Prof. Paulo Roberto

O VERBO SER E ALGUNS MAL-ENTENDIDOS

1 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 0 de 5 )
12/03/2010 - 07h:52

Sara, acessando do Estado do Acre, não concordou com o meu comentário que esclarecia dúvida de Sandra, nossa amiga de Portugal, e de José Antônio, de Campos (RJ). Vou, por isso, repetir integralmente o comentário:
//Sandra, de Lisboa, Portugal, tem a seguinte dúvida:
Na frase ...para o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado ou foram destinados?
A forma verbal passiva dessa frase necessita de um sujeito. Torna-se necessário, então, completá-la, pois o termo composto “desenvolvimento de pesquisas e processos de produção” não pode ser sujeito porque está preposicionado (para), exercendo a função de complemento nominal de “destinados”.
Posso sugerir:
“para o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado um milhão de reais...ou foram destinados 500 mil reais...ou foi destinada uma considerável soma de recursos...ou foi destinado meio milhão de reais...” etc. //

Observe, Sara, que à frase de Sandra falta o sujeito: “..(.para) o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado ou foram destinados?”
Então, em meu comentário, eu sugeri qualquer forma passiva do sujeito. Expressões numéricas, como “500 mil reais” ou “5 milhões de reais” , seriam sujeitos plurais masculinos:
“..(.para) o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foram destinados 5 milhões de reais”
Expressões numéricas, como “um milhão de reais”, “meio milhão de reais” ou “um bilhão de reais” , seriam sujeitos singulares masculinos:
“..(.para) o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado um milhão de reais”
Expressões aproximativas/partitivas, como “uma considerável soma de recursos” ou “uma verba insuficiente” ou “metade do que estava previsto”, seriam sujeitos singulares femininos:
“..(.para) o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinada uma considerável soma de recursos”

Às vezes, Sara, em nossos comentários surgem alguns mal-entendidos. É meu dever esclarecê-los. E quanto ao verbo ser , já fizemos aqui neste espaço um comentário sobre as singularidades desse verbo no que diz respeito à Concordância Verbal. Acesse sempre nosso blog e seja bem-vinda.<
,


comentários

Giulee - 18.03.2010 - 01:20

Muito boa a explicação. Gostei!!! só não achei um lugar para tirar uma duvida...Se puder eu pregunto aqui: existe a palavra "sexologista"? obrigado!

Deixe seu comentário




VOZ ATIVA X VOZ PASSIVA – TRANSPOSIÇÃO

1 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 5 de 5 )
07/03/2010 - 09h:56

A voz passiva analítica é oriunda da ativa com inversão dos termos sintáticos sujeito e objeto direto.
VA > Evo Morales e Rafael Correa traíram Lula.
VP > Lula foi traído por Evo Morales e Rafael Correa.

SA = AP ( sujeito da Ativa transforma-se em agente da Passiva )
OdA = SP ( objeto direto da Ativa transforma-se em sujeito da Passiva )

1. Construção da Passiva Analítica:
> SUJEITO + SER + PARTÍCIPIO + (AGENTE)
> ..Lula........... foi........ traído....... por Morales e Correa.

2. Condição principal para a transposição: a presença do objeto direto na Ativa. Uma frase pode naturalmente sofrer alteração verbal ( voz ) desde que o complemento verbal seja direto.

PODEM passar da Ativa para a Passiva as seguintes frases ( porque têm objeto direto ):
Obama visitou a China
>A “gripe suína” ameaça o mundo.
>A China superou os EUA e o Japão nas exportações.
>Médicos diagnosticam um câncer no sistema linfático da ministra Dilma Roussef.
>Até agora, o superaquecimento global não sensibilizou os EUA.

NÃO PODEM passar da Ativa para a Passiva ( não têm objeto direto ):
>A China investe em alta tecnologia
>A OMC quer acabar com a farra dos subsídios
>Ninguém acredita em promessas de políticos
>Obama não resistiu ao carisma de Lula.
>A salvação do Planeta depende de ações do homem.

