Demorei, mas to aqui. Fui conferir pela segunda vez para não ficar com a primeira impressão.
A vontade agora é ter a terceira, quarta, quinta e enésima impressão.
Sim. Batman – O cavaleiro das trevas, é o melhor filme já feito sobre super-heróis com larga vantagem para o segundo colocado, se é que existe.
A construção do personagem Batman é genial por si só. Seus inimigos no universo das HQs são superiores em originalidade e personalidade.
Mas, uma boa história com certa estrutura já montada não é capaz de facilitar o trabalho de uma adaptação, tanto que Batman rodou em mãos consagradas como Joel Shumacher e Tim Burton, e o resultado foi tão catastrófico que nenhum ser avalia positivamente as produções.
Em 2005, o inglês Christopher Nolan lança uma nova cartada sobre a história do homem-morcego no cinema. Batman Begins mostra o nascer do super-herói. Nolan constrói a vida, caráter e função do personagem Batman em uma Gotham City, cidade devastada por mafiosos. Tudo isso sem pirotecnias visuais e efeitos especiais inéditos, características básicas das adaptações que surgiam por todos os lados.
Com o aspecto sombrio Batman luta sempre com a arma do moralismo, e assim elimina seus inimigos e limpa Gotham City.
Em “O cavaleiro das trevas”, Chris Nolan usa a base já feita no Begins.
Gotham não é mais a cidade escura, suja e corrupta. Aquilo não existe mais. Batman assegura a cidade. Os criminosos temem a figura do homem-morcego.
A tranqüilidade da cidade é notória na primeira tomada do novo filme.
Tudo está muito organizado, limpo, seguro e bonito.
É então que surge, a maquiagem, o sorriso, a ironia, loucura e astúcia daquele que imortaliza o vilão dos vilões. Coringa.
Em um super plano de assalto, o personagem com interpretação surreal de Heath Ledger, dá sua primeira cartada e abre ali toda soberba durante duas horas e meia de filme. Coringa não é só o rival mais temido de Batman no longa. Coringa dita o ritmo, faz, desfaz e deixa tudo ao redor apagado.
Coringa é mais um ponto crucial na criação dos dois filmes dirigidos por Nolan. A indicação de Ledger, mesmo em sua ascensão, foi contestada por muitos. Um personagem tão forte que seria comandado por alguém de talento ainda colocado em dúvida gerou muitas críticas.
Chris Nolan sabia mais uma vez o que fazia. Heath Ledger se entregou ao Coringa. Mês trancado em hotel criando personagem, conversa com Jack Nicholson (ex-coringa) para construção de um velho, mas novo vilão, enfim. Alguns dizem que a total sintonia do ator com o personagem junto a sua vida pessoal conturbada o levou a fazer o que fez.
Jonathan Nolan, roteirista, não perde a linha e desenvolve uma bela trama sem perder a essência dos personagens. Destaco o real motivo criado para o constante sorriso do Coringa.
Os irmãos Nolan desenvolvem um enredo nunca visto para filmes do gênero. Isso só reforça a tese que existe vida pensante por lá, terra dos efeitos e pipoca sem história.
Batman é sim um filme inteligente. Não cai no marasmo dos blockbusters sem conteúdo. Julga-lo como comercial e fútil não faz parte deste que é um show de cinema. Os poucos momentos de luz, o constante ar sombrio e escuro puxam dali um equilíbrio fotográfico fascinante. A trilha sonora com elementos eletrônicos sem perder a base épica criada pelos maestros Hans Zimmer e James Newton Howard, dupla de respeito quando se fala em é trilha, emociona e nos transfere para dentro daquela escuridão.
Reforço e caiu no clichê. Coringa é sim o filme. Batman faz o dele, cresce durante a história acompanhado do Duas Caras, que premia uma boa atuação de Aaron Eckhart, até se tornar o vilão meia-boca, que não passa nenhum sentimento de aflição aos espectadores.
A culpa da regularidade tanto do protagonista como do segundo antagonista não cabe a eles. O dono de tudo, repito, é Heath Ledger e o Coringa.
Batman – O Cavaleiro das Trevas, é o melhor do gênero. Nunca houve parecido. O filme merece não só uma indicação a ator coadjuvante para Ledger, mas várias outras como direção, roteiro, fotografia, trilha sonora e edição de som.
Enfim, quem não viu vá agora. Tenho certeza que a vontade para ter a segunda, terceira e enésima impressão do filme não será só minha.
O filme é “Body of Lies” ainda sem tradução em português.
O roteiro tem Russell Crowe como agente da CIA que recruta um jornalista para localizar um líder da Al Qaeda na Jordânia. Quem vive o jornalista é Leonardo Di Caprio.
A estréia americana acontece dia 10 de outubro e por aqui ainda sem previsão.
Corra e veja Batman!
Depois escrevo sobre a melhor adaptação de HQ do cinema.
Enquanto isso, um single da sensação musical em 2008.
