Para comemorar o Bicentenário da Independência do Brasil, a Rede Meio Norte preparou um especial inédito e ousado que conta a história das cidades com o mesmo nome existentes no Piauí e em Portugal. A viagem pelos dois territórios finaliza com reportagens especiais nas "Amarantes".

A verdade é que nas duas Amarantes, duas coisas não faltam: beleza e história. Além disso, uma estreita relação com São Gonçalo, que mandou construir uma ponte em Amarante de Portugal e deu nome à vila e ao porto que deram origem a Amarante, no Piauí. 

São Gonçalo é figura presente nas duas cidades. Crédito: Reprodução/Wikipédia.São Gonçalo é figura presente nas duas cidades. Crédito: Reprodução/Wikipédia.São Gonçalo

Em Amarante de Portugal, a famosa Ponte de São Gonçalo, construída a mando do Santo em pleno século XIII, sediou algumas batalhas, como a do povo português contra as impiedosas tropas de Napoleão. A estrutura segue como um símbolo, que leva ao principal ponto de referência da cidade: o Convento de São Gonçalo.

A Ponte de São Gonçalo. Crédito: António Amen/Wikipédia.A Ponte de São Gonçalo. Crédito: António Amen/Wikipédia.

O convento, construído em cima do lugar onde São Gonçalo viveu, é um ponto de turismo histórico de cristão. Daniel Ribeiro, arqueólogo, explica a importância do local. 

"Ele se tornou padre e fez uma peregrinação que durou 14 anos, passando por Roma, até chegar a Jerusalém. Ele retorna a Portugal completamente diferente", conta. 

O corpo de São Gonçalo permanece na Igreja, com a fama de santo casamenteiro. "Santo Antônio casa as novas, São Gonçalo as velhas", brinca o arqueólogo. 

A fama do santo também chega às padarias, que fazem doces em formatos de pênis. E sim, isso também é uma homenagem a São Gonçalo, que é conhecido por abençoar a reprodução dos animais. 

"Também no aspecto agrícola, para que houvesse boas colheitas. Além disso, a tradição também passou para a reprodução humana", conta a confeiteira Milinha Barbosa.

Uma Amarante com muita poesia

Piauí, terra querida. Filha do céu do Equador. O autor do hino do Piauí, Antônio Francisco da Costa e Silva, nascido em Amarante, no Piauí, cidade localizada a 160 km de Teresina, é dono de uma rica e extensa obra. O legado do poeta permanece inspirando pessoas em vários cantos do Brasil. 

A exemplo do médico paraibano Francisco Gomes, o Dr. Tatá. Ele transformou a clínica onde trabalha em um museu para Da Costa e Silva. "Se você quer conhecer o Brasil, leia a poesia brasileira. Este trabalho que fizemos aqui já trouxe muitas pessoas, como o filho do poeta, o Dr. Alberto, que fez uma visita aqui", lembra. 

Repleta de cenários naturais, o Rio Parnaíba, o Velho Monge, dá um tom pacífico à paisagem da cidade. Melquíades Barroso, professor, conta que a cidade nasceu em razão da proximidade com o rio. E aqui, mais uma vez aparece a figura de São Gonçalo. 

"Amarante surgiu de uma necessidade de comunicação e translado de mercadorias, principalmente para a capital, Oeiras. Aqui era o ideal para aportar lanchas, balsas. Então as casas surgem com essa arquitetura de pequenos armazéns, fruto da Vila de São Gonçalo e do Porto de São Gonçalo", explica.

Os primeiros moradores foram os indígenas acoroás. Ali também se instalou o bicentenário Quilombo do Mimbó, fruto da resistência do povo negro. As escadarias coloridas, símbolo contemporâneo da cidade, dão alegria e brilho à paisagem. A verdade é que a cultura e a história estão presentes por toda a cidade, como parte do cotidiano dos munícipes de Amarante. No Museu do Divino, por exemplo, há vários elementos que marcam a grandiosa festa religiosa. 

Além de Da Costa e Silva, outros escritores importantes nasceram em Amarante. Como Clóvis Moura, um dos principais escritores negros do Brasil, que teve suas cinzas espalhadas na cidade natal. Daí o Museu das Letras instalado na cidade, que conta a história da literatura do Piauí.