Prof. Paulo Roberto

COMPLEMENTO NOMINAL X ADJUNTO ADNOMINAL

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21/10/2008 - 21h:28






 


Cleanto Neiva acessa nosso blog  e nos pede uma explicação simples, prática e cabal sobre as diferenças entre o complemento nominal e o adjunto nominal. Não é tão fácil nem cabal, mas vamos tentar, Cleanto.


 


1. O complemento nominal, exceto quando exercido por pronome oblíquo, sempre exige o uso da preposição. / O adjunto adnominal, nem sempre


2. O complemento nominal está após um substantivo abstrato, um adjetivo e, raríssimas vezes, um advérbio. / O adjunto adnominal, após substantivo concreto e, algumas vezes, abstrato.


3. O complemento nominal nunca exerce “posse” em relação ao abstrato. / O adjunto adnominal, quase sempre exerce essa “posse”.


4. O complemento nominal nunca “age sobre o substantivo abstrato”. / O adjunto adnominal, ou exerce “posse” ou “age” sobre o substantivo antecedente.


 


Resumamos, pois, as características de cada um:


COMPLEMENTO NOMINAL:


a) está após adjetivo, advérbio ou substantivo abstrato;


b) exige preposição;


c) não exerce posse  nem ação sobre o substantivo antecedente.


Exemplos (após adjetivo):


O capital especulativo dos megainvestidores não é bom para o país.


Evo Morales é igual a Hugo Chávez.


A crise econômica norte-americana poderá ser ruim para todos nós.


Exemplos ( após advérbio):


Esta crise está longe de ter um final feliz.


Já havia sinais de falência nos Estados Unidos anteriormente à atual crise.


É possível que a hegemonia econômica dos EUA esteja perto do fim ?


Exemplos ( após substantivo abstrato ):


Para explicar a crise, a saída tem sido fazer críticas ao governo Bush.


Com uma pergunta ao jornalista, Lula respondeu: “Você não medo desta crise?


É exatamente nos Estados do Sul que McCain tem esperança de derrotar Obama.


 


ADJUNTO ADNOMINAL ( preposicionado ):


a) Exemplos ( após substantivo concreto ):


Os dólares do Tesouro norte-americano conterão esta crise?


Quem diria? Martha Suplicy conta com os votos de Maluf !


b) Exemplos ( após abstratos – havendo “posse” ou “ação” sobre o antecedente):


O medo de Bush é que a crise não acabe antes do término de seu mandato.


Martha e Kassab receberam duras críticas do ministro do TSE.


 







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TIPOLOGIA TEXTUAL: TEXTO INJUNTIVO (INSTRUCIONAL)

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21/10/2008 - 08h:03






José Antônio, de Caxias (MA), acessa nosso blog com a dúvida: o que é texto injuntivo-instrucional? Segundo ele, na prova da Abin, aplicada recentemente pelo Cespe, houve essa pergunta.


Texto injuntivo (instrucional), José Antônio, é o tipo de texto que leva o leitor a mais que uma simples informação. Instrui o leitor! Não é o texto que argumenta, que narra, que debate, mas que leva o leitor a determinada orientação transformadora. O texto injuntivo-instrucional pode ter o poder de transformar o comportamento do leitor.


Para facilitar mais sua compreensão, eis alguns exemplos bem simples de textos injuntivos:


 


Uma receita de bolo que sua avó passa à sua mãe.


Uma bula de remédio.


Um manual de instrução que você recebe quando adquire um eletroeletrônico.


Determinados capítulos de um livro de auto-ajuda

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jarbas vicente lopes - 07.03.2010 - 19:58

Boa noite, estou com uma dúvida, texto injuntivo é aquele texto com estruturas procedurais?

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REDAÇÃO OFICIAL ( CONCORDÂNCIA )

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19/10/2008 - 12h:31






Eduardo Filho  acessa nosso blog  com a seguinte dúvida: numa prova do Cespe, a instituição aponta como erro este início de um aviso (oficial )


A indicação do representante de vosso Ministério...


Há um erro, sim, Eduardo. Em todo texto oficial, o pronome de tratamento formal, não obstante pertencer à 2ª pessoa,  faz flexionar na 3ª pessoa os  verbos, pronomes possessivos, pronomes oblíquos etc. Assim, seria incorreto redigir:


 


Peço a Vossa Excelência que vos digneis analisar este projeto. É do interesse desta Secretaria  submetê-lo a vossa apreciação...  


 


A redação correta será:


 


Peço  a Vossa Excelência que se  digne  analisar este projeto. É do interesse desta Secretaria submetê-lo  a sua  apreciação...


