HUT: Pacientes são obrigados a vigiarem macas no hospital

Com o aumento da demanda no final do ano, a superlotação piorou.

No Hospital de Urgência de Teresina os pacientes e acompanhantes estão chegando ao ponto de vigiar as macas que se acumulam já na entrada da unidade pública de saúde.

Esse é o relato da dona de casa Maria da Cruz do Nascimento, que desde sábado aguarda pela realização da cirurgia da mãe, que caiu sobre o braço e precisa operar o punho. Com o fim do ano, a demanda no hospital aumenta e superlotação, que é um problema constante, agrava- se.

Maria da Cruz mora em Lagoa do Piauí e reclama que o hospital não possui estrutura suficiente para tantas pessoas.

A maca da mãe encontra-se na recepção e ela conta que os corredores estão abarrotados de pacientes e acompanhantes. Ela relata que durante estes dias com a mãe tem dormido em banquinho de ferro.

Além das condições estruturais, ela também questiona o atendimento. A dona de casa afirma que teve que cobrar o café da manhã e a medicação da mãe, pois os funcionários haviam esquecido.

Ela acrescenta que não há médicos e a falta de informações deixa todos muito angustiados. Segundo Maria da Cruz, só enfermeiras aparecem para avaliar o estado dos pacientes.

Ela afirma que já cansou de esperar e que deseja levar a mãe embora, mas a o HUT não deu alta. ?Não fazem nada e nem dão alta. Se minha mãe fosse bem novinha, eu saía escondida. Só porque é uma cirurgia simples, eles ficam desprezando a gente?, afirma.

Compartilhando a mesma sensação de desprezo, Júlio Pires e Benedito Pires são primos e vieram de Parnarama, no Maranhão. Eles sofreram um acidente de moto e ambos precisam operar a clavícula.

Os jovens relatam que estão há 08 dias aguardando esta cirurgia. Eles confirmam que as macas são disputadas e muitas são até improvisadas e que a presença de médicos é raríssima. ?Ninguém vê médico aqui, não. Só enfermeiras?, declara Júlio.

Em estado mais grave, Manuel Cajueiro, de 73 anos, encontra-se na semi UTI sedado. O filho dele, Antônio de Pádua, veio de Brasília acompanhar a situação do pai, que sofreu um acidente de moto e quebrou a bacia, o maxilar, sofreu traumatismo craniano e desvio na medula.

Segundo Antônio, o estado do pai é grave e deveria estar numa UTI. ?A gente fica com as mãos atadas, porque além de não transferirem pra UTI, não dão nenhuma informação. São todos ignorantes e estressados. Acho que pela quantidade de gente?, avalia.

Fonte: Francisco Lima, Jornal Meio Norte