Prof. Paulo Roberto

CONCORDÂNCIA DO VERBO SER

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20/06/2008 - 23h:11

O usuário de nosso blog, Feitosa, tem dúvidas quanto à sintaxe de concordância do verbo “ser”. Trata-se de uma sintaxe muito especial, Feitosa, pois esse verbo flexiona-se quase sempre na escolha da natureza do predicativo. De uma maneira geral, pode-se dizer que o verbo “ser” não obedece necessariamente ao sujeito, privilegiando as seguintes condições:

1º > pronomes RETOS
2º > nomes PESSOAIS
3º > nomes no PLURAL


O Brasil sois vós (Ruy Barbosa)
Deus somos nós ( Mahatma Gandhi )
Pedro és tu


Observe que, nas três frases, em vez de concordar com os sujeitos ( Brasil, Deus e Pedro ), o verbo “ser” privilegiou os pronomes retos vós, nós e tu.

Irmã Dulce é os pobres; é, sobretudo, os desesperados, os desprotegidos (Ulysses Guimarães)
As delícias de Roma era Tito. ( Suetônio )


Pelos dois exemplos acima, percebe-se a preferência do verbo “ser” pelo nome pessoal, independente de sua posição, ora como sujeito (Irmã Dulce), ora como predicativo (Tito).

O inferno são os outros (Jean-Paul Sartre)
Minha fraqueza foram as raparigas sérias (Boacage)
A arte são imitações da natureza (Séneca)
Isso são intrigas da oposição (qualquer político brasileiro acusado)


Observe a tendência do verbo “ser” por termos no plural. Qualquer outro verbo, nos exemplos acima, teria flexão singular com os sujeitos O inferno, Minha fraqueza, A arte e Isso.

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josuel - 04.08.2009 - 13:48

Pelos dois exemplos acima, percebe-se a preferência do verbo ?ser? pelo nome pessoal, independente de sua posição, ora como sujeito (Irmã Dulce), ora como predicativo (Tito).

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MOSSARELA ou MUSSARELA?

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16/06/2008 - 00h:04

A usuária Jocély acessa nosso blog e faz a seguinte pergunta: “Professor, como escrever mussarela? Já vi, nos supermercados, todas as formas...O correto é mossarela ou mussarela?”

Nem uma, nem outra, Jocély. Do italiano ‘mozzarela’ ( como pizza ), ao aportuguesar-se, suprimiu-se-lhe um “z”, ficando mozarela. Alguns dicionaristas registram, também, muçarela.

Portanto, a forma mais indicada é mozarela. A variante é muçarela. É mais prudente, contudo, usar a segunda, pois talvez você não seja atendida pela balconista da padaria ao pedir:

“Moça, eu quero trezentos gramas de mozarela!”

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VOZES DO VERBO (1)

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04/06/2008 - 21h:16

Transposição: ativa > < passiva

Acessam nosso blog e pedem-nos explicações sobre o fenômeno da transposição. A Carlos Chagas, o Cespe e outras bancas examinadoras têm colocado sob análise nos concursos públicos esse fenômeno que pode afetar o texto. Isso porque, se o autor do texto quer, por exemplo, destacar os EUA, ele constrói:

Os Estados Unidos pressionam o Brasil.
Mas, se ele quer destacar o Brasil com a mesma frase, ele escreve:
O Brasil é pressionado pelos EUA.
Essa passagem de uma voz a outra define a seguinte relação:
SA = AP
OdA = SP

>O sujeito da ativa transforma-se em agente da passiva; o objeto direto da ativa transforma-se em sujeito da passiva.
Algumas observações:
1) Só há transposição quando a voz ativa tem objeto direto.


> >Frases que podem ser transpostas para a passiva (porque têm objeto direto ):
Barack Obama derrotou Hillary Clinton.
Hugo Chávez irritou o rei da Espanha..
Evo Morales traiu Lula.
Sílvio Mendes e Nazareno polarizarão a campanha eleitoral.
Dilma Roussef ignorou a CPI dos Cartões.

