Prof. Paulo Roberto

REFORMA ORTOGRÁFICA: O FUNERAL DO SENHOR TREMA

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11/09/2009 - 08h:47

Não sei se foi por razões políticas (ou perseguição ideológica), o certo é que no fatídico dia 29 de setembro de 2008 o presidente Lula promulgou o Decreto 6583, que, entre outras disposições, condenou o Senhor Trema à pena de morte, à execução sumária, sem direito a julgamento. A execução aconteceu no dia 31 de dezembro. O carrasco foi o próprio ministro da Educação, que puxou a alavanca da guilhotina, decepando impiedosamente a cabeça do tímido Senhor Trema.
Convidado pela família, eu fui ao velório. Lá fora os foguetes espocavam: o povo, alheio à dor da família do Senhor Trema, brindava o Novo Ano de 2009 nas ruas, nos clubes e nas churrascarias. Ali dentro reinava a tristeza: um caixão com o corpo do tímido Senhor Trema, sem a cabeça ( que estava exposta ao público no Palácio do Planalto ). Os familiares apresentaram-me Dona Cedilha, a inconsolável viúva. Um primo do defunto, o Acento Agudo, chamou-me a um canto e apresentou-me seus dois irmãos: o Circunflexo, um senhor meio corcunda, envergado pela velhice, e o Til, um sujeitinho de fala nasalada, olhares falsos e andar rastejante feito uma cobra. O Acento Grave, um senhor de porte ereto, pescoço inclinado para trás, como se olhasse para o teto invocando aos Céus uma explicação pela morte do querido amigo, olhou-me e, com voz muito grossa e baixa, apresentou-se:
- Sou o senhor Acento Grave, primo do falecido.
- Prazer – eu disse. – Como vai sua esposa, a Senhora Crase?
- Meio assustada, ainda. Felizmente não fomos atingidos por esse Decreto.

Para puxar assunto, eu observei:
- Estou notando a ausência do Senhor Hífen...
Com a voz mais cavernosa ainda, o Acento Grave confidenciou-me:
- Está preso. Inventaram um monte de irregularidades que ele jamais praticou, grampearam seus telefones. Sua família caiu em desgraça com o Decreto. Está sob custódia e não se sabe ainda seu destino, coitado!
Um sujeitinho maltrapilho entrou aos choros. Era o Senhor Apóstrofo, o primo mais pobre da dinastia, ladeado dos poucos e minguados filhos sobreviventes dos decretos (que desgraçaram sua família) em 1911, 43 e 71: a Galinha-d’angola, o Olho-d’agua, o Pau-d’arco, a Estrela-d’alva e o sempre bêbado Pau-d’água.
O salão do velório era enorme, mas quase já não cabia tanta gente. Ao lado do caixão do tímido e falecido Senhor Trema, começaram a enfileirar seus angustiados filhos, dezenas deles: a pontual Freqüência, a assanhada Lingüiça, o destrambelhado Inconseqüente, o sempre elegante Pingüim ( trajando um impecável smoking ), a temida Conseqüência, o coronel Nicaragüense (revolucionário bolivariano que veio num jato emprestado pelo amigo vizinho Hugo Chávez ), os gêmeos Qüinqüênios, a sempre falante e tagarela Eloqüência, a curiosa e enxerida Argüição e o Seqüestrador ( foragido da Justiça e ovelha-negra da família ). A tagarela Eloqüência murmurou em meus ouvidos que um parente afastado, um tal de Senhor Müller ( um alemão neonazista ) traíra o Senhor Trema e, por isso, escapara do Decreto 6583.
Por fim, com seus passinhos miúdos, arrastava-se em volta do caixão o sempre devagar Senhor Tranqüilo...
Pobres órfãos!

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NOTA DE ESCLARECIMENTO

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01/09/2009 - 07h:55

Durante 30 dias ficamos impossibilitados de novas postagens de comentários e respostas aos visitantes deste blog por motivos pessoais. A partir de agora, voltaremos às postagens normais e ao atendimento aos nossos leitores e suas dúvidas.


