Seca: Agricultores têm que caminhar longas distâncias atrás de água

Os criadores de gado e de pequenos animais da localidade começam a ficar desesperados.

Na comunidade quilombola Lagoa da Firmeza, a 35 quilômetros da cidade de São Raimundo Nonato, os moradores, para sobreviverem em meio à seca, são obrigados a buscar água longe de casa em um poço comunitário. Como se não bastasse a perda da safra, as cenas de mulheres com a lata d?água na cabeça e crianças com baldes em carrinhos de mão estão cada vez mais comuns, como são mostrados em fotos feitas por técnicos da Cáritas no Piauí.


Seca: Agricultores têm que caminhar longas distâncias atrás de água

Seca: Agricultores têm que caminhar longas distâncias atrás de água

Os criadores de gado e de pequenos animais da localidade começam a ficar desesperados pelo fato da água de um barreiro da comunidade estar prestes a secar. O agricultor Ozias Ribeiro Braz, 61 anos, casado e pai de seis filhos, disse que a situação das famílias da região é complicada por causa da seca e que é preciso haver uma ação permanente para se minimizar os efeitos da longa estiagem. Há a distribuição de água por carros-pipas, mas, segundo os moradores, a quantidade não é suficiente para os afazeres domésticos.

Foi neste clima a realização, na última sexta-feira em São Raimundo Nonato, da Marcha do Grito do Semiárido que reuniu representantes do Fórum Territorial da Sociedade Civil Sobre Estiagem Serra da Capivara que inclui São João do Piauí e Canto do Buriti. Os trabalhadores cobraram medidas urgentes de socorro às vítimas da seca e ações permanentes de convivência com a estiagem no semiárido.

Além da marcha pelas principais ruas da cidade, uma audiência pública foi realizada no Ginásio Poliesportivo de São Raimundo Nonato, com a presença de representantes das principais entidades da sociedade civil ligadas ao meio rural.

Fórum quer aumentar o valor da Bolsa Estiagem

Durante o evento em São Raimundo, foram apresentados documentos, entre eles, a Carta dos Bispos do Piauí que pede ajuda às famílias do semiárido. As entidades querem o equipamento de poços nos próximos dois meses, suprimento da deficiência no número de carros-pipa que abastecem a região e a distribuição de alimentos entre as vítimas da seca.

Além disso, as entidades querem a anistia e desburocratização na concessão de crédito financeiro destinado a pequenos produtores rurais. De acordo com representantes do Fórum, boa parte das famílias que vivem da agricultura familiar está com pendências em programas de fomento, sendo obrigada a desfazer-se de rebanhos e impossibilitada de produzir nas terras.

Os manifestantes co-bram também a ampliação da Bolsa Estiagem de R$ 80 para R$ 300 e a adoção de ações estruturantes realizadas pela ASA Brasil e Projeto Dom Hélder Câmara no território como alternativas viáveis que devem ser priorizadas e reproduzidas.

Fonte: Djalma Batista