Prof. Paulo Roberto

METODOLOGIA DA ESAF ( e outros comentários )

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30/03/2009 - 09h:06

Utilizarei os comentários de hoje para responder a algumas dúvidas de nossos visitantes.
1. Sandra, de Lisboa, Portugal, tem a seguinte dúvida:
Na frase ..(.para) o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado ou foram destinados?
A forma verbal passiva dessa frase necessita de um sujeito. Torna-se necessário, então, completá-la, pois o termo composto “desenvolvimento de pesquisas e processos de produção” não pode ser sujeito porque está preposicionado (para).
Posso sugerir:
para o desenvolvimento de pesquisas e processos de produção...foi destinado um milhão de reais...ou foram destinados 500 mil reais...ou foi destinada uma considerável soma de recursos...ou foi destinado meio milhão de reais...etc.

2. Fábio Batista, de Teresina, pede-me alguns comentários sobre a metodologia da Esaf.
a) a Esaf gramaticaliza bastante suas provas: 80 a 90% das questões são análises gramaticais puras. Essa instituição preocupa-se muito com o emprego de preposição ( regência e justificativa de crase ), propriedades vocabulares ( expressões paronímicas, como em vez x ao invés, porque x por que x por quê, ao encontro de x de encontro , acerca de x cerca de x há cerca de x a cerca de etc.), articulação de modos verbais e questões (mais raras) de concordância verbo-nominal.
b) a Esaf não trabalha com um só texto (base). Diferente da Carlos Chagas, por exemplo, a Esaf prefere “um texto pequeno para cada questão!”.
c) nas questões não gramaticalizadas , a Esaf focaliza bastante a organização ( ordenamento ) do texto e a sequência lógica e coerente. No caso de organização e ordenamento, ela corta um texto médio em vários parágrafos, desordena-os e pede ao candidato que os ordene de forma coesa e coerente. Essa questão é típica da Esaf e o candidato deve procurar um professor que o oriente, pois há uma técnica ( até simples ) para isso.

3. José Antônio, de Campos(RJ), tem dúvida semelhante à de Sandra (Portugal).


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Fábio Batista - 28.05.2009 - 09:04

Estimado Professor, Gostaria que o Sr. comentasse a prova do MF elaborada pela ESAF. Qual o nível da prova e se foi bem elaborada? Abraço, Fábio Batista

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TAINARA DE OLIVEIRA: O BRILHO DA INTELIGÊNCIA NOS LINDOS OLHOS DE UMA MENINA PIAUIENSE

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19/03/2009 - 22h:02

Deve-se gostar do programa Soletrando, louva-se sua missão de unir o entretenimento e a educação, é inquestionável a superioridade desse programa comparado à programação da TV brasileira.
No último sábado, 14, assisti ao embate dos desafiantes. E uma menina linda, 12 ou 13 anos, de Monsenhor Hipólito, mostrou ao Brasil a qualidade da educação no Piauí.
Achei injusta sua eliminação ( causada por erro de pronúncia de Luciano Huck), mas Tainara deu um show para todo o país. Injusta porque, enquanto o meninão Bruno, 15 anos, do Rio de Janeiro, soletrou uma palavra fácil – harmonizar -, Tainara teve como desafio uma palavra com bastante grau de dificuldade: parapsicologia. Não é fácil para qualquer concorrente, muito menos para uma menina de 13 anos, diante das câmeras da TV para todo o Brasil, dizer p-a/r-a-p/s-i/c-o/l-o/g-i/a. Tainara o fez com toda a graça, correção e brilhantismo.
A injustiça aconteceu na palavra seguinte; helvético. Um nome quase desconhecido para a maioria dos brasileiros, é um adjetivo que etimologicamente refere-se à Suíça (Helvécia ou Helvetia). Tainara começou bem, usou o agá etimológico, mas usou a vogal “U” em vez da consoante “L” e soletrou assim: heuvético.
Mas o pior ( e talvez o público brasileiro não tenha notado ) foi o erro de pronúncia do excelente apresentador Luciano Huck. Ele pronunciou a primeira sílaba, “hel” com a vogal fechada ( hêl ), como em deusa (dêu), e disse / hêuvético /. A pronúncia correta é / hélvético /, como em delta ( délta ). Nesse momento, deveria ter havido a intervenção do professor Sérgio Nogueira ( com a pronúncia correta)! Eu notei o brilho sagaz de toda a inteligência e perspicácia nos lindos olhos da menina Tainara. E senti que, se o Luciano Huck tivesse observado a pronúncia correta, Tainara, mesmo não conhecendo a palavra ( o Huck e a Sandy não conheciam ), jamais teria trocado a consoante “L” pela vogal “U”.
De qualquer forma, você foi brilhante, menina Tainara de Oliveira, e os piauienses devem sentir-se orgulhosos por você!

