Trabalhadores estavam a 1 km da barragem rompida, diz empresa

Bombeiros fazem buscas a quatro trabalhadores desaparecidos. Rompimento de braçadeira da obra da hidrelétrica causou inundação.

A ECE Participações S.A, empresa que executa a obra de construção da Hidrelétrica de Santo Antonio, em Laranjal do Jari, a 265 quilômetros de Macapá, informou que os operários desaparecidos trabalhavam a 1 quilômetro da braçadeira que rompeu na madrugada de sábado (29). No total, quatro trabalhadores estão desaparecidos. As buscas reiniciaram neste domingo. Cerca de 100 mil metros quadrados de área foram inundados.

Segundo a empresa, os operários desaparecidos são do Pará (dois), Maranhão e Piauí. Nelson Kano, assessor de relações institucionais da ECE, disse que as famílias dos trabalhadores foram contatadas e que a empresa ofereceu suporte para que venham ao Amapá acompanhar as buscas.

Kano informou que a área levou cerca de meia hora para ser inundada e que no instante do rompimento da estrutura um sinal de alerta foi emitido pela empresa. A braçadeira rompida sustentava a barragem secundária feita de aterro.


Trabalhadores estavam a 1 km da barragem rompida, diz empresa

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Paulo Quaresma disse neste sábado que a braçadeira rompida seria antiga e teria sido utilizada para realizar o desvio do rio Jari. Ainda no sábado, em entrevista a uma rádio local, o governador do Amapá, Camilo Capiberibe, que esteve em Laranjal do Jari, falou que o sistema de alarme da empresa "deveria ser mais eficiente". Ele disse que vai pedir aos órgãos fiscalizadores que tomem alguma medida em relação a empresa responsável pela construção da hidrelétrica.

Nelson Kato informou que os trabalhos de concretagem da barragem principal da hidrelétrica encerrariam neste domingo ou no máximo na segunda-feira (31). A empresa já solicitava ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) autorização para inundar a área invadida pelo rio Jari. Por esse motivo, segundo Kano, não houve prejuízo material para a ECE, que aguarda agora vistoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Ministério do Trabalho.


Trabalhadores estavam a 1 km da barragem rompida, diz empresa

O governo do Amapá informou que seis mergulhadores estão no local, fazendo buscas na área com profundidade de 30 metros. Os serviços se concentram no entorno de onde ocorreu o acidente, a 50 quilômetros da sede do município. Para chegar até o local é necessário navegar no rio Jari por uma hora.

A empresa disse que vai emitir nota oficial sobre o acidente, mas não informou data.

Uma comitiva do governo do Amapá se deslocou para Laranjal do Jari no sábado para prestar apoio. Na equipe estavam o governador do estado, Camilo Capiberibe, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Miguel Rosário, e o secretário de Comércio e Mineração, José Reinaldo.

Capiberibe disse que por se tratar de uma obra na divisa entre o Amapá e Pará, a competência de fiscalização é federal, neste caso, sob responsabilidade do Ibama e da Agência Nacional de Águas (Ana).

Acidente

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Paulo Quaresma disse que o acidente foi provocado pelo rompimento da braçadeira, estrutura que sustenta a barragem secundária feita de aterro, que se rompeu. A estrutura seria antiga e teria sido utilizada para realizar o desvio do rio Jari, segundo informou.

A ECE Participações S.A executa a obra. Ela faz parte do consórcio EDP, responsável pela construção da hidrelétrica. A empresa ECE informou em nota que houve alagamento de uma área por causa do nível da cheia do rio Jari.

"Devido aos níveis de cheias excepcionais, houve o alagamento da área confinada da Casa de Força, o que surpreendeu alguns funcionários que estavam no local". Ainda segundo a nota, não há risco de inundação para as comunidades próximas a Cachoeira de Santo Antônio.

Veja a lista de desaparecidos:

Uverlando de Souza Lima

Trancredo Coelho de Souza Silva

Altenizio Tavares Cardoso

Antônio Marques Filho

Hidrelétrica

A construção da hidrelétrica de Santo Antônio do Jari iniciou em agosto de 2011. Segundo a EDP, consórcio responsável pela obra, a usina terá capacidade instalada de 373,4 MW, com início de operação previsto para 2014. A geração de energia é suficiente para manter um estado 5 vezes maior que o Amapá, que tem população de 669.526 habitantes (Censo 2010).

O projeto contempla uma linha de transmissão própria de cerca de 20 quilômetros, e interligará o Amapá ao sistema nacional através do circuito Tucurui-Macapá-Manaus.

Fonte: G1