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Pedrus Paz
02/10/2008 - 15h:18


Essa é a questão, eu gostei muito desse Batman, antes tive mais do que receio, tenho medo de assistir filmes que são comentados demais e depois não achar tudo que falaram, acontecer aquela velha decepção.

Eu, desde criança, sempre tive uma fascinação por vilões, quando saiu o Coringa com Jack Nicholson, eu era muito pequeno e não assisti no cinema, lembro que meus irmãos e um primo que morava aqui, ficaram meses imitando o Coringa, na época eu ficava imaginando, quando assisti tempos depois, sempre tiveram cenas que marcaram, então o nosso cowboy dificilmente conseguiria um Coringa tão marcante, entretanto, realmente o Heath Ledger fez uma belíssima atuação. A ironia do Coringa esta cativante, por isso não concordo com os comentários do Coringa como a pura maldade, este faz o papel essencial no filme, quando ele deixa claro como as pessoas perdem os “valores” em situações que tem que fazer escolhas que envolvem a sobrevivência ou pessoas que gostam. O Coringa em minha humilde opinião, apagou o brilho do Batman não pela atuação, e sim, por mostrar alguém seguro e convicto do que acredita, ao contrario do homem morcego, que como todo ser humano cheio de responsabilidades, passa por grandes questionamentos morais e existenciais, para não incluir amorosos, o Coringa x Batman, é o questionamento não do bem contra o mau, sim de que as pessoas devem ou não acreditar umas nas outras.

Outro ponto é que esperam muito de um herói, o Batman não é um herói e muito menos uma pessoa boa, o Coringa sabe disso. Batman é vingativo, o grande dilema é usar isso a favor da justiça, o homem morcego sabe que tem que andar pelas sombras, como herói é vulnerável, se tornando um alvo fácil de ser colocado contra o povo; vide o que o Coringa fez, caso ele não se entregasse mataria a população, por isso que em todo o filme, Coringa pintou o sete em cima do Batman e todos fizeram apenas o que ele queria, acredito de diante da continuação, o Batman será mais maduro e menos vulnerável pelo simples fato de não ser mais o queridinho da comunidade.
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09/09/2008 - 19h:57


Cinema sobre as guerras já está com a fórmula esgotada, não existe mais denúncia ou protesto, apenas a colocação de um coitadinho para ter um drama garantido e um Oscar; quanto maior a fama de mártir, do povo exposto, então maior a probabilidade de ser premiado. O que fazer quando o cinema é bem utilizado como veículo da realidade às crises políticas que são pouco debatidas no ocidente e até esquecidas, as máscaras envolventes na guerra sobre como interferir e ajudar, EUA e a Europa cumprir bem o papel, todos querem levar a democracia para todos os cantos do adorável mundo.

Era uma madrugada como outra qualquer, quando me deparei, antes de dormir, com uma neblina e uma fotografia incomum. Estava passando na televisão "Terra de Ninguém" (No Man´s Land) , o primeiro longa-metragem do diretor bósnio Danis Tanovic, cujo filme tem grande cunho inquisidor e jornalístico. Não é para esperar menos, pois Tanovic fez cobertura na Iugoslávia para o exército Bósnio por dois anos, e com mais de 300 horas filmadas, o filme Terra de Ninguém é uma ficção com grande toque de realidade, o qual foi gravado em 26 dias e editado em 12, premiado no mesmo ano que foi lançado no festival de Cannes de 2001, entre outras 15 premiações.

Terra de Ninguém é uma belíssima trincheira onde dois soldados bósnios ficam encarregados de fazer especulação, só que por lá está um soldado sérvio ainda vivo. No meio de um rápido conflito, um soldado bósnio fica preso em sua própria mina explosiva em meio à trincheira, numa situação onde todos morreriam com qualquer movimento do militar. Sobram ainda um bósnio e um sérvio em plena guerra. Entretanto, existe outro conflito, que é entre a impressão que tenta relatar o que está acontecendo e os oficiais da UNIPROFOR, tropas estrangeiras responsáveis por amenizar a situação.