3. Na passagem Ativa>Passiva, o verbo da Ativa toma a forma de particípio auxiliado pelo verbo ser, que lhe subtrai o tempo, modo ou forma:
>Morales trai Lula ( presente )
>Lula é traído por Morales
>>>>>>Morales trairia Lula ( futuro pretérito )
>>>>>>Lula seria traído por Morales
>Morales traía Lula ( imperfeito )
>Lula era traído por Morales
>>>>>>Se Morales traísse Lula ( imperfeito subjuntivo )
>>>>>>Se Lula fosse traído por Morales

4. Se o verbo da Ativa estiver auxiliado, a transposição repete o auxiliar:
>Hugo Chávez está enganando Lula
.Lula está sendo enganado por Hugo Chávez
>>>>>>Hugo Chávez poderá trair Lula
>>>>>>Lula poderá ser traído por Hugo Chávez

5. Excepcionalmente o objeto direto do verbo “haver” não admite a transposição Ativa>Passiva.
As frases abaixo, apesar do objeto direto, não admitem ser passadas para a Passiva:
>Houve um acidente na avenida.
>Haverá novos encontros do partido.
>Não há vítimas.

6. São consideradas falsas passivas (constituem, portanto, erros de construção sintática) as frases oriundas de Ativas com verbos transitivos indiretos:

>O filme Se Eu Fosse Você-2 foi assistido por 6 milhões de brasileiros ( erro! )
(VA> 6 milhões de brasileiros assistiram ao filme Se Eu Fosse Você-2 )

>>>>>>O assunto foi referido pelo líder do governo. ( erro! )
>>>>>>(VA> O líder do governo referiu-se ao assunto)






comentários

lucivane - 09.03.2010 - 22:46

gostei do blog!gostaria q vc falasse um pouco da diferença entre adj.adnominal e complemento nominal.

Deixe seu comentário




NOTA DE ESCLARECIMENTO

0 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 0 de 5 )
07/03/2010 - 09h:34

Este blog esteve por alguns dias sem postagem devido à ausência do titular, professor Paulo Roberto. A partir da presente data postaremos regularmente nossos comentários e respostas aos que acessam este blog. Obrigado. Paulo Roberto

comentários

Seja o primeiro a comentar

Nenhum comentário

Deixe seu comentário




VOLP ( DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ): FALHO E HESITANTE VOLP ( DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ): FALHO E HESITANTE

1 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 0 de 5 )
15/02/2010 - 11h:13

Recebi em março de 2009 o exemplar do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que foi entregue ao público no dia 19-03-2009. Esperava-o com ansiedade, uma vez que o VOLP iria dirimir os hiatos deixados pelo Decreto 6583. Lendo-o, entretanto, fiquei decepcionado. Trata-se de uma publicação cheia de falhas e lacunas. Mas o mais lamentável é que o novo Vocabulário criou vários “casos facultativos” de grafia, o que deixará o usuário ( principalmente o brasileiro ) com mais dúvidas que certezas.
Abaixo, algumas das incoerências do VOLP:

FALHAS:
1. Nas formas homógrafas/homófonas que perderam o acento, como o verbo “para” ou o substantivo “pelo”, o VOLP omite o verbo “côa”.
2. O latinismo “hábitat”, que já está registrado por todos os dicionaristas na forma aportuguesada com acento, não aparece no VOLP.
3. Os adjetivos “maoísta” e “maoísmo” aparecem com acento, não obedecendo ao critério usado na supressão do acento em “baiúca” ou “feiúra”.
4. O prefixo “co” desrespeita o Dec. 6583 ao se afixar sem hífens a palavras com o “H” etimológico: “coerdeiro”, “coabitar” etc.
5. A locução conotativa “maria-vai-com-as-outras”, que designa pessoa sem opinião própria, perdeu os hífens > “maria vai com as outras”. Mas as demais locuções conotativas similares permanecem com hífen, como “maria-mijona”, “maria-já-é-dia”, “maria-da-serra” etc.
6. O composto “para-quedas” perdeu o hífen. Agora é “paraquedas”. Mas as demais composições similares permanecem hifenizadas, como “para-choque”, “para-raios”, “para-cinzas” etc.


