpi, a têmpera que ele usava, ele mesmo preparava. Era mais frágil."

No momento, ele afirma não ser possível estimar o custo para a restauração.

O nome de Brixa foi sugerido pelo Instituto Alfredo Volpi, que também indicou o nome de um profissional estrangeiro, especialista em reparo de afrescos.

"O ideal seria reunir esses dois conhecimentos: de quem conhece os pigmentos de Volpi e a técnica de restauração desse tipo de pintura", disse Pedro Mastrobuono, diretor jurídico do instituto.

Fonte: Folha de São Paulo