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Obs.: no mesmo programa, pediram ao desafiante Bruno que soletrasse abscesso. Ele o fez corretamente, mas o professor Sérgio Nogueira, que assessora o programa do Huck, deixou de comentar que esta palavra tem outra forma gráfica ( forma variante), que é abcesso. Ambas as formas são corretas.
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Ericelma - 25.11.2009 - 09:24

Agora ela terá uma nova chance..e dessa vez vai p final. boa sorte tainara

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REFORMA ORTOGRÁFICA: TODAS AS VÍTIMAS

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19/03/2009 - 10h:02

Já publicaram centenas de artigos e quadros sinóticos sobre o efeito do Decreto 6583 que regula a Nova Norma Ortográfica. Uma aluna, há alguns dias, acessou este blog e pediu-me que fizesse uma lista das palavras atingidas pela Reforma. Tentarei fazer isso, mesmo que na lista faltem algumas palavras pouco usadas.

OS DITONGOS ABERTOS ÓI , ÉI ( quando não estão no final da palavra ):
Eram assim:
Andréia(*), apnéia, assembléia, azaléia, alcatéia, Basiléia, Coréia, boléia, colméia, centopéia, diarréia, diarréico, dispnéia, epopéia, esfenóide, estréia, européia, geléia, idéia, odisséia, onomatopéia, platéia, prosopopéia, panacéia, ribonucléico tireóide, traquéia, seborréia, verborréia, alcalóide, andróide, apóia, apóio, apóiam, apóie, apóiem, asteróide, bóia, bóio, bóiam, corticóide, estóico, debilóide(**),heróico, jibóia, jóia, paranóia, sequóia, paranóico, tramóia, Tróia.
Ficaram assim:
Andreia(*), apneia, assembleia, azaleia, alcateia, Basileia, Coreia, boleia, colmeia, centopeia, diarreia, diarreico, epopeia, esfenoide, estréia, europeia, geleia, ideia, odisseia, onomatopeia, plateia, prosopopeia, panaceia, ribonucleico, traqueia, tireoide, dispneia,,seborreia, verborreia, alcaloide, androide, apoia, apoio, apoiam, apoie, apoiem, asteroide, boia, boio, boiam corticoide, estoico, debiloide(*), heroico, jiboia, joia, paranoia, sequoia, paranoico, tramoia, Troia...

(*) Obs.: os nomes próprios pessoais, como Andréia, Léia, Ediléia, Cléia etc., têm uma grafia particular, semi-imunes às normas ortográficas.
(**) Obs.: o termo debiloide é gíria, mas incorporado aos neologismos.

OS HIATOS APÓS DITONGO:
Eram assim:
Baiúca, feiúra, bocaiúva
Ficaram assim:
baiuca, feiura, bocaiuva

AS HOMÓFONAS:
Eram assim:
pára (verbo), côa (verbo), pêra (fruta), pêlo (cabelo), pólo
Ficaram assim:
para, coa, pera, pelo, polo

OS HIATOS METAFÔNICOS “ÔO” E “ÊEM”
Eram assim:
abençôo, caçôo (verbo caçoar), perdôo, povôo (verbo povoar) corôo, destôo (verbo destoar), ensabôo, enjôo, amaldiçôo, sobrevôo, crêem, descrêem, dêem, lêem, relêem, vêem, revêem, prevêem, antevêem, provêem


