Poetas do Piauí

Prosaica poesia.

Domingo, 28 de Setembro de 2008 as 18h:44
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Não sei se por carência, cadência ou essência o blues traz tua lembrança. Talvez a lambança de nossos corpos suados nesse b-r-o bró infernal, a explosão interna e o tempo quente entorpeceram a gente, mentalmente, fizeram delirar, gritar, gemer, puxar, frases desconexas bradamos, por vezes.

Talvez tenhamos conexões externas de reconhecido encaixe. Mesmo que ache cedo, talvez por medo do passado latejante, posso sentir teu pensamento, tua indicação prazerosa, a dança que leva aos pontos sinuosos do teu jorro milimetricamente impensado, nanometricamente improvisado.

Posso até imaginar que tens dezesseis, que a vida começa a cada seguinte impiedoso dia, que o sentimento é atemporal, mas está próximo o fim do mundo.

Portanto, não estando moribundo e à medida que urge o tempo, tenho o intento de permanentemente praticar: enquanto a música não acaba e o fogo arde, o calor abafa, o blues excita e o sexo disfarça.

renato barros

prototype.

Domingo, 28 de Setembro de 2008 as 18h:42
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E todo o silêncio da modernidade

Asfiquixia minha casa

E minha poesia impura e calculada

Veste a ferrugem de um coágulo

Recompondo a minha ânsia

E minha solidão.

Todos se divertem

E eu estou aqui estudando miolos

Todos se apaixonam

E eu estou envelhecendo com o amor

Todos festejam o que quer que seja

E pelas paredes velhas do que sou

Tenho um ser malogrado e sem centelha.

Estou asfiquiciado... estou desqualificado

Para compor a mesa. Dê-me um cigarro,

Não fumo... Corte o copo ao meio

Tenho doenças por bebida... quero comer

Saudades postas... sei que o teu rosto não é

o de outrora, nem o meu.

Mas tenho algo, formidável e puro

Para escalar estrelas...

DSLs... domínio e arcabouços de construções,

Isso que eu tenho... design patterns... técnicas, ruídos

Tristan tzara, dores de Rimbaud, melancolia

De suicídio, um espírito fora do lugar,

Um ser que cospe no espelho e não tolera a paz.

Violão. Violão.

Violão.

Violão.

Meu coração

poluído de uma neve escura e dorsal

Manuseia flores de satan.

CaBral

Um recado na garrafa:

Domingo, 28 de Setembro de 2008 as 18h:38
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Menina, abre os olhos

O mundo é um moinho, então

Não fica aí parada com cara de trigo

Não deixa a vida correr feito água entre os dedos

Menina dos olhos de pedra

Não espalha os segredos ao vento

E nem guarda debaixo da terra

Não se guarda pra quando o carnaval chegar

Explode no silêncio das horas comuns

Estilhaçando a tristeza

Pára o tempo num riso

Que se for preciso

A gente esconde da gente

A dor, a tristeza e outras coisas

E o resto que é bom

A gente sente.

Éverton Diego

SONETO DO GRITO PELA MANHÃ

Domingo, 28 de Setembro de 2008 as 18h:35
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Havia dor de amanhecer cuspido

Era gloriamente anunciado

O sol dizendo-me no céu, caído

Queimando aquele sonho amadrugado

Resplandecente, seu mudo dizer

Ia saindo, vinha possuído

Da avidez lisura, ruidosamente

Nascente, do posto ao posto, e crescer...

Eia, capitular da natureza!

Vida passada à face da pureza,

Aprende!Então ao movente esparso

Entre nocivo e necessário, chega!

É viva toda a consistência cega

De si. Cheia de si e, portanto, cega!

ROBSON CUNHA

imerso Imenso.

Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2008 as 12h:21
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novamente sinto asco.

áspero, eriçado, ofegante,

dói novamente respirar

e renovar,

rememorar,

remanescer e renascer,

cerrar o punho,

espernear.

estou longe, vasto, só, decrépito,

esperma externo,

ideal eterno da moral salutar.

soluçar,

sufocar,

soluçar.

não pára agonia pura,

escura,

pintura,

escultura plástica,

artreiro pincel pincelando feitiçar.

e o corvo a espreita de outro vôo,

e sorver a colheita,

cheirar a carniça,

saborear os vermes,

os podres cernes,

o bom ar.

e o polvo escurece a vista denovo,

acidente biológico,

tinta ao mar.

amar polvo é dar sem ver

nem crer em volta,

tampouco falar,

pronunciar

respirar.

por quanto tempo aguento,

quando irei sufocar

deixo à poseidon,

ogun, oxalá,

Yemanjá,

Yemaya ou Yemoja

qualquer deus pagão,

qualquer africano orixá.

renato barros.

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