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Biodiversidade e Sociedade

Os grandes desafios para se estudar e preservar a Amazônia maranhense

Os grandes desafios para se estudar e preservar a Amazônia maranhense
Fechamento de serraria clandestina no município de Zé Doca, oeste do Maranhão, evidenciando a problemática da exploração madeireira na Amazônia maranhense | Polícia Federal

O oeste do Maranhão é recoberto por floresta amazônica. Os limites exatos de até onde vai o bioma Amazônia nesse estado é difícil de se estabelecer, principalmente pelo elevado grau de degradação ambiental próximo à capital do estado, São Luís, e cidades adjacentes de maior porte, além das faixas de transição naturais entre Amazônia e outros tipos de ambientes. O fato é que essa região se encontra bastante impactada por atividades madeireiras, estando  inserida em uma “faixa” conhecida como arco do desmatamento, ou seja, região que figura dentre as mais impactadas e ameaçadas na Amazônia brasileira.

Sob essa perspectiva, vale destacar que a taxa de desmatamento para Amazônia brasileira em 2018 apresentou aumento de cerca de 14%. Lembrando, caro leitor, que o desmatamento implica diretamente em perda de ambientes ou hábitats naturais, com fortes implicações negativas para a Biodiversidade (diminuição de populações, desaparecimento de espécies, maior grau de atropelamento em rodovias, empobrecimento genético por isolamento em fragmentos de vegetação natural, dentre outros fatores).

A única Unidade de Conservação integral na amazônia maranhense, ou seja, onde não pode haver uso para fins econômicos, mas apenas pesquisas e educação, representando verdadeiro santuário para preservação da Biodiversidade na região mencionada é a Reserva Biológica do Gurupi (REBIO Gurupi). No entanto, esta Unidade de Conservação enfrenta sérios problemas no que se refere à exploração madeireira ilegal, sendo difícil até mesmo a realização de pesquisas em segurança, haja vista histórico de conflitos entre os que tentam proteger essa reserva e contraventores da lei, sendo necessário, geralmente, escolta policial para realização de estudos dentro desta área, o que certamente contribui para menor número de pesquisas e geração de conhecimento, prejudicando elaboração de planos de ação ou planos de manejo e políticas públicas para sua gestão mais efetiva (Imagem abaixo retrata a problemática relacionada à exploração ilegal madeireira. Fechamento de serraria clandestina em Zé Doca. Crédito: Polícia Federal). 

Durante a gestão da ex-ministra de meio ambiente, Marina Silva, grandes operações de combate à exploração madeireira ilegal foram realizadas, com resultados positivos, porém, infelizmente, tais ações não tiveram continuidade na mesma magnitude. Outras Unidades de Conservação, mas de uso sustentável, foram criadas durante a gestão do ex-ministro de meio ambiente Sarney Filho, destacando-se a Reserva extrativista do Cururupu, visando a preservação e uso sustentável dos recursos ali disponíveis, além de salvaguardar as comunidades quilombolas.

No entanto, a grande maioria das Unidades de Conservação no Maranhão permanece sem planos de manejo, instrumento básico para gerir estas áreas de proteção da Biodiversidade. Dentre as Unidades de Conservação estaduais do Maranhão apenas uma possui plano de manejo. Pasmem! Senhor governador Flávio Dino, senhor secretário de meio ambiente, senhores gestores e os mais diferentes atores da sociedade maranhense, precisamos lançar um olhar mais cuidadoso em relação a esse quadro negativo e vexatório com proposição de políticas públicas que visem a elaboração dos planos de manejo e ações concretas para que essas Unidades de Conservação não existam “apenas no papel”, mas se prestem a cumprir, na prática, o papel para o qual foram criadas, o que inclui preservar nossa Biodiversidade, seu uso sustentável e  propiciar geração de conhecimento e rendas alternativas para sociedade maranhense, sobretudo no que se refere as populações mais vulneráveis, cumprindo assim a legislação ambiental vigente.

Nesse momento se discute a criação de novas Unidades de Conservação estaduais para o Maranhão na secretaria estadual de meio ambiente. Discussao importante. Mas me cabe perguntar se estas também ficarão apenas no papel? Espero piamente que não. Não seria mais interessante "fazer valer" as que já existem? As instituições de ensino e pesquisa do Maranhão estão à disposição certamente com dezenas de pesquisadorse gabaritados e alunos de graduaçãoe  pós-graduação que poderiam realizar seus estudos nessas Unidades de Conservação. Que tal convênios envolvendo governo, municípios, instituições de ensino e pesquisa do Maranhão, Organizações não governamentais brasileiras e do exterior