Sem renovação,  grupo Bandolins de Oeiras pode acabar

Sem renovação, grupo Bandolins de Oeiras pode acabar

O grupo Bandolins de Oeiras, que encanta os brasileiros por onde se apresenta, está sob forte ameaça de extinção na sua forma original.

Formado na década de 80 a partir da iniciativa de sete senhoras instrumentalistas, o grupo ?Bandolins de Oeiras? é uma das atrações artísticas mais excepcionais do Piauí, mas corre o risco de acabar. Por conta da idade avançada das tocadoras de bandolim, as apresentações estão inviabilizadas.

?O grupo precisa se renovar urgentemente, pois está cada vez mais complicado tocar. Nos apresentamos recentemente em Teresina e foi difícil, pois além das senhoras serem de idade, tivemos de reunir um outro grupo de artistas para o show?, lamenta Chico Brito, maestro do conjunto.





Das sete fundadoras do grupo, apenas três estão vivas. Delas, uma sofre de mal de Parkinson e a outra possui dificuldades de locomoção que a impedem de tocar o instrumento. Um dos requisitos principais para entrar na banda é ser mulher e ter mais de 70 anos, mas por falta de senhoras aptas a participarem, o grupo corre risco de ser descontinuado.

Outros músicos tocam como convidados, mas até isso está difícil. ?As poucas pessoas que sabem tocar o órgão precisam se dedicar a outros projetos e os mais jovens saem de Oeiras para tentar a vida em outras cidades?, explica Chico. O maestro conta que há pouco interesse das pessoas em aprender a tocar o órgão, assim como não existe nenhum programa municipal de incentivo à música.

Membro provisório dos Bandolins, Wellestron Martins toca no grupo por amor. ?Aprendi a tocar o instrumento há 17 anos por diversão e não imaginava que um dia faria parte do grupo. É uma honra participar, mesmo como convidado. Fico triste em saber que o grupo esteja passando por dificuldades, fazemos cada apresentação como se fosse a última?, desabafa. A tradição dos bandolins de Oeiras é antiga. Nos anos 30 já existia uma orquestra comandada por Araci de Carvalho. Conhecida como ?A Voz do Coração?.

O conjunto, que tocava em saraus e igrejas, decidiu formar o Grupo de Bandolins de Oeiras durante a comemoração de 250 anos da Catedral da primeira capital do Estado. Composto por Lilásia Freitas, Rosário Lemos, dona Petinha, Maria José Ferreira e dona Nieta, elas já gravaram um CD, percorreram todo o Brasil e países como Argentina e Uruguai.

Grupo, que já tocou para Lula, hoje faz raras apresentações

O grupo Bandolins de Oeiras, que já se apresentou para o presidente Lula e recebeu do Ministro da Cultura a Medalha de Ordem do Mérito Cultural, hoje faz raras apresentações em igrejas. "As meninas que ainda conseguem tocar se apresentam no coral da igreja, é tudo que resta para elas. Apesar dos inúmeros convites para shows, não sei o que acontecerá com o grupo, ele está se acabando", lamenta o maestro.

Outro feito inédito da cultura do Piauí que está ameaçado de acabar é o Coral dos Vaqueiros de União. Criado em 1987 pelo então vereador Francisco Teófilo, o Coral dos Vaqueiros nasceu com o propósito de atender as necessidades destes homens do campo. Formado por mais de 40 homens que cantam e tocam instrumentos musicais como pífano e sanfona, já passaram por várias capitais do país e encantaram o público que viu suas apresentações.

Para Francisco das Chagas Moraes, presidente da Associação de Vaqueiros de União, o coral representa a luta pelos direitos dos trabalhadores do campo. Eles conseguiram instaurar o Dia do Vaqueiro no município e criaram o Museu do Vaqueiro, obra polêmica que foi prometida em 2006 e passou por muitas dificuldades até ser finalizada.

Por serem o único grupo do gênero no país, o coral é bastante requisitado, principalmente durante as festas juninas. Sensação no interior do Estado, estão sempre com a agenda lotada e já se apresentaram no Congresso Nacional, assim como Fortaleza e São Luís.

"Mas sem nenhum incentivo, o grupo não tem recursos para realizar os ensaios. Cantamos sobre as dificuldades enfrentadas pelo sertanejo e somos reconhecidos pelas autoridades, mas não recebemos incentivo nenhum. E sem verba, não dá pra ensaiar e nem comprar novos instrumentos. O que é uma pena, pois estamos falando do grupo que é uma das maiores referências culturais do Piauí", finaliza Francisco.

Fonte: Olegário Borges