"É um passo atrás em termos de conteúdo", diz EA sobre "Fifa 15"

"É um passo atrás em termos de conteúdo", diz EA sobre "Fifa 15"

Game de futebol deste ano não terá clubes e jogadores brasileiros

O futebol brasileiro sofreu mais um duro golpe este ano, mas dessa vez não é por falta de qualidade ou de vontade dos atletas e, sim, por uma questão jurídica. O game de futebol "Fifa 15", da Electronic Arts, não terá clubes e jogadores do campeonato brasileiro por conta de uma questão de direitos dos atletas que atuam no país. Por não ter segurança legal, podendo ser processada pelos jogadores, o conteúdo voltado ao Brasil foi retirado do game ate que a situação seja resolvida.

"É um passo atrás em termos de conteúdo, mas o jogo segue bom. Acho que esse é o ponto crítico para nós. Não estamos felizes com esta decisão, mas queremos contornar o problema o quanto antes para trazer o conteúdo brasileiro para "Fifa"", afirma Jonathan Harris, diretor da Electronic Arts no Brasil. Norte-americano que vive há muitos anos no Brasil, ele também lamenta o fato de não poder jogar com seu time do coração no game.

"Nos importamos muito com o mercado e os jogadores brasileiros. Não estamos felizes, mas foi uma decisão necessária".

Harris afirma que os contratos com os clubes brasileiros estão mantidos, mas que nunca foi cogitado colocar em "Fifa 15" os times reais com atletas de nomes falsos. "Isso nem passou pela nossa cabeça. Não podemos lançar clubes oficiais com jogadores com nomes falsos. "Fifa" é autenticidade, é conteúdo oficial. Mesmo tendo contratos com os clubes, sem os jogadores estamos sem essa possibilidade".

A seleção brasileira e seus atletas segue intacta em "Fifa 15", mas fica a dúvida para convocações futuras de jogadores que atuam em clubes brasileiros.

Diferentemente de países como Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos, que possuem ligas que representam equipes e atletas, o Brasil não tem um órgão desse tipo. Isso obriga a EA a negociar diretamente com os clubes, ano a ano, os direitos de imagem dos jogadores para colocá-los no game.

"Nos anos anteriores negociamos com cada clube individualmente e era só questão de prazo para ter o contrato assinado e garantir que ele estivesse dentro do jogo", explica Harris. "Agora, não está clara a questão sobre direitos dos jogadores e, por este motivo, retiramos o conteúdo brasileiro do jogo até termos uma definição mais clara. Temos que ter a segurança de que estamos seguindo todas as regras. Isso é importante para nós. Não fazemos nada "mais ou menos", tem que estar tudo certo".

O executivo afirma que a complexidade de incluir os atletas posteriormente ao lançamento do jogo é algo "muito difícil" e, por isso, descarta uma atualização ou "patch" que inclua este conteúdo em "Fifa 15".

Questão legal

Jonathan Harris explica que o problema apareceu durante um processo de revisão de conteúdo pela Electronic Arts. "Durante este processo, em que eram revisadas as questões legais do conteúdo de "Fifa 15", uma das coisas que surgiu foi a questão dos direitos dos jogadores. Como no Brasil não temos uma liga como em outros países, ficou essa dúvida. Vimos que havia dúvidas em relação à nossa segurança jurídica para sabermos se está tudo certo com o uso dos jogadores brasileiros, então resolvemos tirar do jogo. E algo que está correndo, não apareceu do nada."

Ao ser questionado sobre a preferência dos fãs brasileiros, que não poderão jogar com seus clubes do coração em "Fifa 15", Harris disse que espera que a ausência do Brasileirão não afete as vendas, mas que a "grande maioria dos jogadores brasileiros joga com outros times".

"Esperamos não perder nenhum fã de "Fifa". Mesmo com a gente reforçando, e muito, o conteúdo brasileiro no game nos últimos anos, a gente sabe que a grande maioria dos jogadores joga com outros times, com clubes europeus, por exemplo. E todo este conteúdo a gente tem. Então, apesar de a gente perder em um aspecto que consideramos importante, a soma de tudo o que o game traz ainda é suficiente para atrair o gamer brasileiro que quer e vai jogar "Fifa", ainda mais porque a experiência de jogo continua muito agradável".

Em 2013, "Fifa 14" foi um dos jogos mais vendidos de 2013, superando o concorrente "Pro Evolution Soccer 2014" e obtendo, segundo Harris, 60% de market share no país.

Fonte: G1