Urina de foliões vira combustível para trio elétrico em Ipanema, no Rio

O mecanismo funciona com um processo similar ao de uma usina hidrelétrica

Os foliões que insistem em urinar na rua durante a passagem dos blocos de Carnaval do Rio de Janeiro geram um problema que leva milhares de "mijões" - como são chamados pela própria prefeitura - para as delegacias durante os dias de folia. Sem contar o mau cheiro que é deixado por onde a banda passa. As campanhas de conscientização e a distribuição de mais banheiros químicos não tem dado resultado satisfatório e o bloco AfroReggae, em conjunto com a empresa de publicidade JWT, lançaram uma solução diferente: o trio elétrico movido a urina, apelidade de "xixi elétrico".

A partir deste sábado de Carnaval um mictório especial estará à disposição dos foliões na altura do posto 9 da praia de Ipanema. Toda a urina deixada pelos foliões será armazenada e utilizada como combustível do trio elétrico do bloco no desfile da segunda-feira, às 10h. Os mictórios serão sinalizados e haverá informação à disposição dos foliões no local.

"É uma ideia com inovação e cidadania, que abre os olhos de muitas pessoas para uma causa importante. Pensamos em transformar um assunto delicado, que gerou muita polêmica, em uma coisa mais leve, divertida", afirma Ricardo John, diretor executivo da JWT. "Compensaremos com muita música aqueles que se segurarem um pouco mais e fizerem xixi no lugar certo. É educativo e possui forte cunho social embutido."

O mecanismo funciona com um processo similar ao de uma usina hidrelétrica. O fluxo de urina será usado como força para mover o dínamo que utiliza o líquido para gerar energia. A urina em seguida é armazenada em uma bateria ligada ao trio elétrico. Este sistema mantém o carro ligado e dá energia para as caixas de som.

A JWT não revela quanto foi investido para viabilizar o projeto. O plano é causar interesse a outros blocos e até ao poder público no Carnaval de 2014. "Temos uma empresa parceira que viabilizou a tecnologia porque tinha interesse comercial. E todos os envolvidos abriram mão de excessos, digamos assim, para que o projeto funcione. Se ano que vem mais blocos se interessarem e tivermos mais mictórios, o preço de produção baixa e todo mundo se beneficia", explicou o diretor de criação da JWT Erick Rosa.

O AfroReggae e a JWT quiseram criar uma campanha que tivesse um objetivo final claro para os próprios foliões. "Há muitos anos que existem campanhas de conscientização para ninguém fazer xixi na rua. Agora a gente diz para não fazer xixi na rua porque todo mundo vai se beneficiar. Se todo mundo se comportar, vai ter mais música. Então o esforço de ficar na fila, segurar um pouquinho, vai dar resultado", complementou Rosa.

Fonte: Terra