G Flex, com uma tela curva, se recupera de arranhões sozinho

G Flex, com uma tela curva, se recupera de arranhões sozinho

O resultado dos testes com esse aparelho-conceito, com um super hardware e que é quase uma estrela de cinema, são impressionantes.

O LG G Flex, enfim, apareceu para review. Depois de ser flagrado em cantos do Brasil e do mundo, o aparelho curvado da gigante coreana passou alguns dias na redação do TechTudo. O resultado dos testes com esse aparelho-conceito, com um super hardware e que é quase uma estrela de cinema, são impressionantes.

Design

As primeiras impressões são ótimas: o design do aparelho é realmente um diferencial. Para quem tem mãos grandes, ele é confortável de usar, discar, digitar, ver vídeos, fotos, colocar no bolso, na mesa...



Justamente pelo design, o G Flex vai chamar atenção onde quer que vá. ?Que celular é esse? Nunca vi!?, ?Para que um celular curvado??, ?Nossa, ele é lindo? ou ?Caramba, que esquisito!? são frases inevitáveis quando você saca o Flex. Afinal, brasileiro é apaixonado por carros, futebol e... celulares! Então, se você for uma pessoa discreta, o LG G Flex pode não ser para você.



No design também entraria o ?fator de cura? do aparelho. Através de processos de dilatação, o G Flex pode se ?regenerar? de pequenos arranhões na capa traseira. Com isso, chaves, atritos com outros gadgets, botões e afins deixam de ser um problema. E, novamente, viram uma atração. Afinal, quem não quer ter um smartphone ?Wolverine??



Além disso, o G Flex também trouxe a reboque o esquema de botões volume-power do LG G2. Eles ficam na parte traseira, sob a câmera, e podem ser acessados com a ponta dos dedos indicadores ou médios. No início é um pouco esquisito, mas isso passa rápido. E você percebe que os botões laterais talvez tenham sido mais uma gambiarra da engenharia, de tão separados que são. Colocar o chip da operadora também é uma operação delicada. Você precisa puxar, às vezes com um alfinete, a gavetinha lateral. E encostar o SIM ali, torcendo para que ele não caia.

Aparelhos que têm a entrada para fones de ouvido na parte de cima são sempre mais práticos. Quando você pluga na parte de baixo, já está obrigatoriamente promovendo uma torção no plugue/cabo. Sobretudo para cabos mais grossos ? ou para quem pratica esportes -, o plugue na parte de baixo não é nada confortável. E o mesmo vale para o carregador USB. Portas laterais são sempre menos frágeis e sujeitas a ?abusos? aos cabos.



O LG G Flex é um foblet (do inglês, "phone" + "tablet"). Ou seja, um smartphone um pouco maior que a média. Dito isso, é claro que ele terá os prós e contras de aparelhos ?vitaminados?. Para quem gosta, é sempre melhor um telão para digitar, ver e tirar fotos, ler e jogar. Mas a curvatura da tela favorece (e muito) a digitação, além de encaixar perfeitamente no binômio boca + ouvido. Enfim, é, basicamente, o que os smartphones teriam sido desde o início, não fossem as limitações da engenharia à época de sua popularização: curvados. Assim como os telefones ?velha guarda? que temos em casa, na mesa do trabalho e por aí vai.

Desempenho

Agora, configurações: o LG G Flex é um foblet, com tela de 6 polegadas e 177 g de peso total. Tem resolução máxima de 720 x 1280 pixels, 32 GB de memória interna e 2 GB de RAM. Suporta Bluetooth 4.0, NFC, infravermelho e microUSB 3.0. Tem câmera traseira de 13 megapixels, que faz vídeos a 1080p em 60fps, com HDR, e som estéreo, além de contar com estabilização de vídeo. A câmera frontal, de 2,1 megapixels, faz vídeos a 1080 com 30 fps. Sob o capô, o processador Qualcomm Snapdragon 800, rodando a 2,26 GHz, com uma GPU Adreno 300.

O G Flex vem com a versão 4.2.2 do Android (Jelly Bean) e roda tudo. Sem engasgos, sem atropelos, sem choro. Dá para jogar, ver filmes, escrever e-mails, navegar ? e muitas dessas combinações ao mesmo tempo, já que o aparelho é multitarefa. A única coisa que faz falta é uma porta microSD. Afinal, 32 GB podem não ser suficientes para um aparelho desse porte. Bola fora da LG.

Para compensar, a LG jogou firme na bateria. São 3.500 mAh de capacidade, que proporcionam uma bela autonomia. Em uso moderado, ele chega a incríveis dois dias sem ver o carregador, o que é muito respeitável, levando-se em consideração o tamanho da tela e o hardware.

Tudo isso dito acima já catapulta o LG G Flex para o post de ?celular top de linha?. De acordo com os aplicativos de benchmark AnTuTu e Vellamo, ele disputa a coroa com o Galaxy Note 3 no reino dos foblets. Já no geralzão, briga ainda com o Galaxy S4 e com o irmão mais novo LG G2. Mas o G Flex não é, atualmente, nem foblet, nem smartphone, nem celular. É um conceito acessível. Um gadget-ostentação, em bom português.



