Prof. Paulo Roberto

VERBO INFORMAR...(e outros verbos da Redação Oficial): DÚVIDAS EM AMSTERDÃ

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25/11/2009 - 09h:11

Bruno Paulo, um brasileiro residente na Holanda, mais precisamente em Amsterdã (ou Amsterdam, em neerlandês), visita este blog e quer nosso comentário a respeito das frases: “Gostaríamos de informar-lhe que o cliente não compareceu” e “Gostaríamos de o informar que o cliente não compareceu”.

Já postamos um comentário relativo aos verbos da Redação Oficial: informar, convidar, solicitar etc. Especificamente quanto ao verbo informar, trata-se de verbo transitivo-relativo ( direto e indireto ), com predicação livre, ou seja, você escolhe o objeto direto e o indireto. Assim, pode-se construir:
Informar alguém ( objeto direto ) de algo (objeto indireto).
Informar alguém ( objeto direto ) sobre algo (objeto indireto).
Informar a alguém (objeto indireto) algo (objeto direto)


Se a pessoa (que recebe a informação) for representada por pronome, atente para o fato de que os pronomes “o”, “a” são objetos diretos; os pronomes “lhe” ou “a ele” são indiretos.
Assim, o correto é:
Gostaria de informar-lhe que o cliente não compareceu
Ou...
Gostaria de informá-lo de que o cliente não compareceu.


Veja, pois, Bruno, que a segunda frase por você sugerida “Gostaria de o informar que o cliente não compareceu” prejudica a “distribuição bitransitiva” do verbo. Além do que, há erro de colocação, pois a norma culta não abona a próclise dos pronomes “o” e “a” com verbo no infinitivo. Em vez de Gostaria de o informar...deve-se usar Gostaria de informá-lo.

Após essas considerações, vejamos outros exemplos:
Informo V. Ex.ª que recebi o convite... ( errado! )
Informo V. Ex.ª de que recebi o convite...( correto! )

Informo a V. Ex.ª de que recebi o convite ( errado! )
Informo a V. Ex.ª que recebi o convite...( correto! )

Devo informar a Diretoria que não irei ao encontro...( errado! )
Devo informar à Diretoria que não irei ao encontro...( correto! )

Devo informar à Diretoria de que não irei ao encontro...( errado! )
Devo informar a Diretoria de que não irei ao encontro...( correto! )

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REMEDIOS BASTOS - 06.12.2009 - 12:40

gostaria que o prof. Paulo Roberto soubesse que é enorme a minha admiração por ele, um grande professor, tenho orgulho de ter um gênio como ele em nossa terra.PARABÉNS PROFESSOR!

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HINO NACIONAL

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24/11/2009 - 08h:40

Deus salve os bebês ricos de bochechas rosadas de iogurte
e bundinhas gordas de sopinha nestlé.
Mas salve também os fetos e os pivetes miseráveis
de mãozinhas magras, nas esquinas, estendidas pra você

Salve as moças ricas e as senhoras finas,
as moças pobres e as senhoras gordas
e salve todas as mulheres: negras, brancas, morenas e mulatas,
as alegres e as macambúzias, as virgens e as normais,
as beatas e as prostitutas,
a loiras e as intelectuais,
as feias e as fatais,

porque todas – basta ser mulher – são deusas!

E salve os homens: rapazes ricos e senhores gordos,
Rapazes pobres e senhores magros,
e todo o gênero humano:
os ricos e os miseráveis, os mentirosos e os artistas;
os operários e os vagabundos, os honestos e os arrivistas....
...a gente e a subgente:
os poetas e os insensíveis, os bêbados e os moderados,
os suicidas e os fortes, os vitoriosos e os fracassados,
os machos e os efeminados, os lacônicos e os prolixos,
os intimoratos e os covardes, os brilhantes e os mentecaptos,
os megalomaníacos e os modestos, os exploradores e os explorados
os ladrões e os roubados, os que mandam e os subjugados

E salve toda raça:
negros, brancos, vermelhos, amarelos,
os mestiços e os incolores,
os que fazem e os predadores,
os grandes e os pequenos, os chatos e os simpáticos,
os sonhadores e os pés-no-chão, os normais e os lunáticos,

porque todos – basta ser homem – são semideuses!

Este deveria ser o hino de qualquer nação:
sem rima, sem ritmo, sem música, sem nexo...mas sem exceção.

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AS FUNÇÕES DO “SE” (E SEUS DIVERSOS APELIDOS)

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16/11/2009 - 18h:04

Muitos visitantes têm acessado este blog , trazendo dúvidas sobre as funções da palavra “se”. Repito o comentário ( feito em tom de brincadeira e sem nenhuma pretensão didática) em 1º de maio deste ano.

O “SE Chantagista”: estabelece uma condição e é da família das Conjunções Adverbiais (Condicionais):
Se você trabalhar direito, eu lhe pago o que é justo.
Se beber, não dirija.
Se você ficar comigo esta noite, eu lhe darei tudo o que uma mulher deseja.


O “SE Covarde”: não mostra a cara do sujeito. Prefere escondê-lo, indeterminá-lo. É da família dos Pronomes Oblíquos Átonos, também conhecido (sintaticamente) como Índice de Indeterminação do Sujeito
Precisa-se de uma noiva.
Não se acredita em promessas de político.
Aqui se faz, aqui se paga.


O “SE Mahatma Gandhi”: é o grande pacificador, transforma objeto direto em sujeito passivo. É também da família dos Pronomes Oblíquos e recebe o apelido de Partícula Apassivadora.
Troca-se o voto por um emprego.
Domam-se leões.
Vende-se um cão: o melhor amigo de quem pagar mais.


