Vítima de preconceito na Potycabana não pode registrar B.O por paralisação policial

Depois de ter sido expulsa da Potycabana à força, a jovem Erick Moraes agora é impedida de ir fazer o Boletim de Ocorrência do caso por conta da paralisação dos policiais civis do Piauí.

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Com ampla repercussão nas redes sociais, o caso de suposta homofobia acontecido no último domingo no Parque Potycabana, levantou a discussão quanto a intolerância nesses casos. Depois de ter sido expulsa da Potycabana à força, a jovem Erick Moraes agora é impedida de ir fazer o Boletim de Ocorrência do caso por conta da paralisação dos policiais civis do Piauí.

O vídeo compartilhado por milhares de usuários do Facebook e repercutido no WhatsApp foi o principal assunto do final de semana em Teresina. No vídeo, uma jovem é levada à força para fora do Parque Potycabana em meio à uma discussão com direito à ameaça de prisão vindo pelo homem que expulsa a jovem e se apresenta como policial.

Erick Moraes, que aparece no vídeo sendo expulsa, contou que ainda não fez o boletim de ocorrência relatando o abuso por medo, mas teria a intenção de procurar uma delegacia e relatar o fato: “Segunda-feira eu ainda estava muito preocupada com a repercussão do vídeo. Tinha medo do que minha família e a empresa que eu trabalho pensasse. Mas já conversei com eles e eles me apoiaram inclusive à fazer o B.O.”

Segunda ela, a discussão não começou por conta de um beijo, como citam as publicações nas redes sociais: “Nas postagem disseram que eu estava beijando minha namorada, mas não foi assim. Eu estava sentada na mesa e o homem chegou brigando por conta disso, eu sentei na cadeira e ele continuou falando com grosseria, ai que começou a discussão e ele me agarrou pelo braço, forte mesmo, me levando para fora do parque. Eu reclamei e falei que era uma mulher, para ver se ele parava com aquilo. Ele falou que se eu fosse mulher, que eu me vestisse como uma, porque ele não estava conseguindo me diferenciar de um homem.”

Mesmo com todas as informações, Erick não vai poder registrar o boletim de ocorrência pelo menos até a próxima quinta-feira (27), um dia após terminar a paralisação dos policiais civis que teve início na última segunda-feira (24). Segundo a Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos e Repressão às Condutas Discriminatórias, que será a responsável pela investigação após o registro da ocorrência, o caso pode ser enquadrado na Lei Estadual nº 5431/2004, que estabelece sanções administrativas para discriminação em razão de orientação sexual, injúria ou constrangimento ilegal.

A administração da Potycabana informou que o homem que aparece no vídeo trata-se do Chefe de Policiamento da Potycabana, Tenente Carlos, e que o fato já foi informado para o Comando da Polícia Militar. “Nós já entramos em contato com o comando da PM e todas as informações foram passadas. Nós não somos coniventes com nenhum caso de preconceito, muito menos de agressão”, declarou Francisco Mota, administrador do Parque.

Para a coordenadora do Grupo Matizes, Marinalva Santana, o caso trata-se sim de discriminação e isso caracteriza crime: "Esse caso, sem dúvidas, tem cunho discriminatório e fere a lei de direito individual das pessoas, que está em vigor, e isso não pode ser negado. São situações que não podem mais acontecer. Percebemos que se fosse um casal hetero, com certeza, não seria tratado da mesma forma. O fato delas estarem se beijando, expressando o sentimento, seria um ato que deveria ser aplaudido, em meio a tanta violência que tem se expandido na sociedade."

Repórter: Victor Costa

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Fonte: Victor Costa