Santa Maria da Codipi tem o maior número de suspeitas de dengue

O número de casos confirmados da doença subiu de 1.854 para 2.213

A Santa Maria da Codipi, localizada na zona Norte de Teresina, é o bairro com o maior número de suspeitas de dengue. A área apresenta 151 registros, mais que o dobro do segundo colocado, que é o bairro Lourival Parente (70).


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Em todo o Piauí, o número de casos confirmados da doença subiu de 1.854 para 2.213 registros da doença. Em 2015, o número de casos aumentou em 17,54% em relação ao ano passado.

Estes dados são preocupantes para aquela comunidade, que pede mais atenção do poder público para sanar a endemia. Porém, segundo Paulo Cézar, presidente da Associação dos Moradores locais, a própria população também deve fazer sua parte. “Não adianta a prefeitura limpar os terrenos se os moradores vão lá e sujam depois. A população também tem que colaborar para eliminar os focos de dengue”, afirma.

A Associação dos Moradores já vinha tentando conscientizar a população acerca da problemática. “Nós tentamos fazer um trabalho de conscientização junto às escolas e creches, para educar as crianças e pedir a colaboração dos pais para o combate à dengue, mas ainda assim não adianta e os casos mostram isso”, declara Paulo Cézar.

A grande Santa Maria da Codipi concentra muitos lotes em desuso, com mato alto e acúmulo de lixo. Por causa disso, os casos de dengue se disseminam com os focos de aedes aegypti, que precisam apenas de água parada e limpa para se desenvolver.

Pneus, garrafas, latas e qualquer recipiente que possa acumular água vira fácil um criadouro perfeito para o mosquito. Até mesmo certas plantas que acumulam água entre as folhagens podem desenvolver larvas do inseto, que também transmite a zika e a chykungunya.

Números devem ser analisados com cautela, diz FMS

Segundo Marcelo Adriano, médico da Vigilância em Saúde da Fundação Municipal de Saúde, é necessário ter cautela ao analisar os dados repassados pelo Estado e Município. “Na tabela fornecida, existem números absolutos, que podem ser enganosos. O ideal era que se calculasse a incidência, ou seja, os casos por população. Sempre que falam de dengue, dizem que Teresina tem mais casos de dengue do Estado, mas é óbvio, porque Teresina tem mais pessoas”, explica.

O médico reflete sobre o que pode explicar esta incidência na região que encabeça a lista. “A Santa Maria da Codipi é muito populosa. E ainda tem a questão do receio dos pacientes. Na Santa Maria tem hospital, e as pessoas costumam dizer que são do próprio bairro por temerem não ter atendimento por serem de outras localidades, coisa que não acontece”, afirma Marcelo Adriano.

Zika, dengue ou chikungunya?

O Brasil como um todo vive uma epidemia de dengue, com cerca de 745 mil casos apenas este ano. O zika vírus teve apenas 16 casos confirmados, sendo metade no Rio Grande do Norte e metade na Bahia. Por outro lado, segundo as Secretarias Estaduais de Saúde, de janeiro a abril foram confirmados 1.978 casos de chikungunya em 12 estados mais o Distrito Federal.

A dengue se configura quando o paciente apresenta febre alta (geralmente dura de dois dias a uma semana), dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Em casos hermorrágicos, sangramentos pelas mucosas (narinas e gengivas) também são comuns. Quem tem estes sintomas deve procurar um médico para se tratar, pois não existe uma medicação específica para a enfermidade.

Também recomenda-se ficar de repouso e redobrar os cuidados com a hidratação. A chikungunya tem dores nas articulações ainda mais intensas, sobretudo nos ossos e articulações dos pés e mãos.

Febre acima de 39 graus também é comum, além de manchas vermelhas, dores de cabeça e nos músculos. O tratamento é o mesmo da dengue, e o uso de ácido acetil salicílico é proibido, sob risco do desenvolvimento de hemorragias.

Com 16 casos confirmados, especula-se que o vírus tenha vindo de avião para a Copa do Mundo. Ele não é tão forte quanto os vírus que provocam dengue ou a chikungunya, mas os doentes apresentam alergia cutânea mais intensa. O zika vírus também desencadeia febre e dores no corpo. Diarreia e conjutivite também podem acometer o enfermo. O tratamento e as recomendações são similares aos da dengue e chikungunya.

Fonte: Pollyana Carvalho e Lucrécio Arrais