O “SE Faz-Tudo”: é ambivalente, exerce duas funções ao mesmo tempo. O legitimo factótum. Uma mulher moderna, que comanda a cozinha e trabalha fora. Tem as funções de objeto direto dos causativos/ sensitivos> ( fazer, deixar, mandar, ver, ouvir, sentir ) e, ao mesmo tempo, de sujeito do infinitivo.
O cego deixa-se guiar...
A menina viu-se transformar em mulher.
Lula deixou-se enganar por Chávez, Morales e Correa.


O “SE Bijuteria”: é apenas um enfeite. Não tem valor sintático ou morfológico. Um ornamento que pode ser descartado. É também conhecido como Expletivo ou Partícula de Realce. Quase sempre está ao lado do verbo ir.
Ela se foi.
Vá-se daqui!
Vão-se os anéis de casados e ficam apenas as marcas indesejadas.


O “SE Bumerangue”: vai e volta. Você age, mas sua ação volta contra você. É também um Pronome Oblíquo, conhecido como Objeto Reflexivo....
Às vezes é Objeto Direto Reflexivo:
Maria trancou-se no quarto, viu-se no espelho e despiu-se decepcionada.
Bush feriu-se com as próprias armas: a arrogância e a prepotência.

Outras vezes, Objeto Indireto Reflexivo:
Lula deve se perguntar: isso é um furúnculo ou são os partidos aliados?
Aquela senhora solitária se deu uma flor no Dia dos Namorados.


O “SE Promíscuo”: os sujeitos vivem numa promiscuidade só. Ninguém sabe o que é de quem. É também conhecido como Objeto Direto Recíproco.
Francisco e Maria abraçaram-se, beijaram-se...e tiveram um filho.
Palestinos e judeus matam-se em nome de Alá e Abraão.


O “SE Indeciso”: está sempre na dúvida, na incerteza. Também cognominado de “Vacilão”. Nunca sabe de nada. Adora ficar ao lado do verbo saber. Morfologicamente é classificado como Conjunção Integrante.
Não sei se vou, não sei se fico.
Fiquem atentos: observem se os deputados estão viajando de avião com a Galisteu.


O “SE Enrustido”: é bastante introspectivo. Está implícito em ações que só dizem respeito ao próprio sujeito. Fica sempre ao lado dos Verbos Pronominais ( queixar-se, atrever-se, arrepender-se, referir-se, suicidar-se, apaixonar-se, indignar-se, vangloriar-se etc.). Não exerce função alguma, pois é Parte Integrante do Verbo.
Obama apaixonou-se por Lula e referiu-se a ele com a frase: “Esse é o cara!”
Judas arrependeu-se e suicidou-se.



___________________________________________________________________
Curso Paulo Roberto - Português Total - Teresina, telefone: 3217 3626

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DÚVIDAS DE NOSSAS VISITANTES: O PREFIXO “EX” ; AS FUNÇÕES DO “LHE”

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09/11/2009 - 11h:02

Samara Sampaio, de Teresina, leitora de nosso blog tem a seguinte dúvida: “O prefixo ex é utilizado para quem morreu?”
Não, Samara. Usamos este prefixo (indicando “anterior”) somente para os que estão vivos.
O ex-presidente José Sarney.
O ex-presidente FHC.
O ex-governador Hugo Napoleão.
O ex-presidente Manuel Zelaya.

Para os que morreram, não se usa o prefixo:
O presidente Juscelino Kubistchek
O astro pop Michael Jackson
O ditador Hitler.
O deputado Alberto Silva foi sepultado em Parnaíba.

_________________________________________________________________
Rejane de Melo, Recife (PE), acessa este blog indagando: “Na Frase ‘Dunga intranquiliza os jogadores, roubando-lhes a paz’ , o pronome ‘lhes’ pode ser analisado como função dativa, ou seja, objeto indireto?” .
Não, Rejane. O pronome lhe cumpre função dativa quando completa o sentido de verbos transitivos indiretos com regência da preposição “a”. E não é o caso do verbo roubar, que pede complemento direto. Em casos como esse, o obliquo lhe é adjunto adnominal do objeto direto:
Roubou-lhe a paz = Roubou (a sua) paz = Lhe: adjunto adnominal de “paz”
Esbofeteou-lhe o rosto = Esbofeteou (o seu) rosto = Lhe: ad. adnominal de “rosto”
Caetano Veloso declarou seu voto a Marina Silva, mas disse que ela imita Barack Obama e copia-lhe o discurso = copia (o seu) discurso =Lhe: ad. adn. de “discurso”


Obs.: diferentemente do latim e das línguas germânicas ( que são sintéticas – indicam as funções sintáticas por casos ), o português é língua analítica e há que se trabalhar nele toda uma analogia sintática.
Na prática, vejamos esta analogia:
Latim: Librum dedi Petro ( “um” = acusativo ; “o” = dativo )
Portugês: Dei o livro a Pedro ou Dei-lhe o livro
Assim, o pronome “lhe” é objeto indireto ( dativo) com os verbos indiretos ou “bitransitivos” que rejam a preposição “a”.
Obedeça aos pais > Obedeça-lhes
Dê a ele uma oportunidade > Dê-lhe uma oportunidade
O premiê britânico Gordon Brown ofereceu a Lula o título de “embaixador do meio ambiente” > O premiê britânico Gordon Brown ofereceu-lhe o título de “embaixador do meio ambiente”

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Samara - 09.11.2009 - 13:22

Valeu as informações.

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OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO

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06/11/2009 - 19h:01

O objeto direto é complemento ( função acusativa ) que se liga a verbo transitivo sem preposição. Casos há, contudo, em que se emprega a preposição “a”:
1.. quando sujeito e objeto direto estiverem no mesmo campo sintático, ou seja, ambos antes ou depois do verbo.
Matou ao leão o caçador.
(A preposição em “ao leão” indica que “o leão é que foi morto – é o objeto”. Como “matar” pede objeto direto, deduz-se que “leão” é objeto direto preposicionado. Essa preposição evita ambiguidade, pois o termo não preposicionado, no caso “o caçador”, é o sujeito – quem matou.)
Outros exemplos:
Pedro ao amigo ofendeu ( “Pedro” é sujeito; “o amigo” é objeto direto ).
A Pedro o amigo ofendeu ( “o amigo” é sujeito; “Pedro” é objeto direto ).