Ficaram assim:
abençoo, caçoo, perdoo, povoo, coroo, ensaboo, enjoo, amaldiçoo, sobrevoo, creem, descreem, deem, leem, releem, veem, reveeem, preveem, anteveem, proveem


A VOGAL “U” TÔNICA EM “QÚE”, “GÚE” , “GÚI”
Eram assim:
apazigúe, apazigúem, argúi, argúis, argúem, averigúe, averigúem, obliqúe, obliqúem
Ficaram assim:
apazigue, apaziguem, argui, arguis, arguem, averigue, averiguem, oblique, obliquem
____________________________________________________________________
Obs.: sobre o desaparecimento do TREMA e as mudanças no emprego do HÍFEN já comentamos neste blog.


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Jeniffer Sousa - 19.03.2009 - 12:05

Professor Paulo, aqui em seu curso estou aprendendo tudo aquilo que jamais aprendi. E agora estou aprendendo e até me divertindo às vezes com seus comentários, a forma de comentar assuntos tão chatos. Tenho lido este blog todas as vezes que o senhor faz algum comentário. Parabéns e conti9nue. Jeniffer Sousa. Teresina

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REFORMA ORTOGRÁFICA: TODAS AS VÍTIMAS

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18/03/2009 - 09h:10

Já publicaram centenas de artigos e quadros sinóticos sobre o efeito do Decreto 6583 que regula a Nova Norma Ortográfica. Uma aluna, há alguns dias, acessou este blog e pediu-me que fizesse uma lista das palavras atingidas pela Reforma. Tentarei fazer isso, mesmo que na lista faltem algumas palavras pouco usadas.

OS DITONGOS ABERTOS ÓI , ÉI ( quando não estão no final da palavra ):
Eram assim:
Andréia(*), apnéia, assembléia, azaléia, alcatéia, boléia, colméia, centopéia, diarréia, diarréico, dispnéia, epopéia, estréia, geléia, idéia, odisséia, onomatopéia, platéia, prosopopéia, panacéia, traquéia, seborréia, verborréia, andróide, apóia, apóio, apóiam, apóie, apóiem, asteróide, bóia, bóio, bóiam, corticóide, estóico, debilóide(*), heróico, jibóia, jóia, paranóia, sequóia, paranóico, tramóia, Tróia.

Ficaram assim:
Andreia(*), apneia, assembleia, azaleia, alcateia, boleia, colmeia, centopeia, diarreia, diarreico, epopeia, estreia, geleia, ideia, odisseia, onomatopeia, plateia, prosopopeia, panaceia, traqueia, dispneia,,seborreia, verborreia, androide, apoia, apoio, apoiam, apoie, apoiem, asteroide, boia, boio, boiam corticoide, estoico, debiloide(*), heroico, jiboia, joia, paranoia, sequoia, paranoico, tramoia, Troia...

OS HIATOS APÓS DITONGO:

Eram assim:
Baiúca, feiúra, bocaiúva
Ficaram assim:
baiuca, feiura, bocaiuva

AS HOMÓFONAS:

Eram assim:
pára (verbo), côa (verbo), pêra (fruta), pêlo (cabelo), pólo
Ficaram assim:
para , coa, pera, pelo, pólo

OS HIATOS METAFÔNICOS “ÔO” E “ÊEM”
Eram assim:
abençôo, perdôo, corôo, ensabôo, caçôo, enjôo, amaldiçôo, sobrevôo, crêem, descrêem, dêem, lêem, relêem, vêem, revêem, prevêem, antevêem, provêem
Ficaram assim:
abençoo, perdoo, coroo, ensaboo, caçoo, enjoo, amaldiçoo, sobrevoo, creem, descreem, deem, leem, releem, veem, reveeem, preveem, anteveem, proveem



A VOGAL “U” TÔNICA EM “QÚE”, “GÚE” , “GÚI”

Eram assim:
apazigúe, apazigúem, argúi, argúis, argúem, averigúe, averigúem, obliqúe, obliqúem
Ficaram assim:
apazigue, apaziguem, argui, arguis, arguem, averigue, averiguem, oblique, obliqúem
____________________________________________________________________
Obs.: sobre o desaparecimento do TREMA e as mudanças no emprego do HÍFEN já comentamos neste blog.


