Governo investe R$ 3,1 bi em bolsas para alunos cientistas

O programa pretende conceder 75 mil bolsas de estudo



A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira, durante o lançamento do programa "Ciência sem Fronteiras", que o Brasil precisa aumentar o número de engenheiros no País e não apenas para trabalhar nas tesourarias de grandes bancos, mas também para a pesquisa científica. O orçamento do governo para o programa ultrapassa R$ 3,1 bilhões. As bolsas incluirão passagem aérea, auxílio instalação, auxílio mensal, seguro saúde e, em alguns casos, as taxas da universidade estrangeira.

"O foco do programa está na área de exatas. Isso não significa a diminuição da importância da formação humana em uma sociedade. Significa que o Brasil tem que se reequilibrar e formar pessoas da área de exatas para poder criar", disse a presidente.

O programa pretende conceder 75 mil bolsas de estudo, em vários níveis, para as áreas de engenharia, tecnologia, matemática, física, química e biologia. Com a participação de empresas, o governo espera poder conceder outras 25 mil bolsas.

"Por qualquer critério que se olha, nós formamos mais pessoas para humanidades que para ciências exatas, principalmente engenharias. Para o Brasil, formar jovens na área de ciências exatas, é fundamental. Precisamos dar uma ênfase especial a uma deficiência que o Brasil precisa reconhecer que tem. Se nós reconhecemos essa deficiência, damos um salto".

Ao falar da área de atuação dos engenheiros no Brasil, Dilma afirmou que, ao longo dos anos 90, os profissionais atuavam nas tesourarias dos bancos e das grandes empresas por falta de opção em outros setores. "Hoje, não só precisamos de engenheiros nas tesourarias, mas precisamos de engenheiros para fazer projetos, para fazer a infraestrutura do País e, sobretudo, na área de pesquisa, para que seja possível uma inovação de forma generalizada no Brasil".

A presidente destacou ainda que a concessão das bolsas não significa que o País irá formar "75 mil cientistas ou 75 mil Einsteins", mas sim, que será formada "a base de conhecimento" do Brasil.

Seleção

Ao falar sobre o critério de seleção dos estudantes, a presidente destacou o mérito. Entre os critérios do programa estão pontuação mínima maior que 600 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e alunos premiados em olimpíadas científicas, como a Olimpíada de Matemática. "A partir desse primeiro critério de mérito podemos contemplar toda questão relativa a gênero, a questão étnica, podemos ter vários critérios, mas a questão de mérito é essencial".

Ao apresentar o programa, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, fez um chamado às empresas que participem do programa, principalmente no pagamento das taxas escolares, cujos valores vão de US$ 20 mil a US$ 40 mil por ano, por estudante. A participação também pode ser com auxílio no pagamento das bolsas, com valores entre R$ 30 mil e R$ 50 mil por ano, por estudante, possibilidade de fixação dos estudantes na empresa brasileira no retorno ao Brasil, ou ainda a disponibilização de centros de pesquisa no exterior para estágios de estudantes brasileiros.

Fonte: Terra, www.terra.com.br