2. quando o objeto direto for representado por nomes próprios personificados, notadamente com o substantivo “Deus” ( Trata-se de uma tradição gramatical ).
Amo a Deus sobre todas as coisas.
Não desafies a Deus, teu único Senhor.


3. quando o objeto direto vier antes do verbo , e o sujeito, posposto ou oculto.
Ao inimigo não devemos temer.
Ao Palmeiras venceu o Cruzeiro.


4. quando houver mais de um objeto direto e pelo menos um dos objetos for representado por pronome ( indefinido, oblíquo tônico...).
Ele ofendeu a mim e aos demais palestrantes.
Respeito a ti e aos teus familiares.

Obs.: neste caso, é possível a dispensa da preposição para o 1º dos objetos:
Ele ofendeu-me e aos demais palestrantes.
Respeito-te e aos teus familiares.
Convido-o e à Excelentíssima Família.

Observações:

a) No caso 1, não há por que preposicionar o objeto direto se não houver possibilidade de ambiguidade.
Devorou o pequeno pardal a feroz águia. ( Todos entenderão que o sujeito (quem devorou?) é “a feroz águia”.

b) Não confundir objeto direto preposicionado com “dupla regência”, pois há verbos que admitem mais de uma predicação.
O país procura uma solução imediata ( objeto direto )
O país procura por uma solução imediata ( objeto indireto )
Nossa produção de petróleo já atende a demanda interna (ob. direto)
Nossa produção de petróleo já atende à demanda interna ( ob. indireto )


c) A figura do objeto direto preposicionado é uma “novidade gramatical”. Exemplos de autores antigos mostram isso:
Quando venceu Augusto o capitão ( Camões )
O verso de Camões é ambíguo – não se sabe quem venceu quem. Mas Camões não preposicionou o objeto direto porque a gramática, na época, não o permitia. O leitor de Camões tinha que contextualizar a frase para distinguir o sujeito do objeto direto.

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France - 02.02.2010 - 10:33

Oi, Profº Paulo ! A sua explicação sobre O.D.Preposicionado foi muito esclarecedora, mas não entendi a questão do concurso do IBCP / Prefeitura Municipal de Blumenau, dizendo que é um objeto direto preposicionado: Ela não me entende, nem eu entendo ela. ..será que se enquadra no item 4, "Ela não entende a mim, nem eu entendo ela." ?? Mto obrigada e um grande abraço.

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QUADRO DAS CONJUNÇÕES: ( EXPRESSÕES CONECTORAS E VALORES SEMÂNTICOS )

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03/11/2009 - 19h:11

1. SUBORDINATIVAS ADVERBIAIS
CAUSAIS > porque; pois; porquanto; uma vez que; dado que; já que;
devido a; em decorrência de; em razão de; em virtude de
por (ao) + infinitivo ;
(tempo composto: gerúndio + particípio )
Como (*) = só é “causal” quando inicia a frase.
Semântica: estabelecem relação de causa precedida de conseqüência
As ruas estão alagadas porque choveu muito.
(*) Como choveu muito, as ruas estão alagadas.

Atenção! A oração principal indica uma “conseqüência”.

TEMPORAIS > quando; enquanto; assim que; logo que; desde que; depois que;
antes que; senão quando; sempre que; até que; no momento em que
na hora em que; justo quando; mal; apenas; nem bem

ao + infinitivo; gerúndio; particípio
Semântica: estabelecem relação de temporalidade.
Maria chorou muito quando o noivo partiu.


CONCESSIVAS > embora; conquanto; posto que; se bem que; mesmo que;
ainda que; apesar de; não obstante; a despeito de; por mais que;
mesmo + gerúndio

Estabelecem concessão ou contraposição.
Lula não dará aumento, embora reconheça a defasagem salarial

CONSECUTIVAS > tão..que; tamanho.. que; tanto...que; de jeito que; de sorte que
Semântica: relação de consequencia.
Estava tão distraída que quase foi atropelada.

Atenção! A oração principal indica uma “causa”.

CONFORMATIVAS > como; conforme; segundo; consoante; do mesmo modo que.
Ficarei prevenido conforme me advertiram


FINAIS > para que; a fim de que
com o intuito de; com o objetivo de; com a intenção de; com vistas a
para + infinitivo
Semântica: relação de finalidade, fim
Estou aqui para que você me ajude neste trabalho


PROPORCIONAIS > à medida que; à proporção que
quanto mais...tanto mais; quanto menos...menor
quanto maior...melhor...
Semântica: estabelecem relação de paridade.
Tornamo-nos mais sábios à medida que envelhecemos.


CONDICIONAIS > se; caso; contanto que; a menos que; a não ser que; desde que;
salvo se; exceto se
gerúndio
Semântica: estabelecem relação de condição, ressalva.
Posso ajudá-lo se você quiser se ajudar.


COMPARATIVAS > como; tal qual; tanto quanto; melhor (do) que; pior (do) que;
mais (do) que; menos (do) que; que nem, feito, igual...
Semântica: estabelecem comparação.
Márcia é mais inteligente do que sua irmã
.
2. COORDENATIVAS
QUADRO DAS CONEXÕES E EXPRESSÕES INDEPENDENTES ( COORDENATIVAS )

ADITIVAS > e; nem; também; além de; não só..mas também; tanto como
Semântica: estabelecem mera adição.
Pedro não veio trabalhar nem se justificou


EXPLICATIVAS > pois; porque; isto é; ou seja; por exemplo; a saber; com efeito;
Semântica: estabelecem uma explanação em relação à precedente
Deve ter chovido muito, porque as ruas estão alagadas.