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O SUJEITO INDETERMINADO

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13/03/2009 - 09h:35

Lúcia acessa este blog e nos pede que comentemos sobre o sujeito indeterminado.
Antes, é preciso observar que indeterminamos o sujeito sob as seguintes orientações:
1. A intenção:
a) não sabemos quem é o sujeito:
Roubaram meu celular.
b) sabemos, mas queremos preservar o anonimato:
Precisa-se de dois seguranças
c) sabemos, mas a figura do autor(sujeito) é irrelevante:
Mataram o John Lennon...

2. A construção morfossintática:
a) verbo transitivo direto na 3ª pessoa do plural:
Tentaram matar o Papa
Andam dizendo absurdos sobre aquele rapaz
Mudaram as regras ortográficas
Jogaram sapatos na cara de Bush
Criaram um novo imposto


b) verbo transitivo indireto ( 3ª do singular ) + SE:
Precisa-se de duas babás
Não se acredita em promessas de político
Trata-se de questões éticas
Não se acaba com a delinquência do menor reduzindo a maioridade penal


c) verbo intransitivo ( ou “intransitivado”) + SE:
Vive-se intranquilo em tempos de crise
Come-se pessimamente neste restaurante
Mata-se à toa no Oriente Médio
Bebe-se muito no carnaval


____________________________________________________________
Obs.: às vezes, o verbo direto na 3ª do plural não indetermina o sujeito quando ele já estiver identificado:
Assaltaram a padaria da esquina. Segundo a polícia, um homem e uma mulher invadiram o estabelecimento por volta da meia-noite. Levaram todos os pães.
> O sujeito de Assaltaram é indeterminado; mas o sujeito de Levaram é “Eles”, pois já está identificado pelo texto.

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Sara - 01.04.2009 - 13:53

Não concordo! Na verdade, 16 milhões "foram destinados". Tem que ficar no plural porque o sujeito é "16 milhões do MCT". É o que eu acho.

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REFORMA ORTOGRÁFICA: O FUNERAL DO Sr. TREMA

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25/02/2009 - 22h:29

Não sei se foi por razões políticas (ou perseguição ideológica), o certo é que no fatídico dia 29 de setembro de 2008 o presidente Lula promulgou o Decreto 6583, que, entre outras disposições, condenou o Senhor Trema à pena de morte, à execução sumária, sem direito a julgamento. A execução aconteceu no dia 31 de dezembro. O carrasco foi o próprio ministro da Educação, que puxou a alavanca da guilhotina, decepando impiedosamente a cabeça do tímido Senhor Trema.
Convidado pela família, eu fui ao velório. Lá fora os foguetes espocavam: o povo, alheio à dor da família do Senhor Trema, brindava o Novo Ano de 2009 nas ruas, nos clubes e nas churrascarias. Ali dentro reinava a tristeza: um caixão com o corpo do tímido Senhor Trema, sem a cabeça ( que estava exposta ao público no Palácio do Planalto ). Os familiares apresentaram-me Dona Cedilha, a inconsolável viúva. Um primo do defunto, o Acento Agudo, chamou-me a um canto e apresentou-me seus dois irmãos: o Circunflexo, um senhor meio corcunda, envergado pela velhice, e o Til, um sujeitinho de fala nasalada, olhares falsos e andar rastejante feito uma cobra. O Acento Grave, um senhor de porte ereto, pescoço inclinado para trás, como se olhasse para o teto invocando aos Céus uma explicação pela morte do querido amigo, olhou-me e, com voz muito grossa e baixa, apresentou-se:
- Sou o senhor Acento Grave, primo do falecido.
- Prazer – eu disse. – Como vai sua esposa, a Senhora Crase?
- Meio assustada, ainda. Felizmente não fomos atingidos por esse Decreto.

