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Os acervos científicos brasileiros: vamos refletir e agir?

Os acervos científicos brasileiros: vamos refletir e agir?
Antes e durante o incêndio que devastou o Museu Nacional do Rio de Janeiro, nosso museu mais antigo. | SBMT

O Brasil é um país de dimensões continentais e muito heterogêneo, possuindo desde áreas recobertas por florestas tropicais (Floresta Amazônica e Mata Atlântica) até áreas mais abertas e secas (Cerrado e Caatinga) ou mesmo ambientes costeiros (manguezais).

O Brasil detém parcela significativa da biodiversidade mundial, cerca de 20%, o que lhe confere o título de megadiverso, implicando em extraordinária potencialidade diante de demandas ambientais e biotecnológicas, nas quais o capital natural pode gerar grandes benefícios econômicos e sociais quando bem administrado sob o ponto de vista do uso sustentável da Biodiversidade.

Exemplo claro disso são os babaçuais, carnaubais e buritizais no meio-norte do Brasil, cujo melhoramento do beneficiamento de suas respectivas cadeias e as implicações positivas para as sociedades maranhense e piauiense serão tratados em outro texto.

Voltemos ao nosso tema, coleções científicas. Apesar de megadiverso o Brasil possui uma porcentagem insignificante do acervo biológico científico total do mundo necessitando, assim, de incremento urgente de seus acervos através de programas e políticas públicas voltados à realização de inventários biológicos, estruturação de coleções científicas e incentivo aos trabalhos de taxonomistas (profissionais responsáveis pela catalogação e descrição de nossa Biodiversidade).

Coleção de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Pará. Na imagem a ex-curadora e responsável pelo acervo Dra Suely Marques Aguiar que dedicou anos de sua vida aos cuidados com este acervo de valor imensurável e à pesquisa dos morcegos amazônicos. O número de exemplares já é bem superior ao informado na foto, acima de 60 mil, constituindo nossa terceira maior instituição de pesquisa do Brasil. Fonte: MPEG


Os acervos biológicos representam a união do conhecimento acerca da biodiversidade, a partir do armazenamento de animais taxidermizados, preservados em formol e álcool, além de tecidos para estudos genéticos, dentre outros materiais. Essas coleções nos possibilitam catalogar espécies, entender sua história evolutiva, história natural do planeta e educação ambiental, de modo que permita-nos inferir sobre a biota de um local tanto no passado quanto no presente, além de várias outras possibilidades.

Dentre as muitas possibilidades de usos de acervos biológicos e suas implicações positivas para a sociedade está a educação ambiental. Nesta fota a imagem de crianças visitando uma exposição didática e científica organizada pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Fonte: liceupasteur.com.br

O sistema existente de coleções de serviço no Brasil é ainda bastante deficiente em razão da falta de uma política adequada, visto que a Ciência não é encarada como uma das prioridades brasileiras. Exemplo claro dessa problemática foram os cortes exorbitantes realizados durante a gestão do ex-presidente Temer (33%) e agora do atual presidente Jair Bolsonaro (42%), depois de alguns anos de crescimento, mesmo que tímido, na área de Ciência e Tecnologia. Uma realidade bem diferente pode ser observada nos Estados Unidos onde o governo investe cerca de 100 bilhões de dólares por ano em Ciência e Tecnologia, fato que resulta em museus bem estruturados como American Museum of Natural History (Nova York), Smithsonian Institution (Washington) e Field Museum (Chicago) dentre outras, além de instituições de ensino e pesquisa que figuram dentre as melhores do mundo, como a Universidade Harvard e Universidade Stanford.

A falta de investimentos adequados e estruturação nas instituições científicas brasileiras vem de longa data e tem se agravado, resultando, por exemplo, em dois grandes acidentes envolvendo coleções biológicas no Brasil, mas de relevância mundial: Museu Nacional do Rio de Janeiro e Instituto Butantan.

No acidente ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro , gerado a partir de problemas de instalação elétrica, estima-se que o acervo de 20 milhões de itens, como fósseis, múmias, peças indígenas e livros raros foram quase totalmente perdidos e alguns acervos biológicos que continuavam no prédio principal da Quinta da Boa Vista tiveram perdas significativas. Muitos foram os avisos e solicitações de recursos para estruturação dessa instituição sem o devido retorno das autoridades competentes.

Outro incêndio marca a triste história das coleções biológicas brasileiras, a que ocorreu no Instituto Butantan, que constituía a maior coleção de serpentes do Brasil e um centro de pesquisas biomédicas responsável pela produção de soros e vacinas. O acidente queimou cerca de 70 mil exemplares de répteis se encontravam preservados em formol e acondicionados em álcool.