Professor Paulo Roberto

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Adriana Almeida - 16.10.2009 - 13:27

Boa tarde, Professor sou o tipo de aluna que tem vergonha de perguntar em sala de aula...por isso estou tirando minhas dúvidas aqui...quem sabe um dia eu perca essa vergonha! Já fiz teoria com o senhor, e agora faço questões, mas como era muito crua continuei ainda com muitas dúvidas...e a primeira que mais me incomoda é em questões sobre "tempos e modos verbais". Me ajude por favor! Só sairei do CPR quando estiver fechando a sua máteria nas provas de concursos. Tenho paciência e tirarei minhas dúvidas com calma. Quem sabe um dia em sala de aula. Obrigada.

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SUJEITO INDETERMINADO ( Cespe e Esaf )

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10/08/2009 - 09h:08

Lúcia acessa este blog e nos pede que comentemos sobre o sujeito indeterminado (que é constantemente cobrado nas provas do Cespe e da Esaf).
Antes, é preciso observar que indeterminamos o sujeito sob as seguintes orientações:

1. A intenção:
a) não sabemos quem é o sujeito:
Roubaram meu celular.

b) sabemos, mas queremos preservar o anonimato:
Precisa-se de dois seguranças
Procura-se por uma noiva

c) sabemos, mas a figura do autor(sujeito) é irrelevante:
Mataram o John Lennon...
Jogaram sapatos na cara de Bush


2. A construção morfossintática:
a) verbo transitivo direto na 3ª pessoa do plural:
Tentaram matar o Papa
Andam dizendo absurdos sobre aquele rapaz
Mudaram as regras ortográficas
Assaltaram a padaria da esquina
Criaram um novo imposto
Dizem que, no fundo, Lula sonha com o 3º mandato.


b) verbo transitivo indireto ( 3ª do singular ) + SE:
Precisa-se de duas babás
Não se acredita em promessas de político
Trata-se de questões éticas
Não se acaba com a delinquência do menor reduzindo a maioridade penal
Fala-se de uma mudança no Senado
Lucra-se com as guerras...Lucrar-se-ia muito mais com a paz


c) verbo intransitivo ( ou “intransitivado”) + SE:
Vive-se intranquilo em tempos de crise
Come-se pessimamente neste restaurante
Mata-se à toa no Oriente Médio
Bebe-se muito no carnaval


____________________________________________________________
Obs.: às vezes, o verbo direto na 3ª do plural não indetermina o sujeito quando ele já estiver identificado.
Exemplo:
Assaltaram a padaria da esquina. Segundo a polícia, um homem e uma mulher invadiram o estabelecimento por volta da meia-noite. Levaram todos os pães.
> O sujeito de “Assaltaram” é indeterminado; mas o sujeito de “Levaram” é “Eles”(elíptico), pois já está identificado pelo texto.

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JOAO - 02.10.2009 - 08:52

Caro professor, Li num texto: "Eles ficaram a ponto de jogá-los fora da comunidade cristã e afastá-los da salvação." Os verbos jogar e afastar não deveriam ficar no infinitivo? A preposição "de" não deveria impor esta regra? João Aluno do curso Português total 2008. Por favor não deixe de me responder, nem que seja diretamente para meu e-mail, caso não queira publicar no site. E-mail: joaoofs@ig.com.br