GRAFIAS FACULTATIVAS:

1. forma ou fôrma ( de bolo )
2. demos ou dêmos ( presente do subjuntivo de “dar” )
3. Amazônia ou Amazónia ( e todo acento circunflexo antes de N,M + vogal )
4. cantamos ou cantámos ( e todos os verbos regulares na 1ª pessoa pl. pret. perfeito )
5. subumano ou sub-humano ( o prefixo sub + h )
subepático ou sub-hepático
subélice ou sub-hélice
suberdeiro ou sub-herdeiro
subumanidade ou sub-humanidade
subidroclorato ou sub-hidroclorato
6. averigue ou averigúe ( com acento prosódico na vogal “u” > averigúe )
apazigue ou apazígue ( com acento prosódico na vogal “u” > apazigúe )
oblique ou oblíque ( com acento prosódico na vogal “u” > obliqgúe )
7. mozarela ou muçarela
8. bem-querer ou benquerer

comentários

José Antonio - 24.02.2010 - 11:03

Olá professor, saudações. Por favor me tire uma dúvida, qual a frase correta? Missão a que me propus ou missão que me propus. Muito obrigado.

Deixe seu comentário




GRAMÁTICA: REGÊNCIA, COLOCAÇÃO E O CASO DO PROFESSOR PROTÓGENES, O OBCECADO.

1 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 5 de 5 )
09/02/2010 - 18h:18

Acordo hoje mal-humorado. Minha mulher me abandonou na noite anterior. O fim de um casamento de 12 anos. Tudo por causa do seguinte diálogo:
- Amor, tu mesmo pega a sua toalha. Tá na porta do armário...Você calçou o chinelão? Ele está embaixo de tua escrivaninha.
De dentro do banheiro, eu resmunguei algo. Não houve resposta. Ela estava na cozinha e tive que berrar:
- Dá para você ter coerência com as pessoas gramaticais?
- O quê?
Eu berrei o mais alto que pude:
- Você mistura tudo: tu com você, seu com tua...Você escolhe: ou 2ª ou 3ª pessoa!
Da cozinha veio um grito de ódio:
- Vão pro inferno!
Eu perguntei:
- Quem?
O grito, agora, estava carregado de ódio, amargura e ironia:
- Tu e sua gramática!!!
Deixei a água cair, ensaboei-me com força, enxuguei-me e saí do banheiro em direção à cozinha. Ia tentar um diálogo, mas ela foi mais rápida:
- Protógenes, escute aqui...
Eu fiquei com medo. Ela nunca me tratava pelo verdadeiro nome. Protógenes. Por que meu pai escolhera esse diabo de nome? Uma cruz que carrego desde que nasci.
- Ei, amor! Por que me trata assim?
- Assim, como?
- Protógenes...
- Porque estou com raiva. Com ódio dessa sua mania de corrigir os outros... Gramática. Gramática. Só gramática! Por isso estou dizendo esse teu nome ridículo: Protógenes! Protógenes! Protógenes!