Para puxar assunto, eu observei:
- Estou notando a ausência do Senhor Hífen...
Com a voz mais cavernosa ainda, o Acento Grave confidenciou-me:
- Está preso. Inventaram um monte de irregularidades que ele jamais praticou, grampearam seus telefones. Sua família caiu em desgraça com o Decreto. Está sob custódia e não se sabe ainda seu destino, coitado!
Um sujeitinho maltrapilho entrou aos choros. Era o Senhor Apóstrofo, o primo mais pobre da dinastia, ladeado dos poucos e minguados filhos sobreviventes dos decretos (que desgraçaram sua família) em 1911, 43 e 71: a Galinha-d’angola, o Olho-d’agua, o Pau-d’arco, a Estrela-d’alva e o sempre bêbado Pau-d’água.
O salão do velório era enorme, mas quase já não cabia tanta gente. Ao lado do caixão do tímido e falecido Senhor Trema, começaram a enfileirar seus angustiados filhos, dezenas deles: a pontual Freqüência, a assanhada Lingüiça, o destrambelhado Inconseqüente, o sempre elegante Pingüim ( trajando um impecável smoking ), a temida Conseqüência, o coronel Nicaragüense (revolucionário bolivariano que veio num jato emprestado pelo amigo vizinho Hugo Chávez ), os gêmeos Qüinqüênios, a sempre falante e tagarela Eloqüência, a curiosa e enxerida Argüição e o Seqüestrador ( foragido da Justiça e ovelha-negra da família ). A tagarela Eloqüência murmurou em meus ouvidos que um parente afastado, um tal de Senhor Müller ( um alemão neonazista ) traíra o Senhor Trema e, por isso, escapara do Decreto 6583.
Por fim, com seus passinhos miúdos, arrastava-se em volta do caixão o sempre devagar Senhor Tranqüilo...
Pobres órfãos!

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eliane - 29.04.2009 - 17:33

Professor, por favor vc poderia me expllicar o uso do porquê na seguinte frase: "Neste ano faremos a viagem por que tanto você anseia." Usei o porquê corretamente??? Qual a função dele na frase? obrigada!!!

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A mais curta e cruel crônica da era da comunicação

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19/02/2009 - 23h:08

Um professor caminhava em meio à multidão, numa rua movimentada de uma cidade qualquer. De repente ele parou e pensou: “Tanta gente à minha volta e me sinto tão sozinho!...Afinal, o homem é mesmo uma ilha?”.
Indeciso, mas ainda acreditando no superpoder da comunicação, resolveu certificar-se. Dirigiu-se ao primeiro transeunte que passou rente a ele: era um policial.
- Bom dia, caro militar.
Mas o policial não respondeu, porque tinha pressa em cumprir uma árdua missão: a captura de um marginal. O segundo era um executivo importante, que não entendeu por que aquele estranho o interpelava, e limitou-se a ajeitar a gravata, preocupado com a queda das bolsas de valores. O terceiro, um padre, também não lhe deu atenção, pois muitas almas angustiadas esperavam por ele na igreja. O quarto passou voando - era um comerciante que esperava pegar o banco aberto. A quinta nem o percebeu, pois era uma estudante que mascava seriamente seus chicletes. A sexta, uma prostituta, riu com deboche e desconfiança, dizendo ao perplexo homem-cumprimentador que ainda era muito cedo para o prazer. A sétima, uma ativista ambiental, quando viu que o homem-cumprimentador não era uma arara-azul ou um mico-leão-dourado, virou-lhe as costas. O oitavo transeunte, um advogado, olhou desconfiado para o homem-cumprimentador e passou direto, deduzindo que cumprimentar estranhos não estava previsto nos códigos. O nono, um político, fingiu não ouvir o cumprimento, pois ainda faltavam três anos para as próximas eleições.
E o décimo era um psiquiatra. Ao ser cumprimentado no meio daquela rua movimentada, encarou o homem-cumprimentador como se este fosse o mais neurótico, o mais mentecapto dos psicopatas sociais à solta.
O décimo primeiro limitou-se a dar-lhe um forte esbarrão... E seguiram-se mais 988 tentativas frustradas.
Desanimado, o homem-cumprimentador já se dispunha a abandonar aquela cidade e a se transformar numa nova ilha neste imenso arquipélago humano, quando passou o milésimo.
O milésimo transeunte era um louco, na certa um fugitivo de algum manicômio, a cabeça raspada, trajando esses uniformes de hospícios, olhos esgazeados, inquietos nas órbitas, sorria loucamente com aquela simplicidade dos lerdos.
Já sem qualquer esperança, mas numa última tentativa, o homem-cumprimentador disse tímido e muito baixo:
- Bom dia, meu caro louco!
Para seu espanto e reconforto, o louco parou, apertou-lhe a mão estendida, sorriu para o homem-cumprimentador e, educadamente, respondeu:
- Bom dia, como vai o senhor?

