Tumultos marcam as primeiras horas da Virada Cultural

Tumulto provoca atraso na distribuição de Galinhada no Minhocão

As primeiras horas da Virada Cultural 2012 foram marcadas por tumultos e confusões. Em diferentes horários e locais, atrações foram prejudicadas por brigas, empurra-empurra e falta de estrutura para atender ao grande número de pessoas.

Nem bem a banda americana Suicidal Tendencies entrou no palco São João, na manhã deste domingo, as barreiras que separavam o enorme público da área VIP cederam dando origem a um caos generalizado. A área, destinada a convidados e portadores de necessidades especiais, era localizada em frente ao palco.

Depois de invadir o local, o público tentou subir no palco, mas todos foram contidos pelos poucos seguranças que sobraram. Fãs fizeram mosh, prática de ?nadar sobre o palco?, e rodas de pancadaria pipocaram em todo local. A apresentação começou com 17 minutos de atraso.

Disputa pela galinhada


Tumultos marcam as primeiras horas da Virada Cultural

Tumultos marcam as primeiras horas da Virada Cultural

Tumultos marcam as primeiras horas da Virada Cultural

Tumultos marcam as primeiras horas da Virada Cultural

A aguardada galinhada do premiado chef de cozinha Alex Atala foi outro exemplo. Programada para a meia noite deste domingo, no Minhocão, a distribuição do prato foi prejudicada por um tumulto generalizado. A confusão foi formada após a invasão de pessoas que estavam sem a senha. Para piorar, os cozinheiros contaram que estavam sem estrutura, faltava energia para esquentar o alimento e a água teve de ser buscada em um comércio próximo ao evento.

Devido ao tumulto, Atala não conseguiu comparecer ao evento e o prato foi distribuído bem depois do horário combinado.

Já o show da banda Mutantes, realizado na madrugada deste domingo, foi marcado por um princípio de tumulto na plateia que se apertava para acompanhar a apresentação. O público teve dificuldade em passar pelo lado esquerdo do palco, o que provocou empurra-empurra e a derrubada de algumas grades de proteção. Para conter a confusão, os seguranças ameaçaram as pessoas com ?máquinas? de choque.

Sérgio Dias, vocalista e fundador do Mutantes, reclamou da má qualidade do som e do volume dos instrumentos. O problema de circulação de pessoas também ocorreu no show da Nadeah, no palco XV de Novembro.

Briga interrompe homenagem a Elis Regina

Enquanto Diogo Poças e Luciana Alves cantavam Brigas Nunca Mais em show que homenageava Elis Regina, cerca de 100 adolescentes começaram uma briga do lado direito do palco Boulevard São João.

O público, assustado, invadiu a área VIP do palco, derrubando as barreiras de proteção, enquanto os jovens corriam para o Vale do Anhangabaú destruindo tudo o que viam pela frente, como lixeiras e banheiros químicos. Não se sabe ao certo o que iniciou a briga, mas, segundo relatos, a confusão teve início após um empurra-empurra.

O cantor, Diogo Poças, mandou parar a música e disse: ?Porra, a gente cantando a música Brigas Nunca Mais e vocês fazem uma coisa dessas? Viva Tom Jobim, não essa merda!?.

Poucos minutos depois, uma nova briga ocorreu na esquina das ruas XV de Novembro e João Brícola, mas foi apartada.

Furo à proibição de bebida alcoólica

Apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas durante a Virada, ambulantes ofereciam cerveja desde o começo do evento no palco montado no Vale do Anhangabaú.

A proibição ocorre desde 2011, quando mais de mil guardas-civis metropolitanos e 2 mil policiais militares, além de fazerem a segurança da Virada, começaram a atuar na fiscalização.

Neste ano, a Prefeitura prometeu uma fiscalização mais dura em relação aos ?vinhos químicos? que, segundo o Instituto Adolpho Lutz, que analisou a bebida, possui 96% de álcool em sua composição.

Ilha de ?relativa? tranquilidade

Em meio ao caos da Virada, uma ilha de relativa tranquilidade foi o Piano na Praça, realizado na Praça Dom José Gaspar. Relativa pois o espaço, um dos mais intimistas da programação, com poucos lugares disponíveis, ficou lotado desde o começo do evento, no final da tarde.

Iniciado pouco antes da meia-noite, o recital de Daniel Grajew entrou pela madrugada com uma versão solo de Rhapsody in Blue, de Gershwin.

Fonte: Estadão