ADVERSATIVAS > mas; porém; todavia; contudo; entretanto; no entanto
senão; aliás; ainda assim
Semântica: estabelecem uma contrariedade, oposição.
Vou, mas meu coração pede-me o contrário.


ALTERNATIVAS > ou; ou...ou; já; quer...quer; seja...seja; ora...ora
Semântica: indicam idéias alternadas, (de)exclusão, escolha
Eliane passará neste concurso, ou não me chamo Paulo.


CONCLUSIVAS > logo; portanto; por isso; por conseguinte; consequentemente;
enfim; então; assim; destarte; pois ( após o verbo da oração )
Semântica: estabelecem conclusão, ilação ou consequencia.
Penso, logo existo.

_____________________________________________________________________ Obs.: deve-se atentar para o fato de que as conexões “pois” e “porque” nem sempre são causais. São coordenadas explicativas ( e não subordinadas causais ) em dois casos:

1> Quando introduzem a conseqüência ( não a causa ):
Deve ter chovido muito, pois as ruas estão alagadas
.....................................................consequência > “pois” = coordenativa explicativa
Quando introduzem a causa , são adverbiais causais:
As ruas estão alagadas pois choveu muito
....................................................causa > “pois” = subordinativa causal

2 > Quando se pospõem a oração imperativa:
Saia daí, pois esse lugar vai explodir!
Não desistamos agora, pois o país precisa de nossa luta!

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Thiago - 17.12.2009 - 12:37

professor, tudo bem? estou estudando português há pelo menos 2 meses. Pretendo fazer concursos. estou acompanhado o seu blog a poucos dias, mas li um post em seu blog que me deixou com uma dúvida. é a respeito do pronome relativo quem. Segundo um exemplo que li em seu blog, o pronome relativo quem poderia desempenhar função de sujeito. Acontece que eu li em alguns sites, Só português por exemplo, que o PR quem só pode ser preposicionado (não desempenha, portanto, função de sujeito). Poderia me explicar?

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( Reforma Ortográfica?): FILHOS PROPAROXÍTONOS

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27/10/2009 - 09h:38

Há fanáticos para todos os gostos. Mas os mais extravagantes, os mais radicais, os mais xiitas são os colecionadores. Há os que colecionam selos, moedas raras, chaveiros, canetas, isqueiros, óculos, calcinhas, revistas de mulher nua e até inocentes borboletas. Conheci um que colecionava fotos de presidentes da República: Getúlio, Juscelino, Jango, Jânio , Médici, Figueiredo...Só do presidente Sarney ele possuía um acervo com 3563 fotos. Como havia bigodes, meu Deus!
Certa época, iniciei-me também na carreira de colecionador. Eu colecionava nomes exóticos de pessoas. Tinha um invejável acervo de nomes esdrúxulos: Um Dois Três de Oliveira Quatro, Japonesa da Silveira, Getúlio Vargas Gaúcho do Brasil, Cáften Randevu Francês, Rúsvel Presidente Americano, Lucky Strike Hollywood, Chiclete Adams de Araújo Tutti Frutti ( tudo registrado em cartório ). Vocês não imaginam como neste Brasil existem pais bêbados e escrivães negligentes!
Um dia, porém, desisti dessa carreira de colecionador ao conhecer o Gracioso Hipotético da Silva. Era um negro enorme, a cara angelical e dentes bonitos que riam à toa. Tinha um braço mais comprido que o outro, razão pela qual andava meio desequilibrado.... Desisti de ser colecionador porque o Gracioso apresentou-me a seu pai. Nesse dia senti-me um joão-ninguém, um colecionador mequetrefe, uma ameba no Clube dos Colecionadores.
O pai do Gracioso Hipotético chamava-se José da Silva: o maior dos fanáticos que conheci, o maior dos colecionadores de nomes esdrúxulos ( talvez pela desdita de ter um nome tão comum). Sua obsessão eram os adjetivos. Andava com um pesado dicionário Aurélio debaixo do braço, escolhia os adjetivos e adorava aprisioná-los na memória e empregá-los no momento em que bem entendesse.
- Como vai o senhor ? – Eu perguntei no primeiro encontro.
- Vulnerável....Meio combalido, hipocondríaco às vezes, mas sempre arguto, solerte, perspicaz.
Ele soletrava com deleite cada adjetivo escolhido. Apontou para um pequeno roçado no quintal de sua casa e exclamou:
- Está vendo que maravilhosas cucurbitáceas!? Que milharal pujante! Que roça opulenta! Que visão deleitosa, solaz!?
Não entendi o que era “cucurbitáceas” porque ele apenas apontava para um monte de abóboras que arrancara do solo.
O homem era mesmo tarado por adjetivos. Cada vez que sua mulher dava um moleque à luz, ele folheava o velho e ensebado Aurélio. Além do filho Gracioso Hipotético, ele tinha o Sincero Veraz, o Humilde Pusilânime, o Néscio ( que todos na rua chamavam de Nélson Bobão ), o Contumaz, o Eloquente... Havia também a filha caçula, a Frígida Lésbica – segundo ele a melhor filha.
- Essa menina é escultural, retinta, ebânea e a que mais trabalha. Não gosta de namorar e vale por dois homens.
Encontrei-o, por acaso, há poucos dias. Continua aquele crioulão cheio de bonomia, forte, apesar do pixaim e da barba já brancos. Estava com o velho Aurélio sob o braço. A seu lado, a mulher exibindo a barriga prenhe. Ele riu de meu espanto, apontou com o dicionário para a enorme barriga da mulher e explicou:
- Estou escolhendo agora só filhos proparoxítonos. São mais belos e bem mais raros...É que estou ficando velho e este dicionário tem adjetivos que não acabam mais.

