Cientistas desenvolvem adesivo a partir de sangue de frigoríficos

Produto pode beneficiar a indústria de madeira, que hoje usa resinas derivadas do petróleo, a base de ureia-formaldeído, substância considerada tóxica

Buenos Aires - Cientistas argentinos desenvolveram um adesivo que utiliza sangue animal, um resíduo originário da indústria frigorífica, que é ótimo para a atividade madeireira e poderia ser exportado a Europa e Estados Unidos, anunciou uma organização oficial nesta quarta-feira.

O produto é ambientalmente amigável, pois permite eliminar a contaminação dos efluentes da indústria frigorífica, destacou um relatório do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI) argentino.

"Os astecas já utilizavam uma fórmula similar em construções, muitas das quais ainda estão de pé", lembrou o organismo.

Atualmente, para unir aglomerados e laminados são usadas resinas derivadas do petróleo, a base de ureia-formaldeído, uma substância considerada tóxica pela Organização Mundial da Saúde.

Além de abastecer o mercado interno, o novo produto poderia ser exportado para Europa e Estados Unidos, dois mercados onde há restrições ao uso de adesivos com formaldeído, continuou o INTI.

O sangue gerado nos frigoríficos é usado em embutidos e na elaboração de pó ou farinha proteica com a qual se fabrica o alimento balanceado para animais, mas a maior parte é descartada.

Outro aspecto interessante do novo produto é que não precisa de investimentos tecnológicos porque em seu uso pode ser empregado o mesmo equipamento com o qual se mistura a cola sintética.



"Os adesivos utilizados antes do aparecimento dos produtos derivados do petróleo, e que são biodegradáveis em sua totalidade, possuem uma eficácia de adesão tanto ou mais importante do que os primeiros", destacou o INTI.

"Seu poder de adesão - destacou - tem uma duração indefinida, como demonstram, também, os castelos construídos na Idade Média usando este tipo de cola e que ainda hoje podem ser visitados", concluiu.

Fonte: Exame