> > Frases que não podem ser transpostas para a passiva ( porque têm objeto indireto );:
Obama acredita em uma vitória contra os republicanos.
Chávez depende do consumidor de gasolina norte-americano.
Morales aposta em uma nova onda de privatização.
Os partidos menores de Teresina pensam em segundo turno.
Dilma Roussef deporá à CPI dos Cartões.

2) O verbo da ativa toma a forma de particípio e empresta seu tempo ao verbo “ser”.

Morales traiu Lula.
Lula foi traído por Morales.

Morales trai Lula.
Lula é traído por Morales.

Morales trairá Lula.
Lula será traído por Morales.

Morales está traindo Lula.
Lula está sendo traído por Morales.


Obs.: em outro comentário, faremos outras observações sobre vozes do verbo.
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Internet ou internet?

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01/06/2008 - 13h:49

(Maiúscula ou minúscula?)

A usuária Lenice tem dúvidas quanto ao emprego da inicial de “internet”. E ela tem toda a razão. Afinal, ora vemos Internet, ora internet. A tendência, Lenice, é transformar todas as marcas de domínio público em substantivos comuns. A Internetwork (redes interligadas) transformou-se, hoje, em termo de domínio público, assim como ocorreu com:

Xerox ( marca registrada que hoje é sinônimo de cópia: xérox ou xerox)
Gillette ( hoje é símbolo de lâmina de barbear: gilete)
Chiclets (marca registrada “Chiclets Adams”, hoje designa qualquer goma de mascar: chiclete)
Band-aids (nome de marca que simboliza hoje qualquer curativo: bandeide )
Moddes ( marca que simboliza,hoje, qualquer absorvente íntimo feminino: modes )
Bombril ( virou sinônimo de qualquer palha-de-aço: bombril )
Aspirina ( ninguém a reconhece mais como marca de analgésico; hoje popularmente simboliza qualquer comprimido para dor de cabeça : aspirina )
Durex ( era o nome de uma marca; hoje quer dizer qualquer fita “gomada”: durex )

Portanto, o mais indicado é escrever com inicial minúscula: internet.

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MIRAR

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31/05/2008 - 00h:32

A blognauta Eline traz à discussão uma questão da Carlos Chagas. Li a questão e conferi o gabarito. Você tem razão, Eline. A Fundação Carlos Chagas errou! A regência do verbo mirar é semelhante à do verbo olhar. Esses verbos têm regime direto na maioria das construções:

Márcio olhou o que havia feito.
O assassino mirou a cabeça da vítima.
Olhe bem esta foto!
Ela olhava o filho com todo o carinho.
Os astrônomos, com suas potentes lentes, miram o infinito.


Em outras construções, esses verbos aceitam a preposição para:
Ele olhou para o lado e nada viu.
O caçador mirava para todos os lados à procura de algo que se movesse.


Entretanto, empregar a preposição a em frases com qualquer desses verbos é, simplesmente, inventar um regime. Portanto, a Carlos Chagas errou ao apontar esta frase como correta:
...as nadadoras miram aonde...
A combinação aonde só é possível com verbos de natureza “cinemática” ( de movimento), como ir, chegar etc.

Ele não sabe aonde vai.
Aonde você quer chegar?


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TEORIA E CORREÇÃO DE PROVAS CESPE, CARLOS CHAGAS, ESAF

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DAR À LUZ

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24/05/2008 - 19h:42

O blognauta Alexandre retoma o assunto que comentáramos em abril. Ele tem dúvidas sobre a interpretação que se deve dar à metáfora da ação do verbo “parir”. A tradição interpreta que a gestante dá alguém ( o filho no ventre ) para o mundo (luz): “Ela deu à luz um filho” . Mas se pode também entender o eufemismo como o Alexandre sugere, ou seja, o fato de que a gestante dá o mundo(luz) para o filho:“Ela deu a luz a um filho”. Entretanto, trata-se de uma expressão idiomática, já consagrada. Por isso, acho mais prudente seguir a tradição.