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RISQUE DE SEU REPERTÓRIO: ERROS GRAMATICAIS, IMPROPRIEDADES VOCABULARES E EXPRESSIONAIS.

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16/10/2009 - 09h:11

1. Tratam-se de > construção sintática errada! !
> Na estrutura VTI + SE + preposição, o sujeito é indeterminado pelo pronome “se”, resultando na flexão verbal obrigatória no singular . O correto é:
Trata-se de questões éticas...
Acredita-se em mudanças ...
Necessita-se de mudanças...
Não se acaba com os crimes praticados por menores somente com a redução da maioridade penal.
2. Notam-se que > estrutura sintática incorreta! A partícula “se” apassiva um sujeito oracional ( iniciado pela conjunção “que”), flexionando o verbo no singular. O correto é:
Nota-se que as questões éticas têm preocupado a sociedade moderna...
Espera-se que os problemas sejam resolvidos...
3. Devem haver > os auxiliares ( modais ou não ) do verbo haver são impessoais, não tendo, pois, flexão plural. Jamais aceite a flexão no plural de qualquer verbo que preceda “haver”! São flexões incorretas as formas verbais: podem haver, estão havendo, deveriam ter havido, têm havido, possam haver, costumam haver, continuam havendo, deverão haver...
Deve haver outros motivos...
O correto é:
As mudanças que está havendo nas economias internas...
Está havendo reuniões secretas no Palácio do Planalto
Tem havido muitas ocorrências
Poderá haver novos conflitos no Oriente Médio...
4. Cujo o > entre o relativo cujo e o termo substantivo seguinte não há a ocorrência do artigo.
O projeto cujo objetivo...
O país cujos problemas...
O bandido cuja identidade...
5. À medida em que > a locução proporcional é à medida que. A inserção da preposição “em” interfere na imutabilidade das locuções.
À medida que o país cresce economicamente...
6. Um certo...Uma certa...> trata-se de pleonasmo vicioso a união dos indefinidos um e certo. Use apenas um deles:
Havia ali certo clima de mistério
Havia ali um clima de mistério
7. Todos problemas > todos (no plural) obriga o emprego do artigo do substantivo que o segue:
Todos os problemas
Todas as vezes
Todos os bens...
Todos os Estados Unidos estão alerta...
8. Todo Brasil > o indefinido todo, toda no singular exige artigo se o substantivo que o segue for nome próprio ( exceto nome que designa cidade ):
Todo o Brasil chorou a morte de Tancredo...
Toda a Europa ressente-se da crise financeira...
Toda a Constituição preocupa-se com a dignidade do cidadão brasileiro...
Obs.: antes de nome de cidade, não use o artigo!
9. Em virtude do acidente que vitimou o prefeito > que virtude há nesse fato? O coerente é:
Em razão do acidente que vitimou o prefeito
Devido ao lamentável acidente que...
10. Afim de > essa é uma construção impossível, uma vez que afim é adjetivo e não formará locução ( prepositiva ou conjuntiva ). Assim, a forma correta será:
A fim de corrigir esses erros...
A fim de que corrijamos esses erros...
Cristina está a fim dele ( construção informal , mas correta)
11. Falar que > o verbo falar é intransitivo, não aceitando complemento (objeto) oracional. O correto é:
Lula disse que o país sobreviverá a essa crise
Lula afirmou que o país vencerá a crise...
Eles disseram que
12. Erário público > pleonasmo vicioso, pois erário é o bem público. Construções corretas:
Querem lesar o erário...
O erário municipal tem sido lesado...
13. Pedir para > o verbo é “bitransitivo” e exige a preposição “a”. Assim, frases como “Pediu para os alunos estudarem”...”Vou pedir para você ficar...”... estão incorretas. O correto é:
Pediu aos alunos que se calassem...
14. Seja o governo ou o cidadão...Sejam empresários, sejam advogados > as locuções alternativas são seja...seja, ou...ou, quer...quer...Não se deve flexionar “seja” no plural. Não se deve, também, misturá-las., e o correto é:
Seja o governo seja o cidadão...
Ou o governo ou o cidadão...
Seja empresários, seja gestores públicos...
15. Entre 2002 a 2005 > nas expressões que designam intervalo de tempo, deve-se usar “entre...e..”. ou “de...a...” O correto é:
Entre 2002 e 2005
De 2002 a 2005
16. Agradecer por > o verbo é bitransitivo, e o motivo do agradecimento é objeto direto. É, pois, incorreta a construção: “Agradeço-lhe por tudo” ou “Agradeço a vocês pelo apoio”. O correto é:
Agradeço-lhe tudo
Agradeço a vocês o apoio
17. Implicar em > regência improcedente. Implicar e Acarretar são diretos. O verbo que pede a preposição em é Resultar. Observe as construções corretas:
A crise econômica global acarretará cortes nos gastos do governo.
A crise econômica global implicará cortes nos gastos do governo.
A crise econômica global resultará em cortes nos gastos do governo.
18. O ex-governador Alberto Silva: não se pode usar o prefixo ex para pessoas que já morreram. O correto é:
O governador Alberto Silva foi sepultado em Parnaíba...
19. Ambos os dois são ótimos > pleonasmo vicioso. Use ambos ou os dois. O correto é:
Ambos são ótimos
Os dois são ótimos
20. Aonde você mora? > a combinação aonde só pode ser usada com verbos cinemáticos ( de movimento: ir, chegar, levar...). O correto é:
Onde você mora? Onde você travbalha?
Aonde você vai? Aonde você quer chegar?
