Universidades promovem ações contra o abandono de animais

Uma prática bastante comum, o abandono de animais, está sendo combatida pelas universidades. A quantidade de bichos largados nos campi, além de crime, já ultrapassa o bom senso

Há um ditado que diz que os animais são os melhores amigos do homem, sendo assim, a presença dos mesmos aplica-se a muitas universidades do Estado. Além dos estudantes, os gatos também marcam presença nos campi universitários. O fato não é raro, a proliferação e abandono crescem a cada ano.

O campus Torquato Neto da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) é alvo de meliantes que praticam o abandono de filhotes de gato. No último ano, a instituição confirma que cerca de 100 gatos encontravam-se em situação de abandono em todo campus. Por isso, o Controle Populacional e Convivência Ética da Comunidade Acadêmica Com os Animais da Uespi lança a segunda etapa da campanha “Abandonar é crime”.

Durante a primeira etapa da campanha, o foco estava relacionado ao incentivo à castração, pois os mesmos têm a capacidade de se reproduzir rapidamente. De acordo com a médica veterinária Roseli Klein, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Piauí – CRMV/PI, uma única gata apresenta vários ciclos. “As gatas, mesmo antes do término da amamentação, podem apresentar cio, e se houver o acasalamento, ter uma nova gestação. Sendo assim, ela dura em média dois meses e mais um mês aproximadamente de aleitamento. Logo, uma única gata pode reproduzir, em média, de 4 a 6 gatinhos”, explica.

Por isso a médica veterinária afirma que a castração é a maneira definitiva para as fêmeas não se reproduzirem e evitar uma superpopulação. “Essa ação faz parte dos preceitos de guarda responsável de animais domésticos. Por isso, é necessário a conscientização que devemos fazer de tudo para não ser conveniente com o sofrimento oposto pelo abandono aos animais”, afirma.

Após a fase castração, o animal está aberto à adoção responsável. Já para a segunda etapa, a Uespi lembra que o abandono de animais é crime regulamentado pelo código penal brasileiro.

O artigo 164 afirma que é proibido: “introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo”. A pena é de detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.

Estudantes apoiam a iniciativa

A presença dos animais é confirmada principalmente pelos universitários. Muitos alimentam ou dão assistência diante da angústia dos filhotes. “Na quarta-feira (18) presenciei e socorri um gato que foi atropelado por uma moto na avenida da Uespi, o gato é morador de lá. Eu e meu amigo colocamos em uma caixa e o levamos a universidade, pois o gatinho estava muito machucado”, relata a estudante do curso de Comunicação Social, Soraia Almeida, que diz ter se emocionado durante o socorro.

Por isso, a estudante acredita na campanha dentro e fora da instituição e quer mais atitudes. “É importante em qualquer lugar, pois é crime abandonar animais domésticos. Creio que a Uespi deveria enfatizar também a campanha para incentivar a adoção, pois existem muitos filhotes para terem um lar. Como a maioria está castrado, a adoção fica mais fácil”, afirma.

O mesmo confirma a estudante do curso de História Tamires Nunes. “É uma campanha bacana e de humanização, pois se você não tem condições de criar, cuidar, ou mesmo não quer fazer isso, que procure um abrigo para o animal e não abandone. Nos abrigos existe alguém que queira dar amor e ter responsabilidade por ele”, conta.

Saiba como denunciar

A Uespi orienta, tanto a funcionários como também a comunidade acadêmica, para identificar e registrar os indivíduos que praticam os atos de abandono.


Caso presencie e tire fotos, pode dirigir ao Batalhão da Polícia Ambiental no endereço Av. Duque de Caxias, nº 3520 - B. Primavera 2 - Parque da Cidade. Além dos telefones (086) 3225-2748 e e-mails [email protected] e [email protected]

A Uespi ainda conta com apoio jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Regional de Medicina Veterinária, Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (Apipa) e a Secretaria do Meio Ambiente.


A médica veterinária Roseli Klein, vice-presidente do CRMV/PI, confirma a parceria e futuras projeções “O CRMV pode fazer uma campanha para também sensibilizar seus profissionais para reduzir o preço da castração e assim beneficiar os que podem pagar, mas a preço reduzido”, finaliza.

Ufpi também toma medida

No campus Petrônio Portela da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), além do abandono dos animais no entorno da universidade, o Hospital Veterinário é outro alvo do descaso, gerando prejuízo de quase R$ 24 mil por ano.


O problema ocorre após a consulta médica, pois os donos não retornam para buscar o animal. Sendo assim, o hospital veterinário tomou medidas.

Agora, a entidade realiza o cadastro dentro do seu sistema contendo o nome do proprietário, CPF, RG e comprovante de residência. Dessa forma, é possível diminuir o alto índicie de abandono dentro do hospital e punir os possíveis infratores.

 

Fonte: Thays Teixeira e Daniely Viana