O teclado LG nativo, problemático no Optimus G Pro, melhorou muito. Está mais rápido, mais preciso e menos ?louco? nas previsões. Ainda é recomendável uma troca por gente do tipo Swiftkey, mas mantê-lo não seria extravagância. Assim como seus predecessores, o G Flex traz os apps nativos vencedores da LG: LG Backup, que faz uma bela cópia de segurança, o Quick Remote, que transforma o foblet em um controle remoto universal (segue funcionando em qualquer aparelho!) e o QuickMemo, o mais legal de todos. Ao iniciá-lo, você pode escrever recados rápidos na tela e salvá-los, de modo a não perder nada ? como o telefone de alguém com quem está conversando, por exemplo, ou comentários sobre uma apresentação ou foto.



Durante a configuração inicial, uma coisa chama a atenção: a possibilidade de customizar os botões ?menu? e ?back?. Se você for canhoto ou estiver acostumado com o mundo Samsung, pode inverter ou manter o padrão. Outra das atrações do aparelho é poder acordá-lo com dois toques na tela (assim como no G2, aliás). No início, é esquisito, mas depois que você pega o ?tempo? das batidas, nunca falha. Você pode adormecê-lo ou acordá-lo assim. E é fantástico. Nada de botões ou sacodidelas. O ruim é depois acostumar e ter que voltar para o velho ?on/off?.

Tela

Brincar com o G Flex é divertido, muito divertido. Ele é confortável, responde bem e encaixa nas mãos sem ficar brigando para fugir dos dedos. O Flex inova com seu P-OLED (ou plastic OLED), o que não é pouca coisa. Mesmo tendo uma resolução efetiva menor que a do G2, por exemplo (720p contra 1080p), suas imagens impressionam. Muito mais do que qualquer foblet ou smart, aliás. Afinal, OLED é OLED, diriam os puristas. Além do mais, como a gente bem sabe, OLED tende a gastar menos energia ? o que ajuda muito na longa autonomia do gadget.



Câmeras

Efetivamente, não é na câmera que o G Flex traz alguma novidade. Na verdade, todo o sistema é praticamente idêntico ao do G2, sendo que a única diferença é que o irmão menor tem estabilização ótica das imagens (OIS), coisa que o foblet flexível não tem. E isso faz uma enorme diferença, sobretudo em fotos noturnas ? resultando em imagens com menos ruídos, mais saturação de cores e, especialmente, menos tremidas, em função de exposições mais prolongadas.



Também como seu irmão menor, o G2, o G Flex tem a câmera ao lado dos botões liga/desliga e volume. O flash LED também está ali mas, na prática, ele é pouco efetivo ? como em todos os smartphones, ao que parece. Os modos de fotografia Normal, Disparo e Reparo, Tom Dinâmico (HDR), Automático Inteligente, Esporte Noite, além de Panoramica, Panoramica VR, Disparos contínuos, Câmera Dupla e Captura prévia de imagens também entregam um excelente resultado. Desde que haja boas condições de luz, claro.

Mais uma vez, o formato do aparelho favorece na hora de usar a câmera. Sendo ligeiramente curvado e com uma tela de 6 polegadas, é possível uma boa ?pega? e uma excepcional visualização das imagens. Falta um botão dedicado à captura, mas nada que comprometa a usabilidade.



No geral, o G Flex tem uma câmeras respeitável. Seria bem melhor, claro, com o famoso OIS (básico em qualquer câmera que se preze hoje em dia). Não chega no nível dos ?cameraphones? da Nokia, claro. Mas você vai conseguir ótimos registros com ela e aposentar de vez sua point-and-shoot.

A câmera frontal, de 2,1 megapixels é aquela que chamamos de básica. Enquanto outros aparelhos entregam versões de 5 megapixels (até mantendo uma certa proporção de relação frontal/traseira entre um terço), o G Flex mantém o padrão do G2. Imagens boas, simples, bonitinhas, mas extremamente limitadas. Funciona bem para videochamadas, mas não espere selfies espetaculares.

Custo-benefício

O LG G Flex ainda não foi lançado no Brasil ? a previsão é de que ele chegue às lojas ainda no primeiro trimestre. Na Coreia do Sul, Índia e Inglaterra, onde o aparelho é vendido, sua versão desbloqueada sai pelo equivalente a US$ 940 (algo em torno de R$ 2.200, em conversão direta). Qual a mágica que a LG vai fazer para que, no Brasil, seu preço não atinja a estratosfera, ainda não sabemos. Mas que ele vai ser caro, disso não há dúvidas.

Tendo seu preço em mente, cabe uma análise: vale a pena comprar o LG G Flex? Se você pode pagar, sim. Trata-se do segundo celular curvado no mercado ? o primeiro foi o Galaxy Round. Algo como um privilégio. Ele ainda tem alguns contras, como a resolução de tela e a câmera mediana, mas muitos prós (formato, autonomia, hardware, som, ?fator de cura?...). E sim, o formato é um pró, ainda que não tenha sido totalmente compreendido. No geral, o LG G Flex é a prova de que a LG voltou forte para o jogo e vai buscar seu pedaço no mercado.

Fonte: techtudo