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Martha Almendra - 21.02.2009 - 13:27

Boa tarde, professor Paulo Roberto, meu amigo Lucas sempre comenta sobre seu blog, mas nunca tinha lido. Li esta crônica da "Era da Comunicação" e adorei. Sabia se sua fama como professor de portugues, mas não conhecia seu lado de escritor Adorei. Escreva mais, serei assídua dete blog Martha Almendra.

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TEXTO INJUNTIVO X TEXTO PRESCRITIVO

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14/02/2009 - 16h:36

Vera, de Santo André (SP), acessa este blog e nos faz esta pergunta:
- Qual a diferença entre texto injuntivo e texto prescritivo?
Sua dúvida é bastante pertinente, Vera, pois as teorias sobre tipologia textual e, notadamente, sobre textos-programadores ( injuntivo, instrucional, programador ou prescritivo ) são diversas e pouco claras. Quando se reúnem tais teorias, tem-se a impressão de que “todos são sinônimos”. Mas não me parece bem isso. Posso estar atropelando essas teorias tipológicas, conquanto seja meu dever ter uma posição a respeito. Deixe-me ver se consigo ajudá-la.

Texto Injuntivo: qualquer texto que tenha a finalidade de instruir o leitor (interlocutor). Por esse motivo, sua estrutura se caracteriza por verbos no imperativo: ordenando ou sugerindo.

a) Injuntivo-instrucional: quando a orientação não é coercitiva, não estabelece claramente uma ordem, mas uma sugestão, um conselho.
Exemplos:
a) o texto que predomina num livro de autoajuda;
b) o manual de instruções de um eletroeletrônico;
c) o manual de instruções ( programação ) - dirigido a determinados funcionários de uma empresa – sobre metas, funções etc.;
d) uma ingênua receita de bolo escrita pela avó...


b) Injuntivo-prescritivo: a orientação é uma imposição, uma ordem baseada em condições sine qua non.
Exemplos:
a) a receita de um médico (a um paciente) transmitida à enfermeira responsável;
b) os artigos da Constituição ou do Código de Processo Penal;
c) a norma culta da Língua Portuguesa;
d) manuais de guerrilha;
d) as cláusulas de um contrato;
e) o edital de um concurso público...

TIPOLOGIA TEXTUAL

Alguns visitantes deste blog gostaram do comentário acima. Baby (BH,MG), Larissa(SP), Scoffid(RJ), Antônia Saraiva(Itapecerica, SP), Jefferson(SP), Fernanda – Féeh(Monte Alto,SP) e Vítor Santos(SP). Obrigado. Outros não me pareceram satisfeitos ou convencidos: Amanda(SP), Karol Barcelos(Fernandópolis,SP), Rafael Oliveira Santos(Guaianases), Vitória(SP), Samanta Santos(SP), Jaqueline(Alagoas-BA) e Lucas(Sumaré). É como se dissessem: Não entendi p... nenhuma!. Vamos, pois, abandonar termos técnicos, terminologias sofisticadas e usar a linguagem mais acessível possível, com exemplos bem práticos.