Maria deu à luz Jesus Cristo > forma gramaticalizada.
Maria deu a luz a Jesus Cristo > forma popular.

Uma camponesa colombiana deu à luz seis filhos > forma gramaticalizada.
Uma camponesa colombiana deu a luz a seis filhos > forma popular.

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CONCORDÂNCIA VERBO-NOMINAL CASOS ESPECIAIS (1)

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07/05/2008 - 23h:43

Michelle acessa nosso blog e pede explicações sobre frases, como “2/3 da Terra são cobertos de água”

Determinados núcleos do sujeito, Michelle, são especiais e dão 2 opções de concordância: com o núcleo ou com o adjunto (restritivo). A Gramática considera como núcleos especiais os termos coletivos, aproximativos ou partitivos.
Coletivos: multidão, bando, grupo, corja, enxame, cardume, quadrilha etc.
Aproximativos: a maioria, boa parte, um grande número, uma minoria etc.
Partitivos: metade, 1%, 1,5%, 10%, 25%, 1/3, 2/3 etc.

Uma multidão de fiéis assistiu aos funerais do Santo Padre (concordância com o núcleo )
Uma multidão de fiéis assistiram aos funerais do Santo Padre (concordância com o adjunto)


A concordância nominal terá que “acompanhar” a opção da concordância verbal:
Uma multidão de torcedores fanáticos protestava furiosa contra o técnico e o presidente.
Uma multidão de torcedores fanáticos protestavam furiosos contra o técnico e o presidente.


Outros exemplos:
Um bando de assaltantes foi capturado pela polícia
Um bando de assaltantes foram capturados pela polícia


A maioria dos eleitores norte-americanos se declarou insatisfeita com o governo Bush
A maioria dos eleitores norte-americanos se declararam insatisfeitos com o governo Bush

Boa parte dos países latino-americanos é governada por líderes populistas.
Boa parte dos países latino-americanos são governados por líderes populistas

Somente 1% das mulheres muçulmanas veste satisfeito o tradicional hijab.
Somente 1% das mulheres muçulmanas vestem satisfeitas o tradicional hijab.

2/3 da Terra são cobertos de água.
2/3 da Terra é coberta de água.

Metade dos parlamentares se manifestou contrária à CPI dos Cartões Corporativos
Metade dos parlamentares se manifestaram contrários à CPI dos Cartões Corporativos

33% da população ativa brasileira estão submetidos ao subemprego.
33% da população ativa brasileira está submetida ao subemprego

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Cláudia Roberta - 18.04.2009 - 22:46

Parabens!são pessoas assim com vc que dão oportunidade a pessoas com eu,que tenta entender essse bicho de sete cabeças que é a lingua portuguêsa rsrsrs.

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VER OU VIR?

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05/05/2008 - 23h:21

A Deborah Silveira acessa nosso blog e pede-nos explicações sobre as flexões parônimas dos verbos ver e vir. Realmente, Deborah, há um tempo(modo/forma) em que o verbo ver é homônimo do verbo vir. Trata-se do infinitivo pessoal de vir e do futuro do subjuntivo de ver.

Infinitivo pessoal VIR

Para eu vir a esta reunião, foi necessário o pedido de Deborah.
Para tu vires a minha casa, basta um telefonema antes.
Para ele vir aqui, teve que alugar um barco.
Para nós virmos a este “show”, tivemos que fretar um jatinho.
Para vós virdes a minha festa, não será necessário convidar-vos novamente.
Para eles virem até aqui, foram necessários reiterados convites.

Futuro do subjuntivo VER

Amanhã, quando eu vir minha aluna Ana, direi a ela que não haverá aulas em julho.
Se tu vires meu filho Lucas no “shopping”, diz a ele que o estou procurando.
Se ele vir Márcia com o ex-namorado, na certa não gostará.
Na próxima semana, se virmos Pedro por aqui, faremos uma festa para ele.
Quando virdes alguém com elogios fáceis, desconfiai.
Daqui a algumas décadas, quando todos virem o Planeta em chamas, será muito tarde.

