Servidores tentam invadir Alerj e polícia usa bombas e gás

Foram usadas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo

O ato que reúne milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro contra o pacote de medidas de austeridade apresentado pelo governo, em discussão na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), teve confronto entre dois grupos de manifestantes, derrubada de uma grade e repressão policial, com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, nesta quarta-feira (16).

A manifestação acontece diante do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo estadual, no centro da capital fluminense. O prédio está cercado por grades e é protegido por policiais militares. Apesar disso, os manifestantes tentam arrebentar a grade de proteção que cerca o prédio. Numa segunda tentativa, ela foi derrubada. A PM jogou spray de pimenta e dispersou a confusão. Com isso, foi ocupada a escadaria. Há uma corrente de PMs e outra grade.

Com o clima tenso e a nova tentativa de invasão, a PM jogou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para reprimir o grupo que estava à frente. Pelo menos, um manifestante ficou ferido e foi socorrido. Não foi informado o estado de saúde da vítima. 

O Choque e a cavalaria foram chamados para ajudar na segurança. Houve agressões a manifestantes que estavam com máscaras de gás.

Grupo de manifestantes se confrontam
Grupo de manifestantes se confrontam (Crédito: reprodução)

De cima de um carro de som alugado por policiais militares, no qual está estendida uma faixa que pede "intervenção militar já!", um manifestante que falava ao microfone viu a chegar de pessoas que traziam bandeiras de centrais sindicais e do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

"Abaixem as bandeiras, isso aqui não é um movimento político. Não temos partido. Somos servidores estaduais reivindicando nossos direitos", gritou.

Após a ordem, dezenas de manifestantes, em sua maioria integrantes de forças de segurança do Estado --PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros-- se dirigiram ao local em que estavam os outros participantes do ato, dando início a um empurra-empurra e troca de xingamentos.


Manifestantes em carro pedem intervenção militar
Manifestantes em carro pedem intervenção militar (Crédito: reprodução)

Um homem que estava no grupo dos que levavam bandeiras pediu que a faixa pró-intervenção militar fosse retirada. Nesse momento, um senhor, que foi identificado por colegas com um policial aposentado e usava camisa regata azul, sacou um spray de pimenta e disparou contra os manifestantes.

O repórter do UOL registrava a ação e filmava o homem que jogava o gás quando foi puxado por outro manifestante e teve o celular arremessado longe por um tapa. O agressor também foi identificado como policial militar por seus colegas.

Nesse momento, um grupo de PMs foi falar com o repórter e pediu que tivesse cuidado com as imagens, "para não prejudicar o colega". Eles pediram desculpas pelo "companheiro" e disseram que ele "não sabia que era um jornalista". Outro jornalista também foi agredido, ao tentarem tirar a máscara de gás que ele usava.

Questionados sobre a faixa pró-intervenção militar no carro de som, eles disseram que "todos aqui são a favor". "Nós fomos trazidos à beira de um abismo", disse um manifestante, que se identificou como sargento Firmino.

"A sociedade está no seu limite!", dizia o cartaz colado nas costas de um dos manifestantes.


Confusão no início do protesto dos servidores


Desde o início do ato, os participantes do protesto afixaram cartazes na grade erguida no fim de semana --com o custo de R$ 20 mil para a Alerj.

Mutios deles ironizam a cerca e comparam a Assembleia Legislativa e seus integrantes com um "presídio de segurança máxima" e "presos perigosos", respectivamente. Até mesmo uma "guarita" foi erguida no local como forma de protesto.

Gritos de "Fora, Pezão" são ouvidos com frequência durante o protesto, pela saída do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Policiais militares reforçam a segurança
Policiais Militares reforçam segurança (Crédito: reprodução)


Cronograma

Cercada por grades, a Alerj começa hoje a debater as propostas do pacote de ajuste fiscal anunciado pelo governo estadual.

Serão 21 projetos de lei, incluindo cortes de gastos, extinção de programas sociais, aumento de impostos e elevação na contribuição previdenciária dos servidores públicos. No total, o Estado do Rio pretendia ter um impacto positivo de R$ 27,8 bilhões nas contas de 2017 e 2018, mas o pacote já está R$ 11,8 bilhões menor.

Embora nada vá ser votado nesta quarta, sindicatos e associações de servidores públicos estaduais marcaram novo protesto contra o pacote de ajuste, em frente à Alerj.

Nos próximos dias, os deputados discutirão medidas polêmicas. Amanhã, será debatido o projeto que eleva a contribuição previdenciária dos servidores públicos estaduais de 11% para 14% do salário bruto.

No cronograma da Alerj, as medidas serão debatidas em sessões ordinárias e extraordinárias de seis dias, até o próximo dia 30. A ideia do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), é começar a votar a partir de 6 de dezembro.

Participam do protesto servidores de diversas áreas afetadas pelas medidas, como segurança, educação e saúde.


Invasão

Na terça (8) da semana passada, servidores da segurança pública estadual protestaram --em número similar ao desta quarta-- durante mais de sete horas em frente a Alerj.

Durante o ato, centenas de manifestantes chegaram a invadir o Palácio Tiradentes para pressionar os deputados estaduais a arquivar as medidas apresentadas pelo governo e pedir a abertura do impeachment de Pezão.


Fonte: Uol