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REFORMA ORTOGRÁFICA: UMA VELHA PROSTITUTA SOB LUZ DE NEÓN

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04/08/2009 - 11h:06

Confesso que não gostaria de tocar novamente no assunto, a Reforma Ortográfica, mas sempre um visitante deste blog instiga-me a fazê-lo. Falar da nova norma ortográfica é como bater com a canela na quina de uma mesa: não se sabe qual é mais intensa, a dor ou a palavra de baixo calão que nos vem à boca.
Faremos, neste comentário, algo diferente. Eu me entrevistarei.
1.
Blog: - A reforma racionalizou a acentuação gráfica, ou seja, diminuiu o número de vocábulos acentuados?
Eu: - Não. Nós temos um léxico com 300 mil palavras ( incluindo-se os regionalismos, estrangeirismos aportuguesados e neologismos ) e somente 600 palavras (aproximadamente) perderam o diacrítico: acento agudo, circunflexo ou trema. Se levarmos em consideração que os milhares de verbos regulares da 1ª e 2ª conjugação, na 1ª pessoa do plural do pretérito perfeito ( como Ontem nós vendemos a casa ou Ontem nós vendémos a casa ) poderão ser acentuados após o novo Acordo, torna-se fácil concluir: aumentou o número de palavras acentuadas! Isso sem contar que milhares de outras palavras com consoante nasal, como Antônia ou lâmina, poderão ter o acento circunflexo trocado pelo agudo: Antónia ou lámina.
2.
Blog: - A reforma unificou efetivamente as grafias correntes no Brasil, Portugal, Angola etc.?
Eu: - Não. Portugal continuará escrevendo ( e pronunciando ) “sector” em vez de “setor”, por exemplo. Um fato aqui é facto lá; uma roupa(vestuário) aqui é fato lá. Se você cair de paraquedas ( agora sem hífen e sem acento ) no centro de Lisboa e perguntar aos patrícios transeuntes “o que acharam da Reforma?”, eles vão retorcer os bigodes e resmungar “ora, pois, esse ‘brasilairo’ está maluco. Que reforma???”
3.
Blog: - O que há, ou houve, de errado com a Reforma?
Eu: - Foi entregue a pessoas erradas. Seu mentor, Evanildo Bechara, é um filólogo, não é um especialista no assunto. Por que não a entregaram a foneticistas ou a lexicógrafos? Houve muita vaidade, egos massageados. O Bechara e os Imortais ficaram alguns meses frente aos holofotes da fama. Muitas vaidades em jogo e nenhuma responsabilidade com o povo brasileiro, com o falante da língua no Brasil.

4.
Blog: - Só isso?
Eu: - Há mais...e muito pior! Delegou-se à Academia Brasileira de Letras a publicação do novo VOLP, que iria dirimir quaisquer dúvidas. Contrariando todas as expectativas, o novo VOLP trouxe inúmeras dúvidas. Desobedecendo ao que prescreve o Decreto 6583, o Vocabulário registra côa (acentuado); o prefixo sub antes de H com e sem hífen ( sub-humano e subumano, por exemplo); o prefixo co sem hífen antes de H ( coerdeiro, por exemplo) – além de inúmeras incoerências em relação ao uso do hífen em palavras compostas. Eu poderia citar mais de 100 incoerências!
5.
Blog: - O que dizem os professores de Língua Portuguesa?
Eu: - Alguns aplaudem (inconsequentemente) a Reforma. Alguns a criticam. Haverá sempre a esquerda e a direita. Mas que ninguém se engane: essa Reforma não convence nem mesmo o último ingênuo da face da Terra.
6.
Blog: - Como ficam os candidatos nos concursos públicos?
Eu: - A bagunça ( da Reforma ) é tão generalizada, que nenhuma instituição ( Cespe, Esaf, Carlos Chagas etc. ) tem tido coragem de “cobrar” a Reforma nos concursos. Este é o consolo: as executoras de concursos públicos demonstram possuir juízo.
7.
Blog: - Como você definiria esta Reforma?
Eu: - Como uma velha prostituta, arrumando-se para mais uma noite de batalha. Muito pó compacto sobre as profundas rugas, batom vermelho, perfume barato...e a certeza de que só enganará a quem quiser ser enganado.

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Layana - 04.09.2009 - 17:47

prof. Paulo gostaria somente de saber.. qual é mesmo a regra que a palavra piauí entra? o senhor já havia explicado, mas esqueci e não sei bem como passar para os meus alunos.. Obg.

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REDAÇÃO OFICIAL (1) – PRONOME DE TRATAMENTO FORMAL

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27/07/2009 - 19h:29

Lúcia acessa este blog, preocupada com a prova do TRE do Piauí que será aplicada no próximo domingo (pela Carlos Chagas), mais precisamente com Redação Oficial e os pronomes “de tratamento formal”.

