Sobe presença de jovens no ensino superior

Aumentou frequência no nível superior entre estudantes de 18 a 24 anos.

Um em cada dois jovens de 15 a 17 anos estava fora do nível de ensino adequado em 2009, mostra a Síntese de Indicadores Sociais 2010, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17).

Segundo a pesquisa, 50,9% dos adolescentes nessa faixa etária estavam no ensino médio em 2009. Em 1999, eram 32,7% e em 2004 eram 44,2%. Entre as regiões do país, o estudo mostra que no Nordeste apenas 39,2% dos jovens dessa faixa etária estavam no nível médio em 2009. No Sudeste, eram 60,5%, no Sul, 57,4%, no Centro-Oeste, 54,7% e no Norte, 39,1%.

Na comparação entre rendimento familiar per capita, entre os 20% mais pobres do país, somente 32% dos adolescentes de 15 a 17 anos estavam no ensino médio contra 78% entre os 20% mais ricos do país em 2009.

A baixa escolarização adequada dos adolescentes decorre de atrasos no ensino fundamental, de acordo com o estudo. ?É fato constatado que a maioria das crianças brasileiras ingressa neste ciclo (ensino fundamental) sem antes ter cursado o pré-escolar, o que acarreta, no início do processo, um atraso em média de dois anos?, afirma o texto da síntese.

O problema pode ser percebido com o reduzido progresso no número médio de anos de estudo concluídos das crianças de 10 a 14 anos de idade, entre 1999 e 2009. Os anos de estudo das crianças de 10 anos passou de 2,2 para 2,3 no período. Aos 14 anos, a mudança foi de 5 para 5,8 anos.

A partir dos 15 anos de idade, o brasileiro tinha, em média, 7,5 anos de estudo, o que significa que não conseguiu concluir o ciclo fundamental obrigatório, de acordo com a pesquisa. ?As evidências estatísticas revelam uma média muito baixa de anos de estudo concluídos, especialmente se comparada a outros países dos mesmos níveis de desenvolvimento econômico e social?, diz a síntese do IBGE.

A situação é pior entre os pardos e pretos. Daqueles que têm 15 anos ou mais, cada um dos grupos tinha, em média, 6,7 anos de estudo em 2009 contra 8,4 anos de estudo da população branca.

O estudo cita ainda a qualidade do conhecimento adquirido pelos estudantes dos ensino fundamental e médio. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O índice estipula metas em torno de 6, em uma escala de 0 a 10, para 2021. Em 2009, o país teve 4,6 nas séries iniciais do ensino fundamental, 4 nas séries finais do mesmo nível e 3,6 no ensino médio.

A proporção de crianças de 0 a 5 anos escolarizadas melhorou. Foi de 23,3% em 1999 para 38,1% em 2009. Na faixa etária de 6 a 14 anos, a taxa foi se 94,2% em 1999 para 97,6% em 2009. Dos 15 a 17 anos, o índice foi de 78,5% para 85,2% no período.

Ensino superior

Na faixa etária de 18 a 24 anos, a maioria dos estudantes, 52%, ainda freqüentava nível de ensino abaixo do recomendado para a faixa etária. No entanto, a pesquisa do IBGE mostra que houve melhora na situação. Em 2009, 48% dos estudantes de 18 a 24 anos estavam no ensino superior contra 22,1% em 1999.

No ensino médio, a parcela dos estudantes de 18 a 24 anos diminuiu de 41% para 33,8%, no ensino fundamental passou de 24,8% para 8,3% e em outros, como cursinhos e educação de jovens e adultos, passou de 12,1% para 8,8%.

O estudo mostra que 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior em 2009 contra 28,2% de pretos e 31,8% de pardos. A situação melhorou em relação a 1999, quando 33,4% dos brancos nessa faixa etária fazia o ensino superior contra 7,5% dos pretos e 8% dos pardos.

Abandono

O Brasil mostra situação desfavorável na comparação com outros países da América Latina com relação às taxas de aprovação, reprovação e abandono, segundo a síntese do IBGE. Enquanto Chile, Paraguai e Venezuela têm taxas de aprovação superiores a 90% no ensino fundamental e médio, o Brasil tem taxas de 85,8% e 77% respectivamente. A Argentina tem 92,3% e 74,3% e o Uruguai tem 92% e 72,7% respectivamente.

As taxas de abandono do Brasil são 3,2% no ensino fundamental e 10% no ensino médio. No Chile, Paraguai e Venezuela, esses índices ficam abaixo de 3%. A Argentina tem 1,3% e 7% e o Uruguai tem 0,3% e 6,8% respectivamente.

Com relação à reprovação, o Brasil tem taxa de 11% no ensino fundamental e 13,1% no ensino médio. No Chile, Paraguai e Venezuela, os índices ficam abaixo de 8%. Na Argentina, são 6,4% e 18,8% e no Uruguai são 7,7% e 20,4% respectivamente.

Educação e trabalho

O país tinha apenas 15,2% das pessoas de 18 a 24 anos de idade economicamente ativas com mais de 11 anos estudo em 2009, mostra o IBGE. Em 1999, eram 7,9%. Com exatos 11 anos de estudo, eram 40,7% em 2009 e 21,7% em 1999.

Na faixa etária de 25 a 34 anos, a taxa era de 21,1% em 2009 contra 12,8% em 1999. Com exatos 11 anos de estudo, eram 34,9% em 2009 e 20,5% em 1999.

Segundo o estudo, o conceito de educação continuada se aplica às pessoas de 25 a 64 anos de idade e mostra o acesso à escola desse grupo na busca da melhora do nível educacional.

Em 2009, 5,7% desse grupo estava na escola. Entre as mulheres, a proporção é de 6,6%.

Na comparação com outros países, o Brasil também fica para atrás no grupo das pessoas de 25 anos ou mais. Esse grupo tem, em média, 7,1 anos de estudo. Dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a maioria dos países-membros têm uma média superior a dez anos de estudo completos para a faixa etária de 25 a 64 anos. Como o Brasil, Portugal, México e Turquia são exceções.

Segundo o IBGE, o país tinha 9,7% das pessoas de 15 anos ou mais analfabetas contra 13,3% em 1999. Entre os analfabetos, 32,9% têm 60 anos ou mais, 10,2% são pretos, 58,8% são pardos, 52,2% moram no Nordeste e 16,4% vivem com meio salário mínimo de renda familiar per capita.

Fonte: g1, www.g1.com.br