Por Francisco Aristides
A ufologia já passou por uma série de representações dentro da linguagem fílmica, das mais comoventes como: “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, de Steven Spielberg e os mais bizarros e lamentáveis como “Independence Day”, de caráter propagandístico e voltado para entreter as massas que se espremem para ter uma válvula de escape e se divertir com aliens grudentos e malvados... Gostaria de focalizar esse ensaio numa história que já apavorou multidões desde 30 de outubro de 1938, com a exibição radiofônica por Orson Welles mundialmente conhecida que fez muita gente atirar para o céu de Nova York pensando que “eles” tinham chegado, provocando nos EUA o maior evento de histeria coletiva já vista (sem falar do WTC...). No Brasil aconteceu algo parecido em Caratinga (MG), sendo que uma transmissão fictícia expõe a aterrissagem de um Ufo fazendo dos habitantes acreditarem em tal cena, no qual essa mesma transmissão foi repassada para o Rio de Janeiro causando reboliço no Ministério da Aeronáutica em 1954 e em São Luís no ano de 1971 através do programa “Paradão do Rayol”, deixando a população apavorada. Falo de “Guerra dos Mundos”, a versão rara e disputada por ufólogos cinéfilos de todo o mundo que foi filmada em 1953.
A forma que o pensamento da época absorvia essa temática era de forma bem escatológica, comparando a invasão de tais seres hostis às guerras mundiais que tivemos experiência, causando pânico no espectador que assiste “apavorado”. Para nós, filhos do relativismo pós-moderno em que tudo é volátil e esvaziado, sorrimos anacronicamente sem entender a magia do horror e do suspense que o filme denuncia, debochando dos efeitos produzidos pelo diretor Byron Haskin, que colocou dentro de suas possibilidades o registro do seu tempo. De forma tosca e primária, temos naves penduradas em linhas e raios térmicos sobrepostos destruindo maquetes de cidades, com um cenário basicamente montado para cenas curtas e cheio de tensão típica dos anos 50.
É uma representação em seus limites e filha de sua época. Com certeza não teremos a mesma sensação que eles tiveram a tantos anos atrás, mas precisamos perceber nessa obra seu caráter de como os sujeitos viam seu tempo, denunciando de forma artística a angústia em que H.G. Wells possuía em relação aos extraterrestres. É extremamente inovador nos anos 50 tratar de assunto tão polêmico como aliens através do cinema, mas devemos ter em mente que essa preocupação de pensar o tema foi feito no final do século XIX (1898) pela literatura em que H.G Wells ficcionaliza em sua obra, marco na ficção científica, a terrível invasão de ets e a destruição do planeta, mas a partir de uma reviravolta imprevisível, os humanos vencem essa guerra.
Fazendo um paralelo com a situação da época, o historiador Alexandre Busko, no qual compartilho tal análise diz:
“A invasão dos marcianos e sua falta de anti-corpos se relacionavam a um questionamento da civilização e do imperialismo inglês do século XIX. A cruel dominação dos invasores, que se alimentam de sangue humano, matavam sem necessidade e transformavam tudo ao seu alcance em cinzas, é alusão à destruição da natureza e aos genocídios praticados pela política colonialista” (Revista de História da Biblioteca Nacional, número 4, out. 2005).
A problemática dessa história é simples: o niilismo exposto com relação aos alienígenas é um sinal de como ainda, desde 1898, estamos sem preparo para receber qualquer tipo de invasão ou intervenção de tais seres que não sabemos suas intenções se aqui querem atravessar. Precisamos refletir mais sobre as intenções deles e caso ocorra à possibilidade de ataque, saibamos nos posicionar frente ao evento e não fiquemos loucos pedindo socorro ao exército ou algo do tipo.
O filme nos expõe a nossa crise como seres humanos sem senso de coletividade e harmonia, vivendo num lamentável individualismo e se envolvendo no manto religioso na busca de proteger nossos interesses. Ao assistir ess