Tecnologia avança mas muitas profissões ainda resistem a acompanhá-la em THE

“Eu estou resistindo à modernidade e não precisei me adaptar para isso.", disse

 Uma tesoura, uma navalha e um conjunto de giletes. Estes são os principais instrumentos de trabalho do barbeiro Raimundo Alves da Silva, de 84 anos de idade, dos quais os últimos 59 foram dedicados à sua barbearia, um pequeno cômodo, localizado no Bairro Vermelha. Sem a pompa dos modernos salões de beleza que podem ser encontrados em Teresina, o pequeno estabelecimento ainda atrai muitos clientes.

“Eu estou resistindo à modernidade e não precisei me adaptar para isso. A única coisa que não é mais igual há 50 anos são as giletes, que antes nós usávamos a mesma em várias pessoas, mas hoje existem tantas doenças diferentes daquela época que é necessário tomar alguns cuidados e jamais usar a mesma gilete mais de uma vez”, disse o barbeiro. “Não pretendo parar, enquanto eu tiver saúde, não vou me acomodar”, completou.

E engana-se quem pensa que estabelecimentos como esses não possuem clientes. O aposentado Antônio Araújo Teixeira, de 93 anos, é cliente da barbearia de seu Raimundo há 55 anos e aprova o serviço. “Eu confio no serviço dele e sempre faço a barba e corto o cabelo aqui. A fama dele é tão grande que meus filhos e netos também cortam o cabelo na sua barbearia”, disse.

Mas seu Raimundo não é o único profissional que resistiu ao tempo. Junto com ele, vários outros, dos mais variados ramos, ainda têm em profissões, para muitos ultrapassadas, uma contribuição para a renda mensal de sua família. O sapateiro Francisco Gandula é mais um exemplo dos muitos que não se renderam ao passar dos anos e as mudanças na sociedade. Há cerca de 50 anos ele vai todos os dias da semana à Praça Rio Branco, onde conserta e engraxa sapatos. Ele garante que a clientela é numerosa até hoje.

“Tenho amigos que sempre buscam meus serviços e tem também os políticos que conhecem e gostam do meu trabalho. São vereadores, deputados que sempre vêm me procurar quando precisam engraxar seus sapatos”, pontuou.

Ele não é o único nesse ramo, pelo menos mais cinco profissionais dividem espaço com ele na Praça Rio Branco, no centro da cidade. “Antes eu tinha mais clientes porque a concorrência era menor, hoje tem muita gente trabalhando com isso”, completou.
Para não perder os clientes, donos de locadoras de vídeo têm feito muito esforço. Nessa luta contra a pirataria e a internet, investir em filmes de alta definição tem sido a solução.

Mesmo com a concorrência de novas tecnologias como TV a cabo, as trocas de arquivos pela internet, a pirataria, que produz DVDs a preços acessíveis, e o Netflix, algumas locadoras de filmes de Teresina ainda resistem e continuam de portas abertas para os cinéfilos de plantão.

Ao longo dos anos, as locadoras de filmes tiveram que se adaptar às novas tecnologias para continuar no mercado. A princípio, o aluguel era de fitas VHS, com a chegada do aparelho DVD, os videocassetes foram ultrapassados e as locadoras tiveram que acompanhar a evolução tecnológica. Hoje, nós estamos na fase do blu-ray e dos filmes em 3d.

Apesar de esse possivelmente ser o período mais difícil para quem atua nesse ramo, devido à facilidade de acesso a filmes, a proprietária de uma locadora, Josélia Ribeiro, afirma que ainda possui uma clientela fiel. As novas tecnologias como o blu-ray têm ajudado a trazer de volta a clientela apaixonada por cinema. “Quem é mesmo apaixonado por cinema acaba investindo um pouco mais e vem atrás desses filmes”, disse.

O que também atrai os cinéfilos para estes locais são os filmes que os outros meios como a internet não disponibilizam. “Enquanto alguns filmes que estão saindo agora do cinema são de fácil acesso, outros mais antigos, alguns clássicos não são encontrados tão facilmente, então, quem gosta de cinema vem atrás deles aqui”, afirmou.

Ela afirma que a clientela é bastante variável, indo desde crianças até idosos.

O modelo de lan house em que se tem um imóvel equipado apenas com computadores está cada dia mais difícil de se encontrar. Hoje os computadores dividem espaço com máquinas de xérox, scanner e até com freezer de sorvetes.

Os donos desses estabelecimentos precisaram inovar e investir em outros serviços para continuarem no mercado.

Elias Batista, proprietário de uma lan house na zona Sul de Teresina, afirma que quando montou o seu negócio há alguns anos, algumas pessoas precisavam ficar na fila de espera por até duas horas, para poderem usar um dos computadores. Hoje, ele precisou estipular um tempo mínimo de uma hora para cada usuário, para que seu prejuízo não fosse maior.

“Se antes as pessoas ficavam uma média de três horas na frente do computador, usando a internet como forma de entretenimento e diversão, hoje elas só nos procuram para pequenos serviços e costumam ficar cerca de 20 minutos, pelos quais era cobrada uma quantia muito pequena. Assim, não compensava nem ligar o computador. Hoje estipulo um tempo mínimo de uma hora para o usuário”, disse.

A queda na procura por lan house se deve principalmente à facilidade de acesso à internet tanto em aparelhos celulares e tablets, como em notebooks e computadores, dentro de casa. Diante disso, para se manter no mercado, muitos estão seguindo o mesmo caminho trilhado por Elias. Além da lan house ele oferece hoje, no mesmo espaço, serviços como xérox, scanner, impressão, encadernação, plastificação e até a venda de sorvetes, picolés, bombons e outros doces.(P.C.)





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Fonte: Pollyana Carvalho