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Prof. Paulo Roberto
01/07/2008 - 17h:42


A usuária Rakel ouviu dizer que o uso indiscriminado do pronome onde deve ser considerado um vício gramatical. É, você tem razão, Rakel. Já fizemos esse comentário aqui em nosso blog. Mas nada me custa refazê-lo.

O pronome onde significa “o lugar em que”. Assim, como pronome relativo, deve ser precedido de um termo que represente um local. Mas os brasileiros adotaram-no como o “queridinho” do momento. Em qualquer pronunciamento na TV, ouve-se um figurão dizer:

O nosso governo, onde procuramos implantar políticas sociais eficazes, tem procurado...

Observe o erro: governo não é local, portanto não se justifica o onde. A frase correta é:
O nosso governo, no qual procuramos implantar políticas sociais eficazes...

Outros absurdos:
No último mês de maio, onde nos reunimos com nossas bases........ ( maio é local!?)
Essas manifestações onde o povo tem voz são legítimas .. ......(manifestação é local!?)
Foi um encontro onde se discutiu o destino do partido...........( encontro é local!?)

Leiam agora dois pronunciamentos feitos em Belo Horizonte, nesta semana: um, do presidente Lula; outro, do governador de Minas Aécio Neves.

Lula:
“Terei imenso prazer em participar de um comício onde o PT poderá estar unido ao PSDB...Eu acredito que alguns acordos políticos onde o PT nacional não deveria intervir têm dimensão apenas regional e...Acho que esse é um momento onde uma determinada aliança é plenamente viável e aceitável...”

Aécio Neves:
“Acho que a aliança PT-PSDB é um fato de dimensão relativa, restrito a Belo Horizonte. Mas, se isso puder inspirar o país a ter uma relação onde PT e PSDB possam dialogar...Está consolidada a aliança onde será aprofundado aquilo que já vem acontecendo em Belo Horizonte...Em Minas estamos obtendo um resultado onde uma porta fica aberta para um possível entendimento entre petistas e tucanos no futuro...”

Observem o ondismo dos dois políticos. Eles, indiscriminadamente, trataram comício, acordos políticos, momento, relação, aliança e resultado como locais!!!

Mas o campeão entre nossos personagens de hoje é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que, não satisfeito, tripudiou com um sonoro aonde:

Candidato à reeleição, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aborrecido com as declarações de Geraldo Alckmin, alfinetou:

“São declarações aonde não se mencionam os erros deles, que já governaram São Paulo...”

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Jean Figueiredo 04.07.2008 - 07:33h
Paulo Roberto, somos colegas na dura missão de ensinar a Nossa Língua, por isso se...

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20/06/2008 - 23h:11


O usuário de nosso blog, Feitosa, tem dúvidas quanto à sintaxe de concordância do verbo “ser”. Trata-se de uma sintaxe muito especial, Feitosa, pois esse verbo flexiona-se quase sempre na escolha da natureza do predicativo. De uma maneira geral, pode-se dizer que o verbo “ser” não obedece necessariamente ao sujeito, privilegiando as seguintes condições:

1º > pronomes RETOS
2º > nomes PESSOAIS
3º > nomes no PLURAL


O Brasil sois vós (Ruy Barbosa)
Deus somos nós ( Mahatma Gandhi )
Pedro és tu


Observe que, nas três frases, em vez de concordar com os sujeitos ( Brasil, Deus e Pedro ), o verbo “ser” privilegiou os pronomes retos vós, nós e tu.

Irmã Dulce é os pobres; é, sobretudo, os desesperados, os desprotegidos (Ulysses Guimarães)
As delícias de Roma era Tito. ( Suetônio )


Pelos dois exemplos acima, percebe-se a preferência do verbo “ser” pelo nome pessoal, independente de sua posição, ora como sujeito (Irmã Dulce), ora como predicativo (Tito).

O inferno são os outros (Jean-Paul Sartre)
Minha fraqueza foram as raparigas sérias (Boacage)
A arte são imitações da natureza (Séneca)
Isso são intrigas da oposição (qualquer político brasileiro acusado)


Observe a tendência do verbo “ser” por termos no plural. Qualquer outro verbo, nos exemplos acima, teria flexão singular com os sujeitos O inferno, Minha fraqueza, A arte e Isso.

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Jerônimo Júnior 30.06.2008 - 16:32h
Paulo Roberto, algumas bancas examinadoras nos concursos sempre fazem perguntas so...

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16/06/2008 - 00h:04


A usuária Jocély acessa nosso blog e faz a seguinte pergunta: “Professor, como escrever mussarela? Já vi, nos supermercados, todas as formas...O correto é mossarela ou mussarela?”

Nem uma, nem outra, Jocély. Do italiano ‘mozzarela’ ( como pizza ), ao aportuguesar-se, suprimiu-se-lhe um “z”, ficando mozarela. Alguns dicionaristas registram, também, muçarela.

Portanto, a forma mais indicada é mozarela. A variante é muçarela. É mais prudente, contudo, usar a segunda, pois talvez você não seja atendida pela balconista da padaria ao pedir:

“Moça, eu quero trezentos gramas de mozarela!”