Sargento Marchand, um oficial francês das Nações Unidas, desobedece as ordens superiores e tenta resolver o problema da Terra de Ninguém, e salvar Ciki, Nino e Cera, o soldado bósnio que caiu sobre a mina, criando um clima de tensão e desconfiança entre eles. O mais interessante é que Tanovic, no decorrer da tensão, mostra jornais da época onde o noticiário relatava ao mundo uma suposta outra versão do que acontecia na realidade e outros detalhes que somente quem viveu pode perceber. Quem tiver interesse na Terra de ninguém, apenas ao final de tudo, verá que uma vida não tem tanto valor assim e em nossas guerras televisionadas onde o que importa é mostrar ao mundo um suposta versão da verdade.

Por: Pedrus Paz
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Mrs. Mustard 14.09.2008 - 22:18h
Muito bom, e eu estou muito contente de ter gente comentando cinema "off circuit" ...

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26/08/2008 - 16h:29


O cineasta visionário da vez é o Pier Paolo Pasolini, acima de tudo critico do sistema burguês, não estamos falando de críticas demagogas ou da velha forma de criticar o sistema em que nos habituamos, se a audácia permite, vou afirmar que no antigo cinema italiano não existia crítica ingênua ou sem conhecimento de causa.
Pasolini é uma figura surpreendente, iniciou a universidade de literatura com 14 anos, foi poeta, novelista e escritor com livros publicados e pouco conhecidos, dentre seus principais livros estão Meninos da Vida, Uma Vida Violenta e Petróleo. Dentre um universo que envolve a arte, foi somente através da sétima arte que Pasolini foi escutado, aclamado e odiado. Sempre um homem polêmico, por uma opção sexual diferente assumida e/ou um posicionamento político que chocava com os interesses do governo italiano, assassinado de forma misteriosa, deixou o seu legado ou fardo para os militantes da manutenção do conformismo.
Na arte de Pasolini ao rir ou ficar enojado, sempre existe uma analise sobre a sociedade italiana e os costumes que formam nossa civilização, a sociedade italiana é freqüente alvo desta analise crítica, no filme “Mamma Roma(1962)”, a musa do neo-realismo Ana Magnani interpreta uma dama da noite que vende prazer ao anoitecer, após assistir ao casamento de seu amante e gigolô, ela procura uma vida nova e com esperança ao lado de seu filho, este filme trás traços de um cinema neo-realista italiano ainda que tardio aos filmes deste movimento que teve maior produção no pós-guerra.
Provar um “Teorema (1968)”, quem depois de assistir vai abrigar um comunista em sua casa? Opa, piada interna apenas pra quem assistiu, apenas adianto que, um comunista pode ensinar arte, literatura e resolver problemas familiares, junto com isso pode querer fazer amor com toda a sua família e destruir seus laços familiares tão preciosos, o filme é uma critica direta a instituição família, para quem não conhece bem os costumes italianos, o respeito à família é uma das prioridades de sua manutenção cultural, o patriarcalismo é algo fundamental, por muitos considerado um filme difícil, por mais direto que ele seja, única prova que temos é que os amantes de idéias vermelhas são inimigos da família.
Das citadas trilogias que assisti, uma das mais marcantes foi feita por Pasolini, a ironia começa pelo seguinte titulo “a trilogia da vida”, o que esperar de alguém que faz adaptação do “Decameron” do Boccaccio, “Os Contos de Canterbury” de Geoffrey Chaucer e “Mil e uma noites” a famosa compilação de contos árabes, acredita ter sido escrito entre os séculos VIII e XV. Infelizmente eu não li o Decameron, ao que parece o Pasolini dos cem contos, escolheu os dez que mais mostrariam bem os costumes o período descrito, onde está o interesse da família, ambição e roubo, quem assisti pela primeira vez, nota um total rompimento com a estética cinematográfica no sentido de que atores com semblante semelhante à época interpretando uma ficção para expressar a realidade, por mais que seja paradoxo. No segundo filme “Os contos de Canterbury” quem conhece a fama de obsceno do escrito do século XIV, o Geoffrey Chaucer sabe bem onde esta pisando, Pasolini consegue ilustra com um humor rico o cenário sexual proposto pelo escritor, o julgamento de valores sempre presente o erotismo, devassidão, clero e o homossexualismo, são figuras de destaque e na continuação, “Mil e uma noites” é uma reflexão eterna sobre os princípios de liberdade de algumas culturas com uma literatura tão rica, apesar de desconhecida, a soberania dos reinos beira a divindade, em lugares onde até hoje o machismo e a escravidão são presentes, milhares de adaptações foram feitas sobre a obra, mas Pasolini sempre procura um modo de ser inovador, o filme é gravado em paisagens exóticas da Etiópia, Índia, Irã, Nepal e Iêmen, a narrativa principal e envolvida em outras historias de forma surpreendente.
Em seus últimos filmes, a podridão é cada vez mais e mais humana explorada, em seu último filme e feito no mesmo ano em que foi assassinado, o tão enojado e comentado “Saló ou os 120 dias de sadoma(1975)” inspirado no livro do Marques de Sade, apenas utiliza do contexto sádico do Marques de Sade e nos transporta para o período da segunda guerra mundial, Itália controlada por soldados nazistas, libertários fascistas seqüestram 16 jovens e utilizam da máxima escatologia, esta é a palavra que melhor define este filme, escatologia sexual seria sua fonte de ilustração para “Saló e os 120 dias de sadoma”.
Apenas digo que este último filme, exige estômago forte e os demais filmes do Pasolini exige desprendimento de dogmas e uma compreensão da conseqüência dos fatos, quem gosta de um cinema sempre experimental, mais do que uma boa pedida.