21. Às custas de > essa locução é singular. O correto é:
Ele vive à custa dos pais.
22. Não veio nem tampouco se justificou > pleonasmo vicioso, porque Nem equivale a Tampouco. Use um ou outro. O correto é:
Não veio nem se justificou
Não veio tampouco se justificou
23. Coisíssima nenhuma > só use o sufixo íssimo após adjetivo. Coisa não é adjetivo. São, pois, incorretas construções do tipo: Muitíssimo obrigado...( muito é advérbio)..Mesmíssima coisa... (mesmo é pronome)
24. O curso será ministrado de 8h às 11h > a crase só é possível porque a primeira preposição (de) também é articulada. O correto é:
O curso será ministrado das 8h às 11h
25. Ciclo vicioso > a expressão correta é Círculo vicioso.
26. O homem esquece da importância da natureza > ao usar o verbo esquecer¸ cuide da relação esquecer que ou esquecer-se de que. O correto é:
O homem esquece a importância da natureza
O homem se esquece da importância da natureza
27. O gestor público prefere muito mais as obras de impacto do que as infraestruturais > com o verbo preferir e o adjetivo preferível não empregue agentes de intensidade (mais, menos, mil vezes ) ou comparativos ( que, do que ). O correto é:
O gestor público prefere as obras de impactos às infraestruturais.
São preferíveis obras estruturais às de impacto.
28. Todos os dois > redundância inaceitável. Use Todos ou Os dois...
29. Residente à Rua Riachuelo...Situado à Rua Riachuelo :> erro de regência. Residente, residir, situado são expressões estáticas. – pedem a preposição em. O correto é:
Residente na Rua Riachuelo
Situado na Rua Riachuelo
30. Em vez de aproximar-se, ele distanciava-se dos amigos > nas situações antitéticas ( opostas) use ao invés. O correto é:
Ao invés de aproximar-se, ele distanciava-se dos amigos.
31. Volkswagen, o carro que você confia > a presença do pronome relativo que e a ausência da preposição exigida pelo verbo confiar justificam a preposição (em) antes de que. O correto é:
Volkswagen, o carro em que você confia
A ética é uma prática da qual todos os gestores necessitam.
32. Solicito de V. Exª ...> o verbo bitransitivo solicitar exige a preposição “a” O correto é:
Solicito a V. Ex.ª ...
33. Convido a V. Ex.ª > convidar é verbo transitivo direto. O correto é:
Convido V. Ex.ª
34. Havia ganho...Tinha gasto...Havia entregue...Tinha pego...Havia aceito...> com os verbos abundantes use o particípio regular ( =do ) com auxiliares ativos ( ter, haver ) e particípio irregular ( #do ) com auxiliares passivos ( ser, estar ). O correto é:
A construtora havia ganhado a concorrência
O governo tinha gastado os recursos
A construtora havia entregado as obras fora do prazo
Eles haviam aceitado o acordo.
Mas...
O prêmio foi ganho
Os recursos foram gastos
A obra será entregue
O acordo não foi aceito
35. Enquanto que > não há procedência nessa expressão. A conjunção é enquanto. É, pois, incorreta a frase O país enriquece enquanto que as pessoas empobrecem. O correto é:
O país enriquece enquanto as pessoas empobrecem.
36. Se caso o país distribuísse suas riquezas > pleonasmo intolerável. Use a conjunção se ou a conjunção caso. O correto é:
Caso o país distribuísse suas riquezas...Se o país distribuir suas riquezas
36. A palestra iniciará às 14h > palestra não é agente, portanto não inicia nada! O correto é:
A palestra será iniciada às 14h
37. Mandei-os saírem > com os causativos/sensitivos (fazer, mandar, deixar, ver, ouvir, sentir) seguidos de pronome oblíquo, o infinitivo não se flexiona. O correto é:
Mandei-os sair.
38. O pai pagou o colégio > pagar tem como objeto-credor a relação indireta. O correto é:
O pai pagou ao colégio
Paguei à padaria
Não consegui pagar ao banco
Os brasileiros pagam ao Fisco impostos exorbitantes
39. Houveram vários distúrbios > o verbo haver ( principal ) é impessoal e não toma formas plurais. O correto é:
Houve vários distúrbios
Se provas houvesse...
Pessoas estranhas havia ali naquela casa
40. Na reunião onde foi escolhido o presidente > o pronome relativo onde só pode ser usado quando seu precedente indica local, lugar. E reunião não é local, mas evento. O correto é:
Na reunião em que foi escolhido o presidente
A sede do partido onde houve a reunião na qual se escolheu o presidente...
41. A ética a quem devemos nos sujeitar > o relativo quem só deve ser usado para substituir pessoas. E ética não é pessoa. O correto é:
A ética à qual devemos nos sujeitar
Os gestores públicos a quem a ética deve nortear
42. O governo parece que quer reduzir os gastos públicos > ao empregar o verbo parecer, lembre-se de que a oração seguinte é subjetiva ( sujeito ). Portanto, a construção correta é:
Parece que o governo quer reduzir os gastos públicos.
43. Informo a Vossa Excelência de que / Informo Vossa Excelência que > ambas as construções são incorretas! Use um objeto direto e outro indireto, não importando a posição dos objetos. O correto é:
Informo a Vossa Excelência que
Informo Vossa Excelência de que
44. Hugo Chávez esteve com Lula. O mesmo declarou que...> o pronome mesmo é bastante suscetível de ambiguidade e deve ser evitado nas anáforas substantivas. Assim, são incorretas construções do tipo: O presidente deposto Zelaya está refugiado na embaixada brasileira, que fará tudo para proteger o mesmo...O correto é:
Hugo Chávez esteve com Lula. O presidente venezuelano declarou que
O presidente deposto Zelaya está refugiado na embaixada brasileira, que fará tudo para protegê-lo.
45. As milhares de pessoas presentes > os numerais milhares, milhões e bilhões são do gênero masculino. O correto é:
Os milhares de pessoas presentes
Os milhões de informações armazenados ( ou armazenadas )
46. Havia ali jornalistas, políticos, médicos, etc > observe os erros: a abreviatura etc quer dizer e outras coisas , e a enumeração do exemplos são pessoas. Não se usa vírgula antes de etc. Além disso, o termo deve ter o ponto abreviativo. O correto é:
Havia mesas, cadeiras, garrafas etc.
47. Haja visto o quadro caótico em que...> a expressão é invariável. O correto é:
Haja vista o quadro caótico...
48. Os cd’s e dvd’s que são executados nas rádios e tv’s brasileiras > as siglas com até 3 letras devem ser grafadas em maiúscula. E o sinal do apóstrofo não pode ser usado nesses casos. O correto é:
O dia D....Os raios X.....O ponto G da mulher....A hora H
Os CDs e os DVDs piratas
As TVs brasileiras
As ONGs internacionais
49. Problemas sócio-econômicos...O agro-negócio...> com os elementos grego-latinos (agro, aero, bio, eletro, sócio, mega, macro, micro, nano, orto, quilo, psico, video, tele, ciber, narco etc) geralmente não se emprega o hífen, a não ser antes de h ou com vogal repetida. O correto é:
Problemas socioeconômicos...O agronegócio...Uma megafusão...Agroexportação...Socioambiental
Eletroeletrônicos...Microempresário...Bioterrorismo
Telejornalismo
Mas...
Micro-organismo...Mega-astro...Micro-hélice...Aero-hegemonia
Obs.: segundo o novo e confuso VOLP, não obedece à regra da vogal repetida o elemento tele. Quando agregado a palavras iniciadas por “e” , deve-se suprimir uma das vogais:
Telespectador...Teleducação...Telespetáculo
50. Movimentos que visam a invasão de terras > alguns verbos têm regência imposta pela norma padrão da língua, com exigência da preposição “a”: visar, aspirar, responder, obedecer e assistir ( este último na acepção de ver, presenciar). O correto, portanto, é:
Movimentos que visam à invasão de terras
Eles aspiram ao cargo de presidente
Não responderam ao questionário, mas apenas às duas últimas questões
Deve-se obedecer ao que está previsto em lei
51. O presente processo trata-se de um pedido...> a frase tem sujeito determinado (O presente processo) , o que invalida a presença do pronome “se” ( que indetermina o sujeito ). Assim, o correto é:
O presente processo trata de um pedido...
52. O país não se adéqua às novas regras econômicas > o verbo adequar é defectivo, e todos os defectivos não possuem a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Eis alguns defectivos: adequar-se, precaver, reaver, falir, explodir, banir, colorir, remir, computar etc. Nesses casos, deve-se utilizar uma perífrase ou verbos sinônimos, como:
O país não está se adequando
53. O programa foi assistido por milhões de telespectadores > o verbo assistir no sentido de ver, presenciar não admite passiva ( é indireto ). A expressão foi assistido só é correta no sentido de receber assistência. Verbos transitivos indiretos não produzem voz passiva. Assim, seria incorreto construir: O assunto foi referido ( referir-se a ). O correto é:
O programa foi visto por milhões de telespectadores
O paciente não foi assistido devidamente pelo médico
54. Atribuem-se aos governos nossa miséria../ Atribui-se ao governo nossas mazelas sociais > observe que o verbo deve concordar com o sujeito passivo representado pelo complemento direto. Assim, o correto é:
Atribui-se aos governos nossa miséria
Atribuem-se ao governo nossas mazelas sociais.
55. Ele foi o melhor colocado na competição > observe que melhor é adjetivo, e colocado também é adjetivo. Adjetivo não modifica adjetivo. Logo, deve-se modificar colocado com uma expressão adverbial. Incorreto: As provas da Esaf são melhor elaboradas. O correto é:
Ele foi o mais bem colocado na competição.
As provas da Esaf são mais bem elaboradas.
56. Educação à distância > a locução a distância quando indeterminada não recebe o acento indicativo de crase. O correto é:
Educação a distância
57. A grosso modo, pode-se dizer que evoluímos > grosso modo é advérbio. A expressão não é iniciada pela partícula “a”. O correto é:
Grosso modo, pode-se dizer que evoluímos
58. Há dois anos atrás > pleonasmo intolerável. Use há ou atrás. O correto é:
Há dois anos
Dois anos atrás
59. Crime contra a ecologia > ecologia é abstrato, é a ciência. O correto é:
Crime contra o meio ambiente
60, A proteção dos cidadãos e gerar empregos preocupam o gestor moderno > erro de construção sintática! Há, nesse exemplo, quebra do paralelismo sintático. Nas coordenações deve haver uma estruturação paralela. Observe que o sujeito composto possui 2 núcleos: o primeiro, substantivo (proteção); o segundo, verbo (gerar). Para que se estabeleça o paralelismo, são necessárias as seguintes construções:
A proteção dos cidadãos e a geração de empregos preocupam o gestor moderno.
Proteger os cidadãos e gerar empregos preocupa o gestor moderno.