A Tipologia Textual define, em linhas gerais, os seguintes tipos (básicos) de texto em prosa:
1. Narrativo
2. Descritivo
3. Dissertativo

 Narrativo: texto utilizado para contar um caso, narrar fato(s), historiar acontecimentos, não importando se fictícios ou verídicos. Predominam neste texto os tempos pretéritos: perfeito ou imperfeito. A ação é um dos principais ingredientes da narração. O tempo é outro dos ingredientes. O autor, muitas vezes, utiliza personagens que dialogam.
Exemplos: uma crônica, um caso, um conto, uma notícia de jornal, uma partida de futebol, um romance, uma parábola, uma historinha infantil etc.
 Descritivo: é o texto do objeto - da impressão física, da imagem, da cor, do aroma, da beleza, da feiúra, do relevo, da paisagem, da precisão quanto aos aspectos físicos. Predomina o tempo pretérito imperfeito ou mesmo o presente ( indicativo e subjuntivo).
Exemplos: os aspectos físicos e tipos humanos de uma favela carioca, a obra de um sociólogo que descreve o biótipo de um determinado povo, o texto de um “folder” turístico etc.
 Dissertativo: é o texto da idéia - da opinião, do ponto de vista. Privilegia o discurso indireto ( 3ª pessoa ), embora possa redigido na 1ª pessoa. Aborda, quase sempre, um tema palpitante do comportamento humano: justiça social, ética (práticas aéticas), ecologia (crimes ambientais), paz (violência urbana), democracia, liberdade, futuro do homem ( seus medos e anseios) etc.
Exemplos: um editorial de jornal, um artigo do Diogo Mainardi (Veja), um texto de pensamentos filosóficos etc.

Exemplo prático de tipos textuais:
Embora possa parecer simplório ( e talvez o seja mesmo ), vou tentar um último recurso didático para os blognautas que disseram: Não entendi p... nenhuma!

Certo dia, você encontra – jogado num canto qualquer de sua casa – um velho caderno de anotações de sua avó ( que gostava de escrever feito uma Cora Coralina da prosa ). Você abre o caderno e, nas páginas encardidas pelo tempo, você começa a ler.
1ª página. Fui criada ( e até hoje moro ) numa casa simples, mas de cômodos bem amplos e confortáveis. Um jardim colorido e aromático. Beija-flores por aqui não faltam. Tenho duas filhas. Ana, uma menina alta, meio desengonçada, mas de um brilho especial nos olhos muito pretos. Virgínia, uma menina muito magra, gestos e rosto delicados, tem uma cabeleira tão ruiva que poderia ser confundida com uma dessas atrizes do cinema americano....
Não precisa continuar. Você já percebeu que se trata de um texto descritivo.

2ª página. Certo dia, minhas duas filhas e eu fomos passear pelo sítio. Na margem do rio havia uma pequena canoa. O espírito de aventura falou mais alto. Entramos na canoa e, no meio do leito, notamos a água infiltrando-se. Percebi o desespero das meninas, mas tive de aparentar toda a calma e...
Já basta. Percebe-se que se trata de um texto narrativo.

3ª página. A vida de uma mulher não é fácil em parte alguma deste mundo. A sociedade machista impõe-lhe regras e destinos que ela jamais pode escolher. A mulher será sempre uma escrava totalmente submissa ao marido, às tradições, aos costumes e à hipocrisia chauvinista dos...
OK. Este é o exemplo clássico do texto dissertativo.

4ª página. Minhas receitas preferidas. Bolo de Banana. Caramelize uma forma com açúcar, corte 10 bananas no sentido do comprimento, coloque-as na forma, bata 4 ovos com uma xícara de leite, duas de farinha de trigo e uma colher de fermento. Despeje a massa na forma, polvilhe (a gosto) com canela e açúcar e leve ao forno pré-aquecido em 180ºC. Deixe...
Chega. Este é um texto injuntivo (instrucional).

5ª página. Como fazer um parto de emergência ( recado para minhas filhas e netas). Mantenha a calma. Prepare uma superfície limpa para ela se deitar. Pegue uma tesoura e três pedaços de linha de 25cm. Ferva tudo por 10 minutos. Dobre um cobertor e coloque-o sobre a futura mamãe. Lave bem as mãos e as unhas com água e sabão. Quando as contrações aumentarem...
Basta. Este é um texto injuntivo-prescritivo.

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bruno fazan - 17.03.2010 - 01:32

OLHA ESSES EXEMPLOS SÃO BONS MESMOS OLHA LÁ EM ?