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Marta B. 09.09.2008 - 19:29h
Que ótima postagem, em breve espero mais, seu comentários são sobre medida....

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18/08/2008 - 22h:59


Faleceu o cineasta Ingmar Bergman no dia 30 de julho do ano passado, recentemente completou um ano dessa grande perda ao cinema, venho presta uma breve homenagem ao cineasta que mudou minha visão sobre cinema.

Assisti esses dias à trilogia do silêncio, formado pelos filmes “Através de um espelho” (Sasom i em spegel-1961), Luz de Inverno (Nattvardsgarterna-1962), O Silêncio (Tystnaden-1963) onde encontramos um questionamento existencial sempre presente nos filmes do Bergman, tem como grande influência o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard e outros dramaturgos como o sueco Johan August Strindberg e o norueguês Henrik Johan Ibsen.

Em toda à trilogia o sofrimento e o desespero humano é explorado de uma forma pertinente e madura, mas no segundo filme da trilogia “Luz do Inverno” é em que existe um questionamento mais direcionado a espiritualidade, o personagem pastor Tomas que admite não ter fé e mesmo diante do sacerdócio questiona sobre a existência de Deus e sobre o vazio da vida, e afirma que não ter Deus faz da vida ter mais sentido, o clima presente é sempre de solidão, o pastor Tomas chega a dizer a sua amante o quão insuportável ela é e que ela nunca substituirá sua falecida esposa, filme teve inspiração no "O Diário de um Pároco de Aldeia", de Robert Bresson.

Notável a enorme relação do Bergman como o pessimismo, sempre retratada em seus filmes, outro ponto é a ironia dos personagens, retomando o comentário do nosso “intelectual” Arnaldo Jabor sobre o pessimismo na reportagem de sua de seu falecimento; “para um pessimista, comeu as mais belas atrizes”, o senso comum tem uma opinião bastante ingênua e simplória do que seria o pessimismo, analisar o conjunto de sua obra, entenderemos melhor do que se trata o pessimismo bergniano, e sua eterna ligação com a loucura, suicídio e a morte, a figura da morte esta eternizado com o filme “O Sétimo Selo” onde um cavalheiro acaba de voltar das cruzadas e depara com a morte, propõe a morte uma partida de xadrez, entre os outros filmes que se eternizaram, esta o “Morangos Silvestres” (Smulltronstället) com o ator Victor Sjöstrom, este é um dos diretores que mais influenciou o Bergman, dirigiu “Carruagem Fantasma”(Körkarlen- 1921) e é um dos idealizadores do cinema sueco, em Morangos Silvestres o Sjöstrom interpreta Isak Borg, um renomado professor e médico em que no dia de sua premiação por 50 anos de profissão, tem um sonho enigmático sobre a morte, gera todo um questionamento sobre a velhice e mortalidade com um plano de fundo as crises familiares e as relações interpessoais, considerado um dos mais belos filmes sobre a velhice da historia do cinema. Não poderíamos esquecer o “Persona” que chegou a sair no Brasil com o ridículo titulo “Quando duas mulheres pecam”, este filme é de sua fase mais experimental, em Persona o considerável é a capacidade que temos de interpretar papeis e criar personagens para nossa própria vida, e depois dessa fase podemos citar o clássico e o filme que mais tocou a minha percepção, o desesperador “Gritos e Sussurros”(Viskningar och Ro) onde novamente o foco são as frágeis relações familiares, sofrimento e a morte, personagem irônicos, rancorosos e por vezes, a fragilidade das relações é como uma taça de cristal e as mascaras caem e alguns sentimentos e desejos escapam, alguns fantasmas sempre permanecem ao lar, termino aqui com uma citação retirado do livro “Imagens” do Bergman, que explica perfeitamente a poesia e a arte que é fazer cinema.


"(...) Que o cinema seja o meio por que me expresso, é absolutamente natural.
Fiz-me compreender numa língua que passava ao lado da palavra de que carecia,
da música que não sabia tocar, da pintura que me deixava indiferente.
Subitamente, tive a possibilidade de me corresponder com o mundo numa linguagem que literalmente fala da alma para a alma, em termos que, quase de maneira voluptuosa, escapam ao controle do intelecto."
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Natasha 24.08.2008 - 14:36h
Adorei o artigo. Super bem escrito. Bergman é assim mesmo tão cheio de paixões, tã...

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13/08/2008 - 10h:19


Estou começando hoje com este espaço, chamado “cinema, mon amour”. O nome não foi dado apenas pela bela sonoridade que tem; é, também, uma homenagem ao cinema como um todo. O título tem como inspiração o filme “Hiroshima, mon amour(1959)” do cineasta francês da nouvelle vague Alain Resnais, conhecido por seus filmes abordarem uma estética que por si só, tornou-se o principal elemento de critica. A imagem é a própria linguaguem, até mais que os próprios diálogos ou monólogos, eventualmente incompreensíveis. Outro filme de inspiração ao nome, já é uma homenagem à sétima arte: “Copabana, mon amour(1970)” do cineasta brasileiro Rogério Sganzerla, que foi colunista cinematográfico do jornal Folha de São Paulo, e um dos grandes nomes do cinema novo, ao lado de Glauber Rocha. Rogério produziu clássicos como “ O Bandido da Luz vermelha” e “Nem tudo é verdade”, esse último tem na nomenclatura uma verdadeira sátira ao filme de Orson Welles “É tudo verdade” o qual seria produzido no Brasil, e que nunca foi terminado, devido o boicote do governo brasileiro, na era Vargas, à produção de Welles.
Tendo em vista a grande dificuldade de escrever e expressar-me ao comentar uma arte que é tão subjetiva e muitas vezes pessoal demais, com seu universo de interpretações, questionei-me por que falar sobre cinema, conclusão que além de desafiadora, é interessante por levar à construção de um modelo de arte que é egoísta por querer imputar à visão dos outros, o mundo como nós queremos que ele seja, e o mais interessante, valendo-nos de objetivos altruístas, por não conformar-nos com o que está à nossa volta, expondo uma série de hipóteses, seja de uma forma bela, cômica ou trágica.


“A questão é – o que pode ser feito no cinema, o que só pode ser criado com os meios do cinema. Aquilo que ele possui de específico, de único, aquilo que somente o cinema seria capaz de construir, de criar.”
(Sergei M. Eisenstein, 1946)
comentários
don 03.10.2008 - 12:03h
Acho que esse Nosferato da foto não é o mesmo que eu assisti, esse parece ser em c...

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