A raiva contida (em muitos anos) de minha mulher ia se transformando em ódio, ira - uma verdadeira catarse. Eu deveria naquele momento ter mordido a língua, ficar calado, mas não me contive e fui vingativo:
- Thábatta. Thábatta. Thábatta! Com tê-agá e dois tês. Parece nome de travesti brasileiro na Itália ou na Espanha.
Então ela desandou a chorar. Minha mulher se chama Thábatta. Ela, como eu, odeia o próprio nome. Apesar do choro, não tentei acarinhá-la. Não adiantaria. Fiquei ali, parado, ouvindo o choro quase convulsivo de Thá. Era assim que eu a tratava carinhosamente: Thá. E ela me chamava de Amor ou Tó.
Após uns 3 minutos de choro, aconteceu o diálogo (ou o quase-monólogo de Thábatta) que selaria irrevogavelmente o fim de um casamento de 12 anos.
- Você está cada vez mais insuportável. Essa mania de corrigir todo mundo.
- Entenda, querida, sou professor de Português. Não posso admitir que...
- Não pode, o quê! Você confunde uma conversa formal com uma coloquial. Estou de roupão de banho: não dá pra ver que isso é um momento informal? Você virou um chato. Ninguém te suporta. E não me corrija por causa dessas porcarias de pronomes!
- Eu...
- Você é um obcecado, Protógenes! Lembra o aniversário do Pereira? Você o corrigiu publicamente na hora do brinde...
- Mas ele disse: “Neste dia, onde estou reunido com meus amigos, quero convidar-lhes para um brinde...” O correto é “convidá-los”...E “dia” não é local. O pronome “onde” é um relativo, um transpositor de local e foi mal empregado...
- E o casamento da Pricila? Você humilhou o pobre do padre Terêncio....
- O padre disse aos noivos “Deus lhes abençoe”. O certo é “Deus os abençoe”. Um caso grave de erro de regência.
- Dane-se a regência, Protógenes! Aquilo era uma festa de casamento!

Eu tentei argumentar:
- Aquele velho padre conhece o latim. Mas não conhece o português.
- E daí? Você está perdendo até seus amigos de cerveja. Arranja um inimigo a cada dia. Até nosso filho tem medo de você. Lembra-se de anteontem? Quase bateu no menino porque ele disse no café da manhã: “Me passe a manteiga”.
- Erro de colocação pronominal: temos que corrigir desde cedo...
- Droga, Protógenes! Um menino de 11 anos que tem pavor de conversar com o pai! Um absurdo. Isso é paranóia! Chega, Protógenes. Para mim, basta! Vou-me embora com meu filho!

E ela foi mesmo.
Agora, pela manhã, sinto-me à beira de um ataque de mau humor. Perdi minha mulher e meu filho. Todo mundo, numa situação assim, fica mal-humorado. Mas o meu mau humor é o maior que um homem pode suportar, porque estou lendo o bilhete que minha (ex)mulher deixou pregado na geladeira.
- Adeus. Apesar de tudo, eu lhe amo... Thá.
Este bilhete é pura ironia, é uma vingança dela. Eu sei que ela sabe que o certo é “eu o amo”. Ela sabe que o verbo amar é transitivo direto...

comentários

Taize - 12.02.2010 - 09:46

Professor, é uma satisfação voltar a aprender com suas aulas. Fui sua aluna quando morava em Teresina e agora estou no Pará, pois, fui aprovada no TRT. Acho muito interessante esse método de ensino, que, através de textos, fixa mais ainda o aprendizado. Aproveito a oportunidade pra pedir explicação acerca do uso do termo "através" nesse meu comentário. Foi apropriado o uso de "através" nesse contexto ou seria mais correto usar "por meio de"????

Deixe seu comentário




VERBO ASSISTIR: DUPLA POSSIBILIDADE SEMÂNTICA, DUPLA REGÊNCIA

0 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 5 de 5 )
22/01/2010 - 17h:43

France Schult, do Balneário de Camboriú, Santa Catarina, visitante assídua deste blog, tem uma dúvida: a frase “Compete a este Gabinete: assistir ao Ministro de Estado...” está correta?
O verbo assistir possui duas possibilidades semânticas principais:
a) ajudar, cuidar, dar assistência.
A tradição aponta para, nestas acepções, o emprego do verbo com transitividade direta, ou seja, sem o uso de preposição:
“Os profissionais da saúde não conseguem assistir os pacientes do SUS.”
“O advogado negou-se a assistir o constituinte.”
b) presenciar, ver, observar.
Nestas acepções, o verbo assistir deve ser empregado com transitividade indireta, usando a preposição “a”:
“Não pude assistir ao final do campeonato.”
“Os católicos assistem à missa; os evangélicos assistem ao culto.”
“Assisti a todos os filmes de Pedro Almodóvar.”

