"Tempo pode e deve ser variável quando perdemos um ente querido", afirma psicólogo

Ele afirma que alguns podem desenvolver o luto em alguns dias, e outros demorarem meses para conseguir por completo.

A perda de um ente querido é sempre um choque para as famílias, principalmente decorrido de uma tragédia. O Piauí termina a semana registrando catástrofes, como a colisão na BR-316, onde um caminhão tanque e ônibus acarretaram na morte sete pessoas carbonizadas.

São famílias inteiras que entram em um profundo luto. Uma pesquisa polêmica de psiquiatras norte-americanos afirma que se o luto durar mais de duas semanas será considerado depressão. Porém, existem controvérsias, pois o luto deve ser levado também por questões individuais. Por isso, o tempo pode e deve ser variável.

É o que afirma o psicólogo Iury Viana. “O luto é um processo onde a pessoa vai elaborar a perda que teve em algum momento de sua vida. Não existe uma fórmula para superação deste luto, já que ele vai depender da vida psíquica e afetiva dos seres envolvidos”, conta.

Ele afirma que alguns podem desenvolver o luto em alguns dias, e outros demorarem meses para conseguir por completo. E que o luto envolve vários sentimentos ao mesmo tempo, sendo difícil afirmar quais são, devido a uma série de fatores.

Ainda assim, podem-se classificar cinco fases do luto, diz o psicólogo. “Em negação, como no caso da não aceitação da morte. Raiva ou revolta, barganha, depressão, a fase em que se vai desenvolver a tristeza. A fase final é a de aceitação, onde se aceita a morte e todo o processo envolvido”, explica.

É na fase da depressão, um dos momentos mais graves do luto, em que o indivíduo entra em conflito entre se isolar com a sua dor, e ter que continuar seguindo sua vida.

Mortes relacionadas à depressão crescem 705%
Segundo o Departamento de Informática do SUS (DATASUS), em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil.

Além disso, os maiores índices estão na faixa etária com pessoas de mais de 60 anos e pioram depois dos 80. São dados assustadores, pois a depressão pode atingir pessoas de diferentes idades, e não somente com o luto.

E são problemas que ocorrem das mais diferentes formas, fato que aconteceu com a estudante Suynara Mônica. Ela conta que seus questionamentos começaram com sua falta auto-estima e insegurança.

“No princípio da minha depressão, sentia uma angústia, um vazio que nada era capaz de preencher, tinha muitas crises de choro”, diz.

A estudante conta que sentia algo de errado, e fez o que os especialistas recomendam, mas que tratou de um diferencial. “Quando percebi que isso estava me levando ao fundo do poço, decidi procurar ajuda.

Fiz acompanhamento psicológico e tomei remédio, mas a minha força de vontade me fez dá a volta por cima e me recuperar”, afirma emocionada. Suynara conseguiu reagir, mas nem todos conseguem.

A importância da ajuda profissional
O psicólogo Iury faz uma séria crítica à sociedade, que hoje não permite que o indivíduo esteja de luto. “Não é mais permitido expressar sentimentos de desespero, e a morte é uma coisa que deve ser ocultada.

Hoje em dia ouvmos frases como ‘Não fica triste, vamos sair para esquecer isso’ ou ‘não chore mais por isso’, o que não é correto, já que a pessoa não vai elaborar o seu luto, mas sim mascarar o sentimento que está dentro de si”.

Segundo o psicólogo, esse tipo de atitude é uma das formas que ocasiona a depressão. Entretanto, não se pode ver tudo com doença. “A depressão se tornou algo banalizado.

Mas deve-se atentar que essa psicopatologia não envolve apenas o aspecto da alteração do humor, mas sim, uma gama de sintomas cognitivos, psicomotores e vegetativos”, explica.

Mas a vida tem solução. Antes de tudo, o indivíduo deve procurar ajuda. “O mais indicado é dar um suporte para essas pessoas, permitir que elas expressem todos os sentimentos que elas têm, para no fim elaborar todas as questões referentes a morte/luto”, finaliza o psicólogo.

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Fonte: Daniely Viana