The Last Shadow Puppets, projeto paralelo de Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys)
O site Filme B publicou algumas perguntas e respostas em torno da troca do cinema com película para o cinema digital. Quem não conhece o cinema com película é o formato de reprodução da maioria das salas do país, inclusive Teresina. Já o cinema digital é tido como evolução das películas de 35 mm.
É como se fosse a troca, só que mais avançada, do videocassete para o DVD.
Não costumo usar ctrl+c ctrl+v no blog, mas a matéria merece ser passada, e todos nós, amantes ou não de cinema, devemos nos situar, já que, o mundo gira e a gente tem que acompanhar.
Por Pedro Butcher do site Filme B
O circuito exibidor brasileiro está prestes a enfrentar um de seus maiores desafios: a transição digital. Dez anos depois da revolução do multiplex, que em seu conjunto representou investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, os grupos de exibição em atividade no país começam a se preparar para uma nova transformação radical, que implica a substituição de todo seu aparato tecnológico de projeção.
No último ShoWest, a maior convenção da indústria cinematográfica americana, o cinema digital foi o assunto dominante. Todas as apresentações dos estúdios (fossem elas apenas de trailers ou de filmes completos) foram realizadas no formato digital. Sessões especiais de filmes em 3D como a aventura Viagem ao centro da Terra - O filme e a exibição de trechos inéditos da primeira animação 3D da DreamWorks, Monsters vs. Aliens, deixaram os exibidores encantados com as possibilidades do novo formato.
Na reportagem a seguir, procuramos resumir, no formato de perguntas e respostas, as principais dúvidas em torno da questão e apontar os cenários que começam a se formar com a chegada da transição digital no Brasil.
1. O QUE É, EXATAMENTE, A “TRANSIÇÃO DIGITAL” DO CINEMA?
É a substituição de todos os equipamentos de projeção de cinema que exibem cópias em película por projetores digitais. A exibição no formato analógico, utilizando-se de cópias no formato 35 milímetros, estabeleceu-se como padrão da exploração comercial do cinema durante mais de um século. Com a perspectiva do fim da fabricação de película em grande escala pela indústria fotográfica, a necessidade de migração para a tecnologia digital se impõe. Como explica Luiz Gonzaga de Luca, maior especialista em cinema digital no Brasil, até alguns anos atrás a fotografia caseira sustentava a fabricação de película em escala industrial, mas, com a adoção de câmeras digitais amadoras, a produção de película tem se reduzido drasticamente, encarecendo o produto. Na verdade, a exibição cinematográfica será um dos últimos segmentos da indústria a adotar a tecnologia digital, já amplamente utilizada na realização e finalização de produtos audiovisuais. A transição digital, portanto, é um fato; a questão é quando migrar e em que condições.
2. POR QUE A TRANSIÇÃO DIGITAL TEM SE MOSTRADO TÃO DEMORADA?
São vários fatores. Como explica Michael Karagosian, consultor da Nato (a associação de exibidores dos EUA), a projeção digital é uma tecnologia de reposição, e não de inovação. Com exceção da possibilidade de exibição de filmes no formato de três dimensões estereoscópico (3D), ela não oferece novidades ao espectador e, portanto, não garante, por si só, o aumento da freqüência do público e do faturamento das salas de cinema (ao contrário, por exemplo, da chegada do som e da cor). A demora na definição de padrões de resolução pelos grandes estúdios, cujos produtos são responsáveis por boa parte da arrecadação do mercado theatrical no mundo, também “atrasou” a transição digital.
3. O QUE É DCI?
DCI é a sigla para Digital Cinema Initiative, comitê criado pelos sete grandes estúdios de Hollywood (Warner, Fox, Universal, Paramount, Disney, DreamWorks e Sony) com o objetivo de estudar os padrões digitais que seriam adotados para a projeção de seus filmes. O DCI foi formado sem prazos estabelecidos a fim de escapar da pressão de fornecedores. Com a divulgação de suas normas em julho de 2006, verificou-se que a digitalização das salas nesses padrões não seria tão simples, pois os equipamentos envolvidos não são de linha industrial. Os principais requisitos são a compressão de imagem em JPEG 2000 e a resolução de 2K ou 4K. Um dos objetivos da DCI foi a criação de um estudo único dos estúdios para diminuir ao máximo concorrências internas que terminassem por polarizar a indústria, como aconteceu, por exemplo, na guerra entre o BluRay e o HD-DVD, na substituição do DVD.
4. QUEM PAGA A CONTA DA TRANSIÇÃO DIGITAL?
Essa tem sido uma das questões mais complexas desse processo. O padrão DCI estabeleceu custos altos para os grupos de exibição, e, ao mesmo tempo, O setor da indústria que mais economiza com a tecnologia é a distribuição. A questão “quem vai pagar a conta” foi discutida exaustivamente. Nos Estados Unidos, a solução encontrada foi uma fórmula batizada de virtual print fee (vpf).