Torna-se óbvio que, quando se estabelecem condições especiais para determinados aspectos da Gramática, crie-se certa rejeição. Muitos criticam acidamente “essas bobagens gramaticais”. Deveriam, contudo, refletir, pensar melhor. Se a norma da língua culta interveio no caso presente, não foi por puro rigor cabotino. Observe os exemplos:

“Maria deu à luz, e Pedro assistiu o parto.”
“Maria deu à luz, e Fernando assistiu ao parto.”

Cabem duas perguntas: quem é o pai da criança e quem é o médico, o obstetra que cuidou da parturiente?
Uma simples regra ( não uma imposição ) gramatical dirime as dúvidas: a presença (ou ausência) da preposição modifica o sentido de cada frase.
 Fernando é o pai, pois quis presenciar o nascimento do filho.
 Pedro é o médico, pois cuidou do trabalho de parto, deu assistência à mãe.
Essa dupla possibilidade semântica (e consequente dupla possibilidade de regência) evita a ambiguidade, torna as frases mais claras.

Assim, France, sua dúvida é pertinente. A frase correta é:

“Compete a este Gabinete: assistir o Ministro de Estado....”

comentários

Seja o primeiro a comentar

Nenhum comentário

Deixe seu comentário




VERBO ASSISTIR: DUPLA POSSIBILIDADE SEMÂNTICA, DUPLA REGÊNCIA

0 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 0 de 5 )
22/01/2010 - 17h:09

France Schult, do Balneário de Camboriú, Santa Catarina, visitante assídua deste blog, tem uma dúvida: a frase Compete a este Gabinete: assistir ao Ministro de Estado... está correta?
O verbo assistir possui duas possibilidades semânticas principais:
a) ajudar, cuidar, dar assistência.
A tradição aponta para, nestas acepções, o emprego do verbo com transitividade direta, ou seja, sem o uso de preposição:
Os profissionais da saúde não conseguem assistir os pacientes do SUS.
O advogado negou-se a assistir o constituinte.
b) presenciar, ver, observar.
Nestas acepções, o verbo assistir deve ser empregado com transitividade indireta, usando a preposição “a”:
Não pude assistir ao final do campeonato.
Os católicos assistem à missa; os evangélicos assistem ao culto.
Assisti a todos os filmes de Pedro Almodóvar.

Torna-se óbvio que, quando se estabelecem condições especiais para determinados aspectos da Gramática, crie-se certa rejeição. Muitos criticam acidamente “essas bobagens gramaticais”. Deveriam, contudo, refletir, pensar melhor. Se a norma culta da língua interveio no caso presente, não foi por puro rigor cabotino. Observe os exemplos:

Maria deu à luz, e Pedro assistiu o parto.
Maria deu à luz, e Fernando assistiu ao parto.

Cabem duas perguntas: quem é o pai da criança e quem é o médico, o obstetra que cuidou da parturiente?
Uma simples regra ( não uma imposição ) gramatical dirime as dúvidas:
 Fernando é o pai, pois quis presenciar o nascimento do filho.
 Pedro é o médico, pois cuidou do trabalho de parto, deu assistência à mãe.
Essa dupla possibilidade semântica (e consequente dupla possibilidade de regência) evita a ambiguidade, torna as frases mais claras.

Assim, France, sua dúvida é pertinente. A frase correta é:

Compete a este Gabinete: assistir o Ministro de Estado....

comentários

Seja o primeiro a comentar

Nenhum comentário

Deixe seu comentário




TODO O PAÍS ACESSA ESTE BLOG (2)! OBRIGADO!

