O governador Wellington Dias (PT) revelou de público nesta terça-feira (02) após a leitura de sua mensagem à Assembléia Legislativa que daqui a 1 mês, no início de março, reunirá todos os partidos que compõem a aliança governista para decidir sobre a escolha do candidato que disputará sua sucessão nas eleições de outubro. Anteriormente acertada para o final de março e início de abril, no limite do prazo de desincompatibilização, a antecipação da decisão se deu pelo fato de o governador está convencido que os critérios do acordo não serão respeitados e sem o cumprimento das regras ele fica para coordenar o processo até o fim.
Se o governador está decidido a permanecer no cargo, não resta dúvida que a antecipação da escolha do nome do candidato foi acertada. Não há mais necessidade de manter o prazo de desincompatibilização, porque se Wellington Dias vai ficar e coordenar o processo, com a definição, ele passa, então, a uma outra fase de seu plano, que é a articulação com vistas a negociar com os partidos sobre a composição em torno do nome que escolher. Isso porque, mesmo ele permanecendo governador, terá de convencer os partidos a continuarem fazendo parte da aliança dentro de um processo de recomeço por alguns aspectos.
Um desses aspectos mais importantes que Wellington Dias terá de levar em conta é que dentro do processo de sua sucessão há uma alternativa viável que alguns partidos da base dispõem para analisar antes de tomar qualquer decisão. Com efeito, o governo tem um trunfo bem mais atraente que é a própria máquina, muito embora uma candidatura oposicionista viável, com perspectiva de vencer e contar 4 longos anos de mandato é bem mais tentador do que uma estrutura administrativa durante o processo eleitoral. Neste caso, Dias terá de por em prática os seus dotes de encantador de serpente para segurar os partidos na base.
Ficando no governo, Dias sacrificará uma eleição certa para o senado mas quem o conhece sabe que o que está em jogo não é a continuação de um projeto político pessoal, ou uma carreira política, digamos, de sucesso, onde cada patamar alcançado ao longo de sua atividade pública, se deu através de sucessivas vitórias eleitorais. Wellington Dias é um idealista, uma palavra que já foi conhecida e cultiva, mas hoje de muito pouco uso pela maioria dos políticos. Se ele acha que tem um projeto, que está colocando em prática um projeto, e que deve ser continuado, essa posição ele não muda, nem por uma cadeira de senador. Por essa razão, ou os partidos aliados seguem seu idealismo, ou o verão coordenar o processo com um candidato de sua própria escolha.