Facebook tirou do ar convites para rolezinhos em  shoppings

Facebook tirou do ar convites para rolezinhos em shoppings

O dirigente não soube informar que centros comerciais conseguiram a retirada e se eles recorreram à Justiça

O Facebook tirou do ar páginas criadas por usuários da rede social para a realização de rolezinhos em shoppings de São Paulo. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (15) pelo presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Luiz Fernando Veiga.

O dirigente não soube informar que centros comerciais conseguiram a retirada e se eles recorreram à Justiça, mas afirmou que as páginas continham ameaças de atos criminosos. "Naquelas programações de eventos de rolezinhos havia atitudes absolutamente criminosas e ilegais, como incentivo ao uso de maconha, a entupir os vasos sanitários e a interromper as escadas rolantes". Procurado pela reportagem, o Facebook ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Rolezinhos que haviam sido marcados para o próximo sábado (18) no Shopping Center Norte e no Shopping Metrô Tatuapé já não estão sendo divulgados abertamente no Facebook.

Representantes de 55 shoppings da Grande São Paulo se reuniram na tarde desta quarta na capital paulista para discutir medidas de prevenção contra os rolezinhos. Veiga disse que o encontro serviu para a troca de experiências e ideias. Não foram definidas diretrizes gerais para os shoppings.

O presidente da Abrasce também afirmou que não há consenso sobre a possibilidade de os shoppings recorrerem à Justiça para exigir dos frequentadores a apresentação de documento na entrada dos centros, mas afirmou que a medida, adotada no último sábado (11), pelo Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, não é discriminatória.

"O filho de um amigo meu, que é de classe A, também teve de apresentar documento. É uma tentativa a mais de segurança. Você não entra em uma ponte aérea Rio-São Paulo sem mostrar a identidade. Isso é corriqueiro", declarou. "Não fazemos discriminação em shoppings. Shopping é uma propriedade privada de uso público. Entra quem quer entrar. Não queremos que pessoas façam coisas arbitrárias dentro de um shopping. Se entrarem cordialmente, ninguém será barrado".

O dirigente também afirmou que o representante de um shopping onde se realizou um rolezinho contou ter tomado medidas preventivas que podem ser adotadas por outros centros comerciais, como monitorar as redes sociais, reforçar a segurança e firmar acordos com supermercados próximos para dificultar a venda de bebida alcoólica no dia do encontro dos jovens.

Veiga ainda se mostrou preocupado com o fato de a presidente Dilma Rousseff temer a expansão dos rolezinhos no país. O presidente da Abrasce avalia que o serviço de inteligência do governo pode ter detectado riscos mais graves nos encontros de jovens da periferia.

"O fato de ela (Dilma) entender isso nos preocupa um pouco mais porque tudo aquilo que a gente não quer é que o Brasil descambe para o vandalismo, para a agressão. Porque isso prejudicaria a todos, não só os shoppings".

A Abrasce reunirá representantes de shopping em Porto Alegre, amanhã, e no Rio de Janeiro, na sexta-feira, para discutir os rolezinhos.

Fonte: UOL