0 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 5 de 5 )
22/01/2010 - 08h:23

Sinto-me novamente motivado a registrar os nomes de nossos visitantes, desta vez do período entre 21 de dezembro (2009) e 20 de janeiro (2010). São pessoas de todo o país interessadas em aprimorar seu conhecimento no que diz respeito a Nossa Língua. Esses ilustres visitantes acessam nosso blog, comentam e nos motivam sempre.
Francisca Braga – Teresina, Piauí
Luciene Silva – Ananindeua, Pará
Arlei Santos – Santana , Amapá
Luiz – São Paulo, SP
Lúcia Sousa – Teresina, Piauí
Luís Reginaldo Meneses Carvalho – Teresina, Piauí
Romildo Madra – Teresina, Piauí
Emmannuel Max – Teresina, Piauí
Mônica – Teresina, Piauí
Luciana Sanches – Rio de Janeiro , RJ
Thiago - Linhares, Espírito Santo
Letícia – Itatiaia, Rio de Janeiro
Ara Lúcia - Belém, Pará
“Anônimo” - Juazeiro, Bahia
Lutero R. Dias - Canoas, Rio Grande do Sul
Milson Alves - Porto Velho, Rondônia
Genildo Ferreira - Pesqueira, Pernambuco

comentários

Seja o primeiro a comentar

Nenhum comentário

Deixe seu comentário




TODO O PAÍS ACESSA ESTE BLOG (2)! OBRIGADO!

1 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 0 de 5 )
22/01/2010 - 08h:23

Sinto-me novamente motivado a registrar os nomes de nossos visitantes, desta vez do período entre 21 de dezembro (2009) e 20 de janeiro (2010). São pessoas de todo o país interessadas em aprimorar seu conhecimento no que diz respeito a Nossa Língua. Esses ilustres visitantes acessam nosso blog, comentam e nos motivam sempre.
Francisca Braga – Teresina, Piauí
Luciene Silva – Ananindeua, Pará
Arlei Santos – Santana , Amapá
Luiz – São Paulo, SP
Lúcia Sousa – Teresina, Piauí
Luís Reginaldo Meneses Carvalho – Teresina, Piauí
Romildo Madra – Teresina, Piauí
Emmannuel Max – Teresina, Piauí
Mônica – Teresina, Piauí
Luciana Sanches – Rio de Janeiro , RJ
Thiago - Linhares, Espírito Santo
Letícia – Itatiaia, Rio de Janeiro
Ara Lúcia - Belém, Pará
“Anônimo” - Juazeiro, Bahia
Lutero R. Dias - Canoas, Rio Grande do Sul
Milson Alves - Porto Velho, Rondônia
Genildo Ferreira - Pesqueira, Pernambuco

comentários

France - 22.01.2010 - 10:03

Oi, Paulo! Gosto demais do seu blog e quero melhorar meu português cada vez mais. Por favor, manda mais dicas sobre ERROS COTIDIANOS. Agora, tenho uma dúvida sobre regência verbal: Ao Gabinete compete: assistir AO Ministro de Estado em sua representação política e social... Está certo? é VTI mesmo? não seria assistir (no sentido de dar assistência, ajudar) O ministro de estado..(VTD) Obrigada. Um grande abraço !!

