A pergunta sempre excitou a imaginação do homem: há vida em outros planetas além da Terra? Filmes e livros já ofereceram inúmeras versões no campo da ficção. Na área da ciência, uma pesquisa reunindo astrônomos e químicos tem se aproximado mais da realidade ao recriar em laboratório as condições da atmosfera de Titã, uma das luas de Saturno.
No experimento, os pesquisadores identificaram a formação de adenina, uma das quatro bases do DNA. Isso leva à pressuposição de que, sob determinadas circunstâncias, a possibilidade de vida em Titã é bastante real.
Metano no lugar da água
Mas, para começar, o que levou os pesquisadores Sérgio Pilling e Diana Andrade, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), unidos a cientistas do Laboratório Nacional de Luz Síncroton e da Universidade de Campinas, a escolherem essa lua de Saturno entre tantos outros planetas?
"Embora Enceladus e Europa - outros dois satélites dos planetas gasosos - abriguem oceanos no subsolo, de todo o sistema solar, Titã é o único ambiente com líquido à superfície, além da Terra. Existe ainda a suspeita de existência de lençóis freáticos abaixo da superfície de Marte. Mas de forma análoga ao ciclo hidrológico na Terra, em Titã, temos o metano fazendo esse papel. Ou seja, há chuva, rios e lagos de metano. Recentemente, a partir de dados da sonda Cassini, foram identificados lagos contendo outro hidrocarboneto, o etano", diz o pesquisador.
Já se sabe também que a lua de Saturno tem nuvens que seguem modelo um climático.
Terra primordial
Com uma atmosfera que combina nitrogênio, metano e certa abundância de material orgânico, dizem os pesquisadores que Titã é, sob certos aspectos, mais parecido com a Terra do que qualquer outro objeto do sistema solar. E isso apesar de temperaturas superficiais baixíssimas, de cerca de 180 graus negativos.
Nele, há vulcões que expelem amônia e metano, lagos de metano e de etano, além de dunas de neve de metano e areia. O que nos parece um ambiente estranho, pode ser bastante similar à Terra em seus primórdios. E entender como a vida pode surgir em Titã nos levará a compreender também o que se passou na Terra depois do Big Bang.
"Em Titã, há algumas hipóteses para a origem do metano, que, em parte, pode ter origem em cometas, ou ser resultado da produção do metabolismo de bactérias, embora isso seja mais difícil devido à baixa temperatura da lua. Materiais ricos em compostos orgânicos, conhecidos como tholins, processados por radiação solar, e descargas elétricas na atmosfera também podem acabar gerando metano", exemplifica o pesquisador.
Crédito: Texto de Vilma Homero - Faperj/site www.inovacaotecnologica.com.br