VOSSA EXCELÊNCIA ( V. Ex.ª )
Empregado para autoridades :
a) do Poder Executivo:
Presidente da República ( e vice )
Governadores ( e vice )
Prefeitos ( e vice )
Ministros
Secretários estaduais
Oficiais-generais das Forças Armadas ( general, brigadeiro, almirante )


b) do Poder Legislativo:
Senadores
Deputados federais
Deputados estaduais
Presidente das câmaras municipais
Ministros dos Tribunais de Conta da União e dos Estados


c) do Poder Judiciário:
Ministros do Supremo Tribunal
Ministros do Superior Tribunal
Presidentes dos Tribunais ( federais e estaduais )
Auditores da Justiça Militar
Juízes
Conselheiros dos Tribunais de Conta


d) das Relações Exteriores:
Embaixadores
Cônsules


VOSSA REVERENDÍSSIMA ( V. Revm.ª )
Padres, pastores, cônegos

VOSSA EXCELÊNCIA REVERENDÍSSIMA ( V. Exª Revm.ª )
Bispos, arcebispos

VOSSA SANTIDADE ( V. S. )
Papa
Dalai-Lama
( qualquer chefe supremo de seitas religiosas espirituais ou filosóficas )

VOSSA MAJESTADE ( V. M. )
Reis, rainhas

VOSSA MAJESTADE IMPERIAL ( V. M. I. )
Imperadores

VOSSA ALTEZA ( V. A. )
Príncipes, princesas
Duques, arquiduques

VOSSA MAGNIFICÊNCIA ( V. Mag.ª )
Reitores, reitoras ( universidade )

VOSSA SENHORIA ( V. Sª )
Qualquer destinatário ( autoridade ou não ) não mencionado acima.

Obs 1..: os vereadores (exceto o presidente da Câmara) não se incluem nos destinatários que recebem o pronome Vossa Excelência ( conforme o Manual de Redação da Presidência da República ), o que constitui uma incoerência.
Obs. 2. : os pronomes de tratamento formal podem ser abreviados, exceto quando o destinatário for o presidente da República.
Obs.: 3.a.: no vocativo epistolar ( aquele que o signatário usa no início de um ofício, memorando, circular etc. ) deve constar apenas o nome Senhor ou Senhora seguido do nome do cargo:
Senhor Governador,
Senhor Prefeito,
Senhor Senador,
Senhora Ministra
Senhor Diretor
Senhor Chefe...

Obs. 3.b.: caso o destinatário ocupe um cargo de presidência ( nos casos do tratamento Vossa Excelência ), o vocativo epistolar será:
Excelentíssimo Senhor Presidente
( para o presidente da República, presidente do Senado, presidente da Câmara dos Deputados, presidente das Assembleias Legislativas, presidente do Supremo, presidente dos Tribunais etc. )

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VOZ ATIVA X VOZ PASSIVA: TRASPOSIÇÃO DA ATIVA REDUZIDA – UMA QUESTÃO DA CARLOS CHAGAS

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22/07/2009 - 09h:29

Nydia Nascimento acessa este blog e expõe sua dúvida a respeito de uma questão da Carlos Chagas (TRT 24ª Região ) sobre vozes do verbo: transposição da ativa para a passiva.
A Carlos Chagas propõe a transposição ( ativa > passiva ) da frase: “Qual livro gostaria de levar para uma ilha deserta?”
Observe, Nydia, que a frase ativa está reduzida ( infinitivo ). Em tal caso, você deve, primeiro, desenvolver a frase ativa.
Qual livro você gostaria de levar para uma ilha deserta?
>Qual livro você gostaria que (você) levasse para uma ilha deserta?
( Voz ativa )
Obs.: o futuro do pretérito (gostaria) articula o imperfeito do subjuntivo (levasse).
Só então você transporia para a passiva:
Qual livro você gostaria que fosse levado para uma ilha deserta? ( Voz passiva )

Observe que o segredo é não tentar transforma uma oração reduzida, ou seja, não tentar a transposição sem desenvolver a frase ativa!

Outros exemplos:
Enviamos este documento ao juiz a fim de demonstrarmos os fatos ( infinitivo )
..........a fim de que demonstremos os fatos (desenvolvida)
Voz passiva> ...a fim de que os fatos sejam demonstrados

Você não quer, mas é necessário assinar este acordo
...é necessário que você assine este acordo

Voz passiva > ...é necessário que este acordo seja assinado...

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Lucinha - 27.07.2009 - 09:32

Bom dia professor, estamos aqui no curso nos preparando para a prova do próximo domingo (TRE Piauí ) e estou com muitas dúvidas sobre Redação Oficial ( principalmente sobre os pronomes de tratamento que a Carlos Chagas está sempre cobrando ). Por favor, faça um comentário sobre isso. abraços , Lucinha.