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Antônio Bonfim Neto 19.06.2008 - 12:15h
Professor, por favor atenda ao meu pedido de anteontem! Obrigado!...

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04/06/2008 - 21h:16


Transposição: ativa > < passiva

Acessam nosso blog e pedem-nos explicações sobre o fenômeno da transposição. A Carlos Chagas, o Cespe e outras bancas examinadoras têm colocado sob análise nos concursos públicos esse fenômeno que pode afetar o texto. Isso porque, se o autor do texto quer, por exemplo, destacar os EUA, ele constrói:

Os Estados Unidos pressionam o Brasil.
Mas, se ele quer destacar o Brasil com a mesma frase, ele escreve:
O Brasil é pressionado pelos EUA.
Essa passagem de uma voz a outra define a seguinte relação:
SA = AP
OdA = SP

>O sujeito da ativa transforma-se em agente da passiva; o objeto direto da ativa transforma-se em sujeito da passiva.
Algumas observações:
1) Só há transposição quando a voz ativa tem objeto direto.


> >Frases que podem ser transpostas para a passiva (porque têm objeto direto ):
Barack Obama derrotou Hillary Clinton.
Hugo Chávez irritou o rei da Espanha..
Evo Morales traiu Lula.
Sílvio Mendes e Nazareno polarizarão a campanha eleitoral.
Dilma Roussef ignorou a CPI dos Cartões.

> > Frases que não podem ser transpostas para a passiva ( porque têm objeto indireto );:
Obama acredita em uma vitória contra os republicanos.
Chávez depende do consumidor de gasolina norte-americano.
Morales aposta em uma nova onda de privatização.
Os partidos menores de Teresina pensam em segundo turno.
Dilma Roussef deporá à CPI dos Cartões.

2) O verbo da ativa toma a forma de particípio e empresta seu tempo ao verbo “ser”.

Morales traiu Lula.
Lula foi traído por Morales.

Morales trai Lula.
Lula é traído por Morales.

Morales trairá Lula.
Lula será traído por Morales.

Morales está traindo Lula.
Lula está sendo traído por Morales.


Obs.: em outro comentário, faremos outras observações sobre vozes do verbo.
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Vanessa 15.06.2008 - 08:20h
Oi professor, a Sara fez uma ergunta, mas vou fazer duas: quando não flexionar no ...

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01/06/2008 - 13h:49


(Maiúscula ou minúscula?)

A usuária Lenice tem dúvidas quanto ao emprego da inicial de “internet”. E ela tem toda a razão. Afinal, ora vemos Internet, ora internet. A tendência, Lenice, é transformar todas as marcas de domínio público em substantivos comuns. A Internetwork (redes interligadas) transformou-se, hoje, em termo de domínio público, assim como ocorreu com:

Xerox ( marca registrada que hoje é sinônimo de cópia: xérox ou xerox)
Gillette ( hoje é símbolo de lâmina de barbear: gilete)
Chiclets (marca registrada “Chiclets Adams”, hoje designa qualquer goma de mascar: chiclete)
Band-aids (nome de marca que simboliza hoje qualquer curativo: bandeide )
Moddes ( marca que simboliza,hoje, qualquer absorvente íntimo feminino: modes )
Bombril ( virou sinônimo de qualquer palha-de-aço: bombril )
Aspirina ( ninguém a reconhece mais como marca de analgésico; hoje popularmente simboliza qualquer comprimido para dor de cabeça : aspirina )
Durex ( era o nome de uma marca; hoje quer dizer qualquer fita “gomada”: durex )

Portanto, o mais indicado é escrever com inicial minúscula: internet.
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João Vítor 03.06.2008 - 12:35h
Professor Paulo: seu comentário sobre nomes de marca que viram nomes comuns, como ...

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31/05/2008 - 00h:32


A blognauta Eline traz à discussão uma questão da Carlos Chagas. Li a questão e conferi o gabarito. Você tem razão, Eline. A Fundação Carlos Chagas errou! A regência do verbo mirar é semelhante à do verbo olhar. Esses verbos têm regime direto na maioria das construções:

Márcio olhou o que havia feito.
O assassino mirou a cabeça da vítima.
Olhe bem esta foto!
Ela olhava o filho com todo o carinho.
Os astrônomos, com suas potentes lentes, miram o infinito.


Em outras construções, esses verbos aceitam a preposição para:
Ele olhou para o lado e nada viu.
O caçador mirava para todos os lados à procura de algo que se movesse.


Entretanto, empregar a preposição a em frases com qualquer desses verbos é, simplesmente, inventar um regime. Portanto, a Carlos Chagas errou ao apontar esta frase como correta:
...as nadadoras miram aonde...
A combinação aonde só é possível com verbos de natureza “cinemática” ( de movimento), como ir, chegar etc.

Ele não sabe aonde vai.
Aonde você quer chegar?


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TEORIA E CORREÇÃO DE PROVAS CESPE, CARLOS CHAGAS, ESAF
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Grupo de Estudos Vitoriosas 31.05.2008 - 09:05h
Paulo Roberto, a Cecília e a Marta fizeram suas perguntas. A minha é a seguinte: ...

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