 


 


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CHEGAR “EM” CASA...E OS VERBOS “CINEMÁTICOS”

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28/09/2008 - 11h:14

Francisca Braga acessa nosso blog com a seguinte dúvida: se não se pode dizer “ele chegou em casa”, qual a forma correta?
Verbos como ir, dirigir-se, chegar, considerados na categoria dos verbos cinemáticos, ou seja, que designam movimento, exigem a preposição “a”. Já osverbos estáticos ( estar, nascer, morar , residir, trabalhar... ) exigem a preposição “em”. Portanto, como nos ensina a Gramática, a construção correta é:
Ele chegou a casa.
Mas tal construção só existe em Portugal. É irreal no Brasil. Preferimos uma variante:
Ele chegou a sua casa.
Ou:
Ele chegou à sua casa.

Outras construções incorretas com o verbo chegar.
Cheguei no aeroporto às 12h em ponto.
Aécio Neves chegou em Teresina ao meio-dia.
As relações entre Brasil e Equador podem chegar numa situação delicada.
Quando se chega no auge da fama, é necessário manter a humildade.

Vamos corrigir as frases acima:
Cheguei ao aeroporto às 12h em ponto.
Aécio Neves chegou a Teresina ao meio-dia.
As relações entre Brasil e Equador podem chegar a uma situação delicada.
Quando se chega ao auge da fama, é necessário manter a humildade




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SUA TIA FOI OPERADA. A “MESMA” ESTÁ PASSANDO BEM

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26/09/2008 - 09h:29

Juliana Neiva acessou nosso blog há alguns dias com a seguinte dúvida: “Ouvi, em seu curso, um comentário seu de que a frase ‘Sua tia foi operada, a mesma está passando bem’ está errada. Por quê?”
Bem, Juliana, é condenável o uso do pronome demonstrativo mesmo(a) em função substantiva. Nas coesões anafóricas, é muito comum esse emprego.
Observe os erros:

Lula ligou para o presidente do Equador. O mesmo quer dar um calote no Brasil.
O presidente Lula tem vários amigos, mas não se pode confiar nos
mesmos.
Gilmar Mendes, ministro do STF, está furioso: grampearam o telefone do mesmo.
A lei contra o nepotismo preocupa milhares de parentes no Brasil. Os mesmos perderão o emprego.

As frases acima são viciosas e devem ser reescritas da seguinte forma:

Lula ligou para o presidente do Equador, que quer dar um calote no Brasil.
O presidente Lula tem vários amigos, mas não se pode confiar
neles.
Gilmar Mendes, ministro do STF, está furioso: grampearam o seu telefone...
A lei contra o nepotismo preocupa milhares de parentes no Brasil.
Estes perderão o emprego.

Obs.: pode-se usar o demonstrativo mesmo quando pronome adjetivo (acompanhado de substantivo):

Os amigos que traem Lula têm a mesma origem: caudilhismo-populismo convicto.
Dizem que nosso petróleo é bom, mas não tem a
mesma qualidade do venezuelano.
Aqueles que abusam do nepotismo têm a
mesma desculpa: só confio nos parentes.

Também se pode empregar o demonstrativo mesmo em função “vicária”, ou seja, quando equivale à expressão “a mesma coisa”.

Há 3 décadas o Japão invadiu o mercado norte-americano. O mesmo está fazendo a China, agora.

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bianca - 23.04.2009 - 20:50

gostei muito desse site, me ajudou em uma prova que eu fiz...espero que continuem assim!!!boa sorte e até mais

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O INFITIVO COMO SUJEITO

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22/09/2008 - 21h:39

Ana acessa nosso blog e nos traz esta dúvida:
Por que, na oração “Para o vestibulando, estudar é fundamental”, o sujeito é estudar?
Como forma nominal, Ana, o infinitivo exerce funções próprias do substantivo:

Sujeito:
Trabalhar dignifica o homem.

Predicativo:
O importante é governar com ética.

Objeto direto:
Todos ouvem o latir dos políticos

Objeto indireto:
Gosto de escrever

Adjunto adnominal:
...alicate de cortar unhas...ferro de engomar....dinheiro para aliciar eleitores

Complemento nominal:
Todos têm medo de morrer

Na oração que você nos traz, Ana, há termos invertidos. Procedendo-se sua reversão, tem-se:

Estudar é fundamental para o vestibulando
sujeito........predicativo...........complemento nominal



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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA OU EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

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16/09/2008 - 22h:03

A Sara acessa nosso blog com uma dúvida: há o acento de crase na expressão “educação à distância”?
Tradicionalmente, não, Sara. É voz corrente entre os professores e autores de gramática a inexistência da crase nessa locução quando não definida. Assim, estabeleceu-se:

Educação a distância
Ensino Superior a distância
Observava tudo a distância
Ficou a distância para não perturbar a conversa dos namorados
Quando vi que a bomba ia explodir, pus-me a distância

Entretanto, quando se determina, quando se precisa “essa distância”, o fenômeno da crase é obrigatório:

Observava tudo à distância de 15 metros.
Por um triz não foi atropelada: o carro passou à distância de 5 centímetros...