Deixe seu comentário




REFORMA ORTOGRÁFICA: O FUNERAL DO SENHOR TREMA

0 comentário
Imprimir imprimir
Avalie ( 5 de 5 )
04/01/2010 - 09h:29

Não sei se foi por razões políticas (ou perseguição ideológica), o certo é que no fatídico dia 29 de setembro de 2008 o presidente Lula promulgou o Decreto 6583, que, entre outras disposições, condenou o Senhor Trema à pena de morte, à execução sumária, sem direito a julgamento. A execução aconteceu no dia 31 de dezembro. O carrasco foi o próprio ministro da Educação, que puxou a alavanca da guilhotina, decepando impiedosamente a cabeça do tímido Senhor Trema.
Convidado pela família, eu fui ao velório. Lá fora espocavam os foguetes: o povo, alheio à dor da família do Senhor Trema, brindava o Novo Ano de 2009 nas ruas, nos clubes e nas churrascarias. Ali dentro reinava a tristeza: um caixão com o corpo do tímido Senhor Trema, sem a cabeça (que estava exposta ao público no Palácio do Planalto). Os familiares apresentaram-me Dona Cedilha, a inconsolável viúva. Um primo do defunto, o Acento Agudo, chamou-me a um canto e apresentou-me seus dois irmãos: o Circunflexo, um senhor meio corcunda, envergado pela velhice, e o Til, um sujeitinho de fala nasalada, olhares falsos e andar rastejante feito uma cobra. O Acento Grave, um senhor de porte ereto, pescoço inclinado para trás, como se olhasse para o teto invocando aos Céus uma explicação pela morte do querido amigo, olhou-me e, com voz muito grossa e baixa, apresentou-se:
- Sou o senhor Acento Grave, primo do falecido.
- Prazer – eu disse. – Já ouvi falar do senhor. E como vai sua esposa, a Senhora Crase?
- Meio assustada, ainda. Felizmente não fomos atingidos por esse Decreto.
Para puxar assunto, eu observei:
- Estou notando a ausência do Senhor Hífen...
Com a voz mais cavernosa ainda, o Acento Grave confidenciou-me:
- Está preso. Inventaram um monte de irregularidades que ele jamais praticou, grampearam seus telefones. Sua família caiu em desgraça com o Decreto. Está sob custódia e não se sabe ainda seu destino, coitado! Comentam por aí que meu primo Hífen será o mais atingido por essa Reforma.
Um sujeitinho maltrapilho entrou aos choros. Era o Senhor Apóstrofo, o primo mais pobre da dinastia dos diacríticos, ladeado dos poucos e minguados filhos sobreviventes dos decretos (que desgraçaram sua família) em 1911, 43 e 71: a Galinha-d’angola, o Olho-d’agua, o Pau-d’arco, a Estrela-d’alva e o sempre bêbado Pau-d’água.
O salão do velório era enorme, mas quase já não cabia tanta gente. Ao lado do caixão do tímido e falecido Senhor Trema, começaram a enfileirar seus angustiados filhos, dezenas deles: a pontual Freqüência, a assanhada Lingüiça, o destrambelhado Inconseqüente, o sempre elegante Pingüim ( trajando um impecável smoking ), a temida Conseqüência, o coronel Nicaragüense (revolucionário bolivariano que veio num jato emprestado pelo amigo vizinho Hugo Chávez ), os gêmeos Qüinqüênios, a sempre falante e tagarela Eloqüência, a curiosa e enxerida Argüição e o Seqüestrador ( foragido da Justiça e ovelha-negra da família ).
A Eloqüência, com sua compulsiva tagarelice, murmurou em meus ouvidos que um parente afastado, um tal de Senhor Müller ( um alemão neonazista ) traíra o Senhor Trema e, por isso, escapara do Decreto 6583.
Com passinhos miúdos, rosto muito sereno, arrastava-se em volta do caixão o sempre devagar Senhor Tranqüilo...
Pobres órfãos!

______________________________________________________________________
CURSO PAULO ROBERTO PORTUGUÊS TOTAL FONE 3217 3626


comentários

Seja o primeiro a comentar

Nenhum comentário

Deixe seu comentário




Primeiro
Anterior
01

'O Portal Meio Norte é apenas meio contratado para divulgação deste material. Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes aqui neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro ou de quem utilizou sua senha pessoal para postar as informações. O material aqui divulgado não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.'

Arquivo

Março / 2010
D
S
T
Q
Q
S
S
01020304050607080910111213141516171819
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Coordenador:André Moura - andremoura@meionorte.com
Todos os direitos reservados. meionorte.com
meionorte.com: Anuncie | Cadastre-se | Trabalhe Conosco
Fale conosco: meionorte@meionorte.com | 86 2107.3032
Conheça o Jornalismo do Bem
Resoluçao indicada: 1024 x 768
Aprenda a ajustar sua resolução
Conheça nossa equipe