Violência infantil cresce 60% em Teresina, aponta Mapa da Violência

Ao todo, no decorrer de 2014, foram registrados 746 casos de violência, sendo 424 das vítimas crianças e 322 adolescentes

Os índices de violência identificados pelo IV Conselho Tutelar, durante o ano de 2014, através do Mapa da Violência, são preocupantes. Além de apontar um crescimento de 60% nos números de violência infantil, os dados também mostram que a zona Leste de Teresina é a região mais perigosa da capital para jovens. Os bairros Pedra Mole (1º), Satélite (2º) e Vila Santa Bárbara (3º) despontam no ranking de 77 bairros analisados pelo estudo.

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Ao todo, no decorrer de 2014, foram registrados 746 casos de violência, sendo 424 das vítimas crianças e 322 adolescentes. A maioria das violações é contra meninos, com 386 casos, ao tempo que 361 casos de violência foram contra meninas. No Brasil, a legislação que protege todas as crianças e adolescentes no país é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Para o conselheiro Djan Moreira, a situação da zona Leste é preocupante, e estes dados são reincidentes. “O nosso mapa identificou que o bairro Pedra Mole, pela segunda vez, é o bairro de maior incidência. O Satélite ficou em segundo, também pela segunda vez. E o terceiro é o Vila Santa Bárbara”, declara.

O Mapa da Violência funciona para identificar onde está o abuso, com o objetivo de buscar soluções para o problema. “Nós iremos encaminhar esse mapa para a Prefeitura Municipal de Teresina, pois precisamos assessorar o poder executivo para elaborar programas na área da infância e juventude, e desta forma mudar esta realidade”, explica Djan Moreira.

Agressor está na própria família

Segundo Djan Moreira, grande parte dos agressores de crianças e adolescentes está na própria família. “Os violadores, geralmente, são familiares. A mãe tem maior incidência, seguida pelo pai, avô, tio, etc. A violência está dentro da própria casa, onde aqueles que deveriam proteger estão sendo os verdadeiros algozes”, declara.

Violência Infantil


Djan afirma que os agentes comunitários de saúde devem participar do combate à violência contra criança e adolescente. “Vamos intensificar nossas palestras em escolas e o nosso grande objetivo neste ano, referente à zona Leste, é realizar um encontro com os agentes comunitários de saúde.

Queremos que eles, os agentes, também ajam no combate a essas violações. Eles negaram ano passado, dizendo que não poderiam exercer essa função, mas este ano vamos pedir mais uma vez”, finaliza o conselheiro.

Foram analisados 28 tipos de violações contra jovens

O Mapa da Violência, elaborado pelo IV Conselho Tutelar, analisou 28 tipos de violações/violências contra crianças e adolescentes. Abuso sexual, conflitos familiares e evasão escolar estão entre os itens estudados.

“Em toda a área da zona Leste, em primeiro lugar, foram identificados muitos casos de negligência dos pais para com os filhos, em segundo lugar ficaram os conflitos familiares, marcados pelo álcool e drogas. Violência física aparece em terceiro, em quarto vem o abuso sexual e em quinto, evasão escolar”, indica o conselheiro Djan Moreira.

Fonte: Pollyana Carvalho e Lucrécio Arrais