Sem estímulo, produtores estão abandonando as hortas do Dirceu

Sem estímulo, produtores estão abandonando as hortas do Dirceu

Vários canteiros estão vazios. A falta de segurança, roubos nas plantações, a entrada de animais e de usuários de drogas estão fazendo os produtores desistirem das plantações na horta do Dirceu

Os produtores das hortas comunitárias do grande Dirceu, zona Sudeste de Teresina, estão passando por maus bocados. Isso porque a cerca que deveria proteger a produção está visivelmente destruída, e em alguns pontos o acesso às hortas está livre.

Quem trabalha ali também denuncia que a ausência da cerca permite a entrada de animais, que destroem a plantação, e de usuários de drogas. À noite, o local virou ponto de encontro para o consumo de entorpecentes.

A situação traz desconforto para os produtores, que vivem sempre na iminência de terem produção prejudicada e incontáveis prejuízos. Segundo a produtora Maria de Fátima, a prefeitura até tentou capturar os animais que estavam invadindo as hortas, mas não obteve sucesso. Além dos animais, pessoas também roubam a produção da agricultora.

“O gado estava entrando aqui porque não tem cerca. A prefeitura até tentou pegar esses bichos, botaram um caminhão aí para procurar, mas não adiantou. Eles entram de noite e comem tudo, e o que não comem eles pisam.

Na última reunião que teve falaram que as estacas de madeira estão compradas para fazer a cerca, mas até agora nada. E o pessoal também entra e rouba à noite, eles levam o canteiro inteiro de cebola, coentro, couve, quiabo, tudo que a gente planta”, afirma.

O pessimisto está estampado na cara dos pequenos produtores: “A situação aqui não está boa, não. É gado, é cavalo, tudo entra nas hortas e come e pisa as coisas que a gente planta. É triste, porque a gente se esforça para ter uma boa produção e vêm os bichos e destroem tudo”, pontua o agricultor Raimundo de Fátima Alves dos Santos.

Após os inúmeros casos de roubos e de animais invadindo as hortas, algumas pessoas acabam por desistir da agricultura. Prova disso é o crescente número de canteiros abandonados no espaço, que deveriam estar sendo utilizados para a produção de hortaliças:

“Tem muita horta abandonada, porque os que estavam aqui dentro estão saindo com medo, e quem está fora também não tem vontade de entrar”, explica Teresa Regina de Oliveira, que também é agricultora nas hortas.

Para Teresa Regina, é necessário que as obras de readequação da cerca sejam retomadas imediatamente para que os agricultores possam trabalhar tranquilos.

“Avisaram que o material pra fazer a cerca chega até quarta-feira, estamos esperando. Enquanto isso eles roubam a gente. Quando a gente dá as costas eles roubam, não importa se é de dia ou se é de noite”, diz.

Usuários de drogas ocupam o espaço durante a noite

De acordo com os agricultores, a falta de uma cerca que proteja com maior eficácia as hortas também contribui para o tráfico de drogas na região. Eles afirmam que é comum ver usuários e traficantes frequentando o espaço do final da tarde até a madrugada, que é o período em que os produtores já não estão mais nas hortas.

Teresa Regina diz já ter flagrado a ação dos usuários de drogas: "Eles fumam aqui dentro, por ali nos cantos. Eu tinha um canteiro no canto da cerca, mais afastado daqui, e um dia desses encontrei um rapaz.

Fiquei assustada pensando que ele ia fazer alguma coisa comigo, mas ele disse 'não, tia, se preocupe não que não vim mexer com a senhora não, tô aqui só para fumar meu negocim'.

Enquanto eles não fazem nada com a gente tudo bem, mas a gente vive com medo disso", relata a agricultora. Aquisição de cerca está em fase de licitação.

De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento Rural (SDR), a reconstrução da cerca de proteção das hortas do grande Dirceu está em fase de licitação.

Houve uma primeira licitação, que não trouxe a construção da obra porque a empresa teria desistido da empreitada, tendo inclusive pago uma multa. Nesta segunda licitação, a expectativa é de que em breve a cerca seja colocada.

O material já começou a chegar a região e os produtores foram avisados que podem procurar trabalhadores das redondezas para fazer a cerca, de modo que os trabalhos sejam iniciados mais rapidamente.

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Fonte: Lucrécio Arrais