Neste domingo acontece a premiação mais aguardada da indústria do cinema, o Oscar.
O embate ficou entre dois filmes distintos, mas bem parecidos com o conceito meia culpa das tropas americanas em suas idiotizadas invasões aos países do Oriente Médio.
Os filmes são “Avatar” e “Guerra ao Terror”.
Vou começar primeiro contando uma historinha pra tentar explicar “Avatar”.
Uma criança tinha sempre muito medo de ir à escola. Muito medo. Mas ninguém entendia o significado de tanto pavor das aulas. Era só nas aulas. No recreio ele brincava normalmente, conversa com os colegas e se divertia. Mas ao chegar à sala de aula não levantava a cabeça.
A direção chamou os pais. Os pais estranharam. A direção aconselhou um psicólogo, para ajudar no processo. O psicólogo logo indicou um oculista, e lá, foi constatado que o moleque simplesmente tinha problemas de visão, enxergava tudo borrado e tinha vergonha disso, mas não falava pra ninguém o que via.
Dias depois, já de óculos o garoto começou a ter uma vida normal, afinal estava enxergando tudo.
Sem enrolar muito. A sensação em assistir “Avatar” 2D e em seguida vê-lo 3D é idêntica a situação do garoto.
Vi primeiro o 2D. Achei o filme maravilhoso. Tudo. A construção de Pandora deve ter sido um trabalho muito cansativo, e quando você se depara com aquela imensidão criativa e fundamentada não tem como não ficar abismado. Mas mesmo assim é como o garoto, não deu pra ver direito.
Então esperei a remota chance de ver 3D. Deu certo. E é incrível! É uma experiência indescritível. Mesmo se eu passasse 3 dias escrevendo aqui as sensações e impressões você não vai entender o significado, o propósito que James Cameron aplicou em “Avatar”.
Avatar é a inclusão sua dentro da tela. Avatar é Jake pegar o seu boneco e brincar de vídeo game. E tanto nós como Jake brincamos de vídeo game durante as mais rápidas 2h 40 da minha vida.
Aí, com tudo isso, as coisas se encaixam. Muitos falam sobre o roteiro que é fraco e tudo menos. Não acho que seja tão ruim assim. Não vejo como o melhor roteiro do mundo, pois o roteirista é James Cameron, conhecido por esse tipo de enredo. Os filmes dele são sempre assim.
Questionam os diálogos rasos e superficiais. Mas roteiro não é só isso, é estrutura, narrativa, ritmo, e isso “Avatar”, James Cameron, fazem muito bem, tem o necessário, tanto que, repito, foram 2h40 mais rápidas que já tive.
“Avatar” foi o primeiro e talvez seja o segundo, já que a sequência já tem título e vai se chamar “Na’vi”, baseado na vida dos habitantes de Pandora. Quando teremos algo parecido eu não sei, pois a riqueza aplicada em “Avatar” é violenta e mesmo com TVs 3D, tudo 3D que vem rodando mundo a fora, a experiência de “Avatar”, pelo menos por enquanto é única.
Muitos contam como a salvação da lavoura da indústria do cinema, mas “Avatar” é apenas o início de algo que nós ainda não sabemos o que vai acontecer. Em 10, ou até menos anos, vamos achar ridículo um bando de gente com óculos nas salas pra ver um filme no cinema. O cinema ainda vai existir, a sala de cinema? Não sei. Um dia, talvez, vamos realmente ser inseridos dentro do filme, e o que hoje é tido como o revolucionária vai parecer patético.
Baseado nisso não ficaria surpreso se “Avatar” abocanhar o Oscar de Melhor Filme, e mesmo com meu fascínio sobre ele, meu predileto é “Guerra ao Terror”.
Agora o inverso da moeda. Literalmente da moeda. “Guerra ao Terror” custou cerca de 20 a 30 vezes menos que “Avatar”, e ao invés do concorrente de peso, trocou os estúdios pelas locações com sol arrasador do Oriente Médio.
Diferente da mega pipoca do adversário, o drama bélico segue um grupo anti-bomba americano nas já citadas idiotizadas invasões em países do Oriente Médio.
A direção ficou nas mãos de uma mulher, Kathryn Bigelow. Que talvez tenha se separado de Cameron por querer filmes diferentes dos dele.
“Guerra ao Terror” tenta nos explicar o que parece ser inexplicável. Aponta que a Guerra, como o futebol, a religião e a política podem ser veneradas, podem estar no sangue e amar tudo aquilo.
A interpretação de Jeremy Renner é simbólica. A cada bomba desarmada o personagem brinca com o perigo e com a vida. Mas não é o desdenho diante das bombas, é a naturalidade em achar que aquilo é o serviço de cada dia, a vocação, paixão pelos fios desencapados, e que se a vida, que achamos normal, for o fiozinho azul e o palitinho verdinho será o futuro dele na labuta diária dos fios, ele vai mandar pelos ares o azul e tudo que estiver na frente, justificando mais uma vez que se os americanos não brincam de invadir a terra dos outros, eles gostam, amam, e quando isso acabar, os Pandoras universo a fora serão os próximos destinos.
Abaixo seguem os possíveies premiados da noite.