Restos de animais após o incêndio que devastou o Instituto Butantan trazendo prejuízos irreparáveis e à tona a vexatória realidade dos acervos biológicos no Brasil. Grandes discussões, pouca prática e esquecimento. Fonte: http://lineshader.blogspot.com


É importante destacar que outras coleções brasileiras se encontram com sérios problemas de estruturação e falta de recursos, correndo também sério risco de trágicos acidentes. Após o acidente no Instituto Butantan houve toda uma série de discussões visando diminuir este quadro vexatório dos acervos brasileiros, mas, na prática, nada ou quase nada foi feito, pelo contrário, as políticas de austeridade aplicadas desde o governo Temer tem aprofundado a problemática. O governo atual reduziu a verba destinada à reconstrução do Museu Nacional em 21%, correspondendo a 11 milhões de reais, o que escancara o “descompromisso” do atual governo com Ciência e Tecnologia e por tabela com nossos acervos.

O que esperar de um país que não investe adequadamente em Ciência? Em acervos científicos? Em coleções Biológicas?

O que esperar de um país que continua cortando verbas já insuficientes para manutenção de nossos acervos?

O que esperar de um país sem cultura, história, memória e Ciência? Um país que não preza pelo uso racional de sua imensa Biodiversidade?

Uma nação que não zela adequadamente pela catalogação e acondicionamento apropriados dos diversos grupos biológicos em coleções de modo que sejam geradas informações cruciais para desenvolvimento em várias esferas?

O que nós cidadãos brasileiros podemos fazer em relação a isso? Esperar de braços cruzados por outros incêndios, outras perdas de valor incalculável? Observarmos atonitamente e passivamente o sucateamento de Nossa Ciência e com ela laboratórios e acervos biológicos já precários?

Para finalizar, caros leitores, o Nordeste do Brasil não possui nenhuma grande coleção biológica, um museu de História Natural. Amostras importantes estão guardadas no Museu nacional e no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo; o restante, parcela significativa de amostras, encontra-se espalhada em laboratórios de universidades públicas correndo grande perigo por falta de estruturação, segurança e investimentos. Sim, meus amigos, as universidades públicas são responsáveis por mais de 90% da pesquisa feito no Brasil, diferentemente do que tenta passar de modo irresponsável e sórdido o governo atual brasileiro para justificar o injustificável – praticamente o fim do que já está sucateado para privatização ou entrega ao setor privado.

Será que as futuras gerações terão ao menos ideia da grande Biodiversidade que já deteve este País? Essa pergunta me fiz, Cleuton Miranda, com os olhos marejados de lágrimas ao ver o encantamento de uma criança de uns 5 anos de idade durante exposição de exemplares de mamíferos depositados na recém criada coleção da fauna maranhense (COFAUMA) da Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, sob coordenação da Dra Lígia Tchaicka, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na capital maranhense em 2018.

Felipe Freitas, futuro biólogo, que praticamente escreveu este texto e atua ativamente na estruturação da coleção de mamíferos da Universidade Estadual do Maranhão, juntamente com outros alunos, estava lá presente e falou sobre a importância das coleções científicas para crianças de 5 anos de idade até idosos de mais de 60 anos, para os mais diferentes públicos, do advogado, juiz, farmacêutico à dona de casa ou ao “cabra” do interior do Maranhão, da roça. Felipe e eu agora temos a satisfação de escrever sobre acervos biológicos e coleções para você e tentar sensibiliza-lo sobre essa problemática. Ficaremos felizes se esse texto tiver propiciado novas informações, sensibilização, indignação, desejo de reinvindicações e esperanças de melhorias. Compartilhe se puder. Muito obrigado!

Felipe Freitas tem 17 anos e é graduando em Biologia pela UEMA, São Luís. Estagiário do Laboratório de Biodiversidade Molecular e Coleção da fauna maranhense, atuando com o componente mamíferos. Bolsista de extensão UEMA desenvolvendo a temática da importância das coleções científicas em seus vários aspectos para a sociedade.


Cleuton Lima Miranda - Mestre e Doutor em Zoologia pelo Museu Emílio Goeldi e pós-doutor na área de Biodiversidade pela UEMA. Atualmente orienta alunos de extensão na UEMA pelo Labimol em diversas temáticas ambientais. Ministra disciplinas em pólos da UEMA pelo Programa Ensinar. Colabora com a UEMANET na confecção de um curso de curta duração (MOOC) na área ambiental que estará disponível para 51 países. 


Agradecimentos: UEMA, Pró-reitoria de Extensão UEMA, Labimol, àqueles que cuidam de nossos acervos todos os dias mesmo diante de tantas adversidades.



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