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CORRELAÇÃO ( ARTICULAÇÃO) DE TEMPOS E MODOS VERBAIS: UMA QUESTÃO DA CARLOS CHAGAS

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15/07/2009 - 17h:30

Oração principal ............> conector >...............oração subordinada

Futuro do pretérito ( ria...) > final / condicional> imperfeito do subjuntivo ( sse )

Presente ou futuro indicativo > para que > presente do subjuntivo (ar>e, er,ir>a)

Qualquer pretérito > para que > imperfeito do subjuntivo

Presente ou futuro indicativo > embora etc* >presente do subjuntivo

Qualquer pretérito > embora etc* > imperfeito do subjuntivo (sse)

Qualquer tempo ou modo > apesar de etc > infinitivo

Qualquer tempo ou modo > mesmo > gerúndio

Expressão predicativa** > que > presente do subjuntivo

Verbos volitivos***(presente) > que > presente do subjuntivo

Volitivos ( qualquer pretérito ) > que > imperfeito do subjuntivo

Verbos no futuro do pres. > se > futuro do subjuntivo

Verbos no fut. do pretérito > se > imperfeito do subjuntivo

Atenção!
(*) > A conjunção embora é concessiva e pode, sempre, ser substituída – com o mesmo sentido e com a mesma articulação – pelos conectores: ainda que, se bem que, posto que, conquanto.
>O conector apesar de projeta o verbo no infinitivo, assim como não obstante, a despeito de.
>O conector mesmo articula o verbo da subordinada no gerúndio.
(**)> A expressão predicativa, que exige a articulação no pres. do subjuntivo, ocorre com o verbo ser ou com os transobjetivos fazer-se ou tornar-se seguidos de adjetivo, como em: é importante que, é imprescindível que, faz-se necessário que, torna-se necessário que, é bom que...
(***) >Volitivos são verbos que expressam vontade, desejo, ordem, expectativa : desejar, querer, urgir, ordenar que, exigir que, esperar que, ter (esperança) de que, implorar que, pedir que...

Observação: os verbos haver e fazer, quando indicam tempo transcorrido, obedecem à articulação do verbo da outra oração:
Exemplos>:

dez anos que o Brasil não realiza um encontro com países da América Central.
Mas...
Havia dez anos que o Brasil não realizava um encontro com países da América Central.
Fez cinco semanas que Ana completou quinze anos.
Fazia um tempão que ela não me telefonava.
Faz oito meses que não vejo Márcia.

Como se vê, o verbo haver, nesses casos, não se flexiona no pretérito perfeito, diferente do verbo fazer.

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O GERUNDISMO ( TAMBÉM CONHECIDO COMO ENDORRÉIA ) – VÍCIOS DA LÍNGUA (1)

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07/07/2009 - 23h:37

Usar o gerúndio não é pecado. Essa forma nominal do verbo é usada para indicar uma ação (presente/passado/futuro) contínua e progressiva.
Os meninos brincavam e eu ficava observando tudo.
Os meninos brincam e eu fico observando tudo.
Os meninos brincarão e eu ficarei observando tudo.

Entretanto, começamos a abusar. Importado da linguagem do tele marketing norte-americano, o gosto pelo gerúndio espalhou-se pelo Brasil e tornou-se uma praga. E as telefonistas “aprenderam” a dizer:
- Vou estar passando sua ligação.
Ou:
- Vamos ficar aguardando sua resposta.
Ou:
- Nossas vendedoras vão continuar atendendo no mesmo endereço.
Algum tempo depois, os funcionários públicos gostaram da “moda” e passaram a dizer:
- Vamos estar providenciando em breve a mudança solicitada pelo Senhor.
O problema é que essa linguagem, além de estranha (soa como um americanismo idiota) e incorreta, passou também a indicar “enrolação”. A ponto de um governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, decretar a abolição do gerúndio no serviço público de Brasília!

“Decreto 28.314 de 28-09-2007
Demite o Gerúndio do Distrito Federal e dá outras providências.
O Governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1º - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal...”