Observe, Deborah, que todas as formas pessoais do infinitivo de vir e do futuro do subjuntivo de ver são idênticas.
Portanto, cuidado ao flexionar o verbo ver no FUTURO do subjuntivo!

Se eu ver aquela menina novamente na companhia daquele rapaz, direi ao seu pai. (errado!)
Se eu vir aquela menina novamente na companhia daquele rapaz, direi ao seu pai (certo!)


Isso vale também para os derivados de ver, como rever, antever, prever etc.
Quando uma cigana prever a própria morte, aí, sim, acreditarei no esoterismo (errado!)
Quando uma cigana previr a própria morte, aí, sim, acreditarei no esoterismo (certo!)
Quando você rever esse projeto, notará algumas falhas (errado!)
Quando você revir esse projeto, notará algumas falhas (certo!)

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VIR ou VIM ?

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02/05/2008 - 23h:36

A blognauta Raquel tem dúvidas quanto à flexão do verbo vir: “Professor, ele devia vir” ou “Ele devia vim aqui, hoje?”

Vir é o infinitivo, Raquel, e use-o quando estiver antecedido de outro verbo (auxiliar):
Ele devia vir mais vezes aqui.
Meus primos poderão vir amanhã...
Ninguém consegue vir até aqui quando chove, exceto de barco.


Ou precedido de uma preposição (reduzido):

Para vir aqui, basta tomar o metrô...
Um novo aumento da gasolina está por vir...
Não há como conhecer realmente o Brasil sem vir aqui, ao Piauí.
Ela se cansou de vir aqui procurar o namorado “fujão”.


Vim é o pretérito perfeito (passado), Raquel. Use-o com o sujeito “eu” ( claro ou oculto):

Eu vim aqui para conhecer as potencialidades turísticas de Teresina.
Vinte anos atrás vim de Minas Gerais apenas para conhecer o Piauí.
Vim aqui para passear e nunca mais quis ir embora.
Eu vim a Teresina, pela primeira vez, em 1982.
Há 10 anos, eu vim a este lugar e aqui era tudo diferente.

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CONCORDÂNCIA VERBAL (1) O PRONOME “SE” E A CONCORDÂNCIA

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30/04/2008 - 11h:42

Vários usuários de nosso blog fazem perguntas a respeito da concordância verbal no texto moderno. Nossa primeira abordagem diz respeito à influência da partícula SE na concordância.
Quando a frase não apresentar sujeito ativo, iniciando-se com a agregação do SE ao verbo, observe:

VERBO + SE + COMPLEMENTO DIRETO PLURAL( o quê? quem? ) .> VERBO PLURAL

“Temem-se atentados terroristas nas Olimpíadas de Pequim”
“Buscam-se evidências de culpa na camisa usada pelo pai da menina Isabella...”
“Em campanhas eleitorais, dificilmente se discutem as questões éticas
“Mudam-se as regras das campanhas eleitorais, mas a prática antiética continua...”
“Acirram-se os debates entre Barack Obama e Hillary Clinton”
“Atribuem-se ao combustível os problemas que provocam a escassez de alimentos”
“Nunca se viram tantos especialistas em Medicina Legal como no caso Isabella”


Quando se observa que o verbo agregado ao pronome SE pede complemento indireto (preposição) ou oracional (QUE), deve-se SEMPRE flexionar o verbo no SINGULAR!

“Trata-se de questões éticas”
“Não se acredita em milagres de um dia para o outro”
“Fala-se de problemas ambientais como se somente o vizinho ao lado fosse o culpado”
“Não se investe em programas voltados para inserir a educação nas prioridades...”
“Não se acaba com os crimes praticados por menores reduzindo-se a maioridade penal”
“Nota-se que as questões éticas estão cada vez mais preocupando o jovem estudante”
“Espera-se que os bajuladores do presidente Lula esqueçam o 3º mandato”
“No caso dos Cartões Corporativos, conclui-se que os brasileiros sempre bancam a ‘gastança’ do governo”

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