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Samara - 29.10.2009 - 22:57

Gente, essas observações são fantásticas, o prof. Paulo Roberto clareia uma prova de concursos!!! Adoro esse blog.

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UMA CRÔNICA GRAMATICAL

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28/09/2009 - 11h:36

Levantei-me mal-humorado e uma crase sonolenta (teimosa, humilhante e inconveniente como sempre) arrastou-me à toalete matinal. Encarei o espelho, vi-me como um objeto direto reflexivo e não gostei do meu rosto, aquele objeto indireto amassado e intumescido pela ressaca. Lá no quarto, numa cama quentinha, dormia intransitivamente minha mulher ( sem dúvida o mais belo e perfeito substantivo ): o corpo bonito e macio, os cabelos negros e perfumados, o sono tranquilo e justo, enfim, com todos esses adjuntos adnominais que, inexplicavelmente, os maridos (jumentos insensíveis) ignoram.
Naquele momento, frente ao espelho, eu me odiava porque, na noite anterior, perdera como o mais-que-perfeito dos idiotas tudo o que havia ganhado no mês. Enquanto escovava os dentes, eu escolhia (para mim mesmo) alguns adjetivos – imbecil, dissipador, pródigo, párvulo, inconsequente -, como também alguns substantivos epicenos – anta, jegue, socó, ameba -, mas tudo aquilo não passava de um demonstrativo neutro, pois meus remorsos pediam um castigo maior, uma autoflagelação islâmica.
Meu caráter deficiente, defectivo não conseguia reaver minha autoestima. E o pior, eu não tivera coragem de contar tudo à minha mulher – a mulher é o nosso complemento nominal¸ mas eu tivera medo da verdade, da realidade!
Comecei, então, a repassar o que ocorrera na noite anterior.
Bem, à noite – essa locução feminina tão romântica, mas tão traiçoeira – o Osmar, um velho amigo, convidou-me para uma cervejinha. No bar, ele apresentou-me uma linda mulher, com predicativos fantásticos: era bonita, inteligente e sensual. Fomos para um boliche, embora ( sem concessões ) eu odeie boliche e apostas. A mulher, contudo, era irresistível, tinha o poder da sedução, do amor, do amar – esse verbo transitivo direto. Era isso que ela era: sem rodeios, sem preposições – objetiva e direta!
Eu disse que não gostava de boliche e apostas. Ela fez beicinho, arrebitou o narizinho...e convenceu-me. E toda vez que me negava a apostar, havia a interferência do impessoal Osmar: ele era assim, não concordava com ninguém. E como haveria de concordar se seu próprio nome era um erro de concordância? Por que Osmar, e não Os Mares?
Via-se, como um sujeito passivo que eu sempre fui, que a mulher dominara-me completamente. A cada aposta, meu suado dinheiro era transferido para a sua bolsa.
Agora, às 7 da manhã, aqui neste banheiro, estou acuado: chove lá fora, mas meus credores são inflexíveis como os verbos impessoais e me esperam. Sem dinheiro e cheio de credores, eu estou indeciso, sem poder determinar o que farei. Dizem por aí que sou um sujeito indeterminado, indeciso.
Como disse no início desta narrativa, sou um ser deficiente, defectivo: nunca me precavi. Perdi tudo, tudo mesmo! Fui a bancarota, fui a falência – perdi até as crases...

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Samara - 09.11.2009 - 01:28

Prof. o prefixo ex deve ser evitado só no caso de políticos que já morreram? exemplo: ex-governador?

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AS FUNÇÕES DO “QUE”

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23/09/2009 - 12h:09

Alguns visitantes demonstraram dúvidas sobre as funções ( sintáticas ) do QUE relativo. Essa tem sido uma abordagem com razoável constância do Cespe, da Esaf e da Funrio.

Como determinar a função do que (relativo)?
a) Isole o “que” entre duas barras:
Foi o demerol, analgésico potente, /que/ levou Michael Jackson à morte
b) Transporte o termo anterior ao “que” para a oração após as barras:
...o demerol levou Michael Jackson à morte.
c) Analise a função do termo transportado (demerol) > sujeito
Função do que: sujeito

Outras (análises) funções do que:
2. Michael Jackson foi um ídolo /que/ o mundo jamais esquecerá
...o mundo jamais esquecerá o ídolo Michael Jackson
............................................objeto direto

Função do que: objeto direto

3. Jackson tinha um estilo extravagante de /que/ os críticos não gostavam
...os críticos não gostavam do estilo extravagante de Jackson
................................................objeto indireto

Função do que: objeto indireto

4. O terrível inimigo é a fama, de /que/ todos os mega-astros têm medo
...os mega-astros têm medo da fama...
compl. nominal

Função do que: complemento nominal

5. A mansão em /que/ Michael Jackson morava era alugada
...Michael Jackon morava na mansão...
ad. adverbial

Função do que: adjunto adverbial (lugar)

6. Havia algo muito mais humano por trás do esquizofrênico que Michael Jackson parecia ser
...Michael Jackson parecia ser esquizofrênico.
........................................................predicativo

Função do que: predicativo

____________________________________________________________
Obs.: como conjunção integrante, o que não exerce função sintática ( e se posicionará quase sempre após verbo ou após substantivo abstrato).

O mundo sempre gostou de fingir que não idolatra Jackson, mas todos sabem que ele inventou a música pop e que revolucionou a arte da dança. É fácil aceitar a ideia de que o cantor era um lunático, maníaco ou doente. Mas tenho a convicção de que ele foi um dos maiores gênios que a arte produziu em todos os tempos.

Observe que, nos exemplos acima, o que não exerce função sintática. Morfologicamente é conjunção integrante ( está posicionado após verbos: fingir, sabem....e após substantivos abstratos: ideia e convicção.

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Josyeldo - 26.09.2009 - 11:02

Meu nome é Josyeldo Gomes de Alencar, Sou Psicólogo e tenho muito interesse em aprender o português de uma vez por todas. Tenho ótimas referências suas, tentei procurar cursos do senhor voltado ao português, mas me deparei com algo que considero chocante. Não encontrei cursinho de português voltado apenas para o português, ou seja, quem quiser aprender português tem que pagar um desses pacotes que vemos nesses cursinhos do piauí. O português total não existe mais? Fiz uma intensa pesquisa com amigos, jornais e não encontrei cursos voltados apenas ao português. Devido a essa reforma ortográfica seria interessante voltar ao velho e eficiente método de português. Bom queria do senhor apenas uma ajuda nesse sentido, o que você me indicaria, pois pretendo fazer concursos. Estudar português em forma de pacotes é a melhor maneira atualmente? A organização do ensino no Piauí tomou rumos de produção em massa. Você pode me indicar alguns lugares onde posso encontrar cursos voltados ao português? De preferência com o senhor. Um abraço e muito obrigado. Att. Josyeldo Alencar 86) 8802.6871

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