Pobre do Gerúndio! Bode expiatório, culpado pelo mau atendimento dos funcionários públicos do Distrito Federal!

Quão estranho e esquisito me pareceu esse ato do governador! Coisa mais extravagante que isso, nem mesmo o grande, saudoso e eterno ídolo Michael Jackson!

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Monica - 09.12.2009 - 13:55

Professor gostaria que o senhor indicasse uma gramática que eu pudesse compra para estudar para concurso....

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PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS - UMA BRASILEIRA NA ÁUSTRIA VISITA NOSSO BLOG

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01/07/2009 - 11h:56

Paulo Roberto
Tânia Ludwig acessa este blog com uma dúvida. Ela mora na Áustria, tenta trocar seu português com o alemão de uma amiga austríaca, mas se sentiu frustrada após o seguinte diálogo ( traduzido em português ):
- Eu amo vocês – disse Tânia.
- Por que você não diz “eu voz amo”? – perguntou-lhe a austríaca.

Tânia, você deve ter dito “Ich liebe du”. O pronome du é objeto direto, usado popularmente, coloquialmente e no singular. Não posso me arriscar, pois essa não é minha área, mas pelo pouco que conheço das correlações existentes nessas duas línguas -português e alemão-, para dizer “Eu amo vocês”, o melhor seria usar o nosso “vos”:
- Ich liebe sie...
O pronome sie é bastante formal, por isso evitado pelos alemães nos diálogos informais.
Ou...
- Ich liebe euch.
No Brasil, como se sabe, praticamente não usamos o pronome na 2ª do plural – nominativo, vós e acusativo, vos. Por isso, preferimos as formas acusativas “vocês”, “os, as” ou o dativo “lhes”.
A propósito, aproveitarei este comentário para falar sobre nossos pronomes pessoais oblíquos ( acusativos e dativos ) na próxima postagem.

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Francisca Braga - 20.01.2010 - 15:51

Professor, não consigo compreender como se faz a correlação/articulação dos tempos e modos verbais entre os verbos de um período. O senhor pode dar alguma dica que facilite essa compreensão?

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AS FUNÇÕES DO “QUE”

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29/06/2009 - 22h:02

paulo
Alguns visitantes demonstraram dúvidas sobre as funções ( sintáticas ) do QUE relativo. Essa tem sido uma abordagem com razoável constância nas provas do Cespe e nas da Esaf.

Como determinar a função do que (relativo)?
a) Isole o “que” entre duas barras:
Foi o demerol, analgésico potente, /que/ levou Michael Jackson à morte
b) Transporte o termo anterior ao “que” para a oração após as barras:
...o demerol levou Michael Jackson à morte.
c) Analise a função do termo transportado (demerol) > sujeito
Função do que: sujeito

Outras (análises) funções do que:
2. Michael Jackson foi um ídolo /que/ o mundo jamais esquecerá
...o mundo jamais esquecerá o ídolo Michael Jackson
............................................objeto direto

Função do que: objeto direto

3. Jackson tinha um estilo extravagante de /que/ os críticos não gostavam
...os críticos não gostavam do estilo extravagante de Jackson
................................................objeto indireto

Função doque: objeto indireto

4. O terrível inimigo é a fama, de /que/ todos os mega-astros têm medo
...os mega-astros têm medo da fama...
compl. nominal

Função do que: complemento nominal

5. A mansão em /que/ Michael Jackson morava era alugada
...Michael Jackon morava na mansão...
ad. adverbial

Função do que: adjunto adverbial (lugar)
____________________________________________________________
Obs.: como conjunção integrante, o que não exerce função sintática.

O mundo sempre gostou de fingir que não idolatra Jackson, mas todos sabem que ele inventou a música pop e que revolucionou a arte da dança.

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JOAO RIBEIRO - 02.07.2009 - 09:45

Boa dia! Gostaria que o senhor me ajudasse a entender como devo fazer o uso corrento das partículas "DE" e "DA". Por exemplo: -Senhor fazei de mim um instrumento DE vossa Paz. OU -Senhor fazei de mim um instrumento DA vossa Paz. Tenho enormes dificuldades na hora de construir frases com elas. Cordialmente, João Ribeiro Aluno Português Total/2008

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