Mas não vejo por que a proibição do acento grave na primeira situação, já que se trata de uma locução adverbial feminina. Quando o acento indicativo de crase evita a anfibologia, a ambigüidade em locuções adverbiais, esse acento é sempre um mecanismo que não se pode proibir e a que se deve recorrer:

Pagou à prestação
Escreveu à caneta
Trancou à chave
Carro movido à gasolina
Fogão à lenha
Morto à facada
Feito à mão
Nasceu à noite
Comprou à vista
Fedia à cebola

Obs.: nos exemplos de locuções acima não há por que obrigar ou proibir o acento indicativo da crase.

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PROVAS DO CESPE, ESAF E CEFET

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12/09/2008 - 23h:55

A aluna Maria da Cruz Sousa acessa nosso blog e pede-nos alguns comentários sobre provas da Esaf. O que posso dizer é que as provas da Esaf, notadamente as da área fiscal, são muito bem elaboradas. A Esaf não trabalha com um texto somente. Pode-se dizer que “em cada questão ela explora um pequeno texto”. Por isso, são provas densas, pesadas e longas. Todos os aspectos gramaticais normativos, sem exceção, são abordados. Essas provas quase não analisam interpretação de texto. A Esaf prefere a organização, coesão e coerência textuais.
A aluna pede-nos também comentários sobre provas já aplicadas em concursos do STJ. Temos comentado no curso as provas do Cespe em todas as aulas. A próxima do STJ será aplicada pelo Cespe e não será diferente.

Mônica Marques, também em nosso blog, sugere que eu faça comentários sobre provas do Cefet. Sinceramente, Mônica, não conheço bem a metodologia do Cefet. As poucas provas que vi me pareceram razoáveis, mas muito aquém da qualidade das provas do Nucepe, por exemplo, se compararmos todas as instituições piauienses que elaboram provas de concursos públicos (UFPI, Cefet, Nucepe etc. ). A Nucepe, sem dúvida, de longe é a melhor delas!

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Impugnar, indignar-se, ritmar, optar, cooptar, ada

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05/09/2008 - 23h:55

Impugnar, indignar-se, ritmar, optar, cooptar, adaptar...
( Os inimigos da Ortoépia ou Os reis da Cacoépia )

Mônica Marques, estudante de Direito, acessa nosso blog com uma dúvida: como pronunciar corretamente flexões do verbo impugnar ?. Essa dúvida é real e incomoda muita gente. Já ouvi pessoas cultas com discurso bem formal hesitarem na pronúncia de frases como esta: “Eu me indiguíno com isso”.
A pronúncia correta é: “Eu me indígno com isso”... “Eu coópto...” “Eu rítmo”

Todos os verbos regulares com consoante muda na penúltima sílaba devem ser pronunciados com a sílaba tônica na penúltima vogal (a que antecede a consoante muda) nas formas rizotônicas ( Eu, Tu, Ele e Eles do presente do indicativo e presente do subjuntivo): Eu me indígno, tu te indígnas, ele se indígna, eles se indígnam. É obvio que o acento gráfico não existe, apenas o prosódico.

Esses verbos, Mônica, são os reis da cacoépia (pronúncia errada) e, portanto, inimigos da ortoépia (ciência que estuda a pronúncia correta do nosso léxico).
Eis os reis da cacoépia:
Impugnar
Indignar-se
Propugnar
Ritmar
Optar
Cooptar
Adaptar
Captar
Receptar
Interceptar
Dignar-se
Obstar

Pronúncia errada...........Pronúncia correta
Eu impuguíno....................Eu impúgno
Tu impuguínas..................Tu impúgnas
Ele impuguína...................Ele impúgna
Eles impuguínam..............Eles impúgnam

Obs.: o acento na vogal “u” é somente o prosódico; na grafia não há esse acento.
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Vocês, professores, não ensinam nada!

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28/08/2008 - 21h:36

Nesta semana nosso blog recebeu, coincidentemente, duas visitas cariocas. A primeira, uma Amanda do Rio de Janeiro, foi breve e ácida: “Vocês, professores, não ensinam nada!”. Eu poderia retrucar: “Vocês, Amandas, não aprendem nada!”. Mas não vou fazê-lo. Apague essa minha resposta. Primeiro, porque não quero ser injusto, afinal tive uma aluna, Amanda Cerqueira de Moraes, que estudou comigo (em meu curso e no Federal), era brilhante, tinha talento e foi a 1ª colocada no concurso do Ministério Público da União. Segundo, porque você, Amanda, tem razão. Nós professores não ensinamos nada. Apenas orientamos ou influenciamos aqueles que querem aprender e amam aprender. Ninguém ensinou Pelé a fazer maravilhas com os pés, nem Picasso (com o pincel), nem García Márquez (com sua velha máquina de escrever). Eles tinham talento, amor, obstinação e, na certa, foram orientados ou influenciados por algum professor da vida. E é possível que chegue o dia, Amanda, em que você encontrará aquilo que quer aprender e ama aprender. Nesse dia, aparecerá, com certeza, um professor em sua vida que caminhará a seu lado, mãos dadas, orientando-a e dizendo-lhe: “Vá, Amanda, este é o melhor caminho!”.


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