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REFORMA ORTOGRÁFICA: O HÍFEN E OS PREFIXOS

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12/02/2009 - 17h:31

Lúcia acessa nossoLúcia acessa nosso blog e pergunta: “Como ficará o emprego do hífen nas prefixações?”
PREFIXOS ( e falsos prefixos ):
contra – extra – infra – ultra – supra – auto – ante – anti – sobre – entre – semi – neo – pseudo – super – inter – hiper – ab – sob – sub
ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO GRECO-LATINOS:
bio – hetero – homo – agro – aero – eletro – macro – mega - micro – mini – multi – nano – narco – tele – psico – orto – quilo – socio – poli – ciber

HÍFEN OBRIGATÓRIO:

1. ANTES DE “H”:
extra-horário; sub-humano; anti-higiênico; semi-hermético; sobre-humano; ultra-hegemônico; mega-hélice; anti-hemorrágico...

2. ANTES DE “R” ( somente para elementos terminados em R ou B ):
super-resistente; sub-raça; inter-regional; sub-reptício; sub-rogar; sub-reitoria; ciber-revolução...

3. VOGAL COINCIDENTE ( repetida ):
contra-ataque; infra-assinado; mega-astro; micro-organismo; auto-orientação; anti-inflamatório; arqui-inimigo; micro-ondas; anti-inflacionário...

HÍFEN PROIBIDO:
1 Nos demais casos
(o prefixo “CO” inclui-se em todos os casos de proibição do hífen ):
subsecretário; biotecnologia; aeroespacial; macroeconomia; agroexportador; multilateral; nanotecnologia; narcoguerrilha; socioeconômico; microvisão; autoestima; autoajuda; antiderrapante; megaestrela; superinteressante; submundo; eletroportátil; semiaberto; antiético; teletransportado; socioambiental; politraumatismo; ultraviolento...( e... cotangente, cosseno, coirmão, coautor...)

2. Elementos terminados em VOGAL antes de R ou S: dobram-se essas consoantes:
antessala; biorritmo; minissaia; megarrebelião; entressafra; contrarreforma; microrregião; heterossexual; autorregulador; semirreta; contrassenso...

Obs.: com os prefixos VICE, RECÉM, ALÉM, EX( anterior ): hífen obrigatório:
vice-reitor; além-mar; recém-casado; recém-nascido; ex-marido; ex-deputado; ex-namorado; recém-admitido...

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A REFORMA ORTOGRÁFICA E OS TRÊS IMÃOS-PROFETAS: LAO, TAO E MAO

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12/02/2009 - 17h:26

Essa Reforma Ortográfica não tem jeito mesmo: consegue mexer até com o sentimento religioso dos chineses. Telefonei a um amigo de São Paulo, consagrado autor de uma gramática adotada em todos os colégios do Brasil, e perguntei-lhe:
- Como ficará a grafia das palavras maoísta, taoísta e laoísta?
Ele demorou, hesitante, e respondeu-me:
- Não havia pensado nisso. Se seguirem os passos de “baiúca, feiúra e bocaiúva”, perderão o acento na certa.
- Pois é, foi nisso que pensei – eu disse.
- Ou então, teremos de abolir essas religiões chinesas – ele brincou.
Acho que ele não deveria brincar. Os chineses adoram os três irmãos-profetas, Lao, Tao e Mao. Cada um criou sua religião. Mao, o mais famoso deles, matou pessoalmente 8 milhões de chineses e, talvez por isso mesmo, tenha conseguido com seu autoritarismo congregar centenas de milhões.
- Não brinque com a fé dos chineses, Roberto – eu adverti o famoso amigo-gramático.
- É. Eles são bem mais numerosos que a gente.

Para deixar meu famoso amigo-gramático mais preocupado, lembrei-lhe:
- Você é paulista, mora em São Paulo e, na certa, há uma pastelaria com um monte de chineses maoístas em cada esquina de sua rua. Cuide-se!

comentários

Sandra - 16.02.2009 - 08:59

Professor, gostei imenso das últimas abordagens.

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