5. O QUE É VIRTUAL PRINT FEE (VPF)?
É um dos modelos possíveis de financiamento da substituição dos projetores das salas de cinema, em que o distribuidor arca com parte dos custos do projetor. Este é o modelo que vem sendo amplamente adotado nos Estados Unidos. Em tradução literal, seria algo como uma “remuneração pela cópia virtual”, isto é, uma contribuição que o distribuidor dá pelo fato de o exibidor ter optado pelo formato digital, proporcionando a economia da confecção de uma cópia 35mm. Na verdade, esse pagamento não é feito diretamente ao exibidor, mas a uma terceira parte, um elemento integrador que se mostrou fundamental para viabilizar a transição digital. Esse elemento é formado por uma associação entre fabricantes de projetores e fornecedores de softwares. O elemento integrador se encarrega da instalação dos projetores e sistemas operacionais, cabendo ao exibidor os custos de manutenção. Cada vez que um distribuidor substitui a entrega de uma cópia 35mm por suportes digitais (em geral, HDs), remunera o fornecedor de equipamentos e o transmissor do suporte digital num valor equivalente (ou menor) ao que despenderia pela cópia. Em média, o vpf que tem sido pago nos EUA fica em torno de US$ 800 a US$ 1 mil por cada fornecimento de cópia digital. Mas, como explica Luiz Gonzaga de Luca, “além de ser uma remuneração, o vpf é também uma garantia ao financiador dos equipamentos”. Ele é a única relação entre o distribuidor e o financiador, que fez uma operação direta com o exibidor. O financiador não é o fornecedor tecnológico, mas sim um banco ou uma empresa de leasing, que pode trabalhar em conjunto com o fornecedor tecnológico. O vpf é, de certa forma, o avalista da operação do exibidor com o financiador.
6. EM QUE SITUAÇÃO ESTÁ A TRANSIÇÃO DIGITAL NOS EUA?
Segundo dados da NATO divulgados no último ShoWest, já existem 4,6 mil salas operando no país no sistema digital. Todos os circuitos adotaram a fórmula do vpf, que foi negociada caso a caso, dependendo do tamanho e do peso de mercado de cada grupo de exibição. A expectativa é de que até dezembro de 2009 sejam assinados contratos que atinjam 22 mil salas, o que significa que até o fim do ano que vem cerca de 70% do circuito exibidor americano poderão estar operando com projeção digital. Muitos exibidores pequenos e independentes, porém, ainda não adotaram o sistema por dificuldades de aplicar a fórmula do vpf.
7. QUAIS SÃO OS CUSTOS DA TRANSIÇÃO DIGITAL NO BRASIL?
O preço de cada projetor digital no padrão DCI é de aproximadamente US$ 85 mil. Com o preço do servidor de cada sala, esse custo sobe para US$ 157 mil. Considerando também a necessidade de aquisição de um servidor operacional e de um “library server” para cada complexo, os custos da digitalização se elevam para cerca de US$ 170 mil por sala. Considerando-se que o circuito brasileiro tem, hoje, 2.120 salas, o custo total da conversão do circuito seria de aproximadamente US$ 360 milhões, ou seja, R$ 600 milhões – quase a arrecadação total do mercado de theatrical brasileiro em um ano.
8. A ADOÇÃO DO VIRTUAL PRINT FEE É VIÁVEL NO BRASIL?
O cálculo do virtual print fee é negociado separadamente com cada grupo exibidor. Variáveis como o número de cópias que deixaram de ser produzidas para esse grupo, a rentabilidade média das cópias e o fato de a maioria das salas desse grupo específico pertencer ao circuito de lançamento (first run) entram na equação, o que dificulta a adoção do vpf por exibidores independentes e de menor porte. Segundo estudos preliminares já realizados, cerca de 700 salas do circuito brasileiro (33% do total) concentram 80% da receita. Quase 70% do circuito ainda são formados por cinemas com menos de três salas. Diante desse cenário, para viabilizar a adoção da vpf, uma sala de cinema precisará ter uma média de 50 mil espectadores por ano a um preço médio do ingresso de R$ 9. Isso significa que, caso o “ex-tarifário” que reduziu o IPI para 2% (válido até 31 de dezembro de 2008) não seja prorrogado pelo governo, 540 salas de cinema poderiam ser atendidas pelo sistema vpf. Esse número sobe para 620 salas caso o “ex-tarifário” seja mantido e para 860 salas se caírem todos os impostos.
9. QUAIS SÃO OS CUSTOS DE MANUTENÇÃO DOS PROJETORES DIGITAIS E QUAL A EXPECTATIVA DE VIDA DO PROJETOR?
Segundo Michael Karagosian, os custos de manutenção de projetores digitais são bem maiores que os de projetores 35 mm. Enquanto os equipamentos 35mm têm vida média de 25 a 30 anos, a estimativa é de que projetores digitais durem cerca de dez anos. No sistema analógico, em película, os custos de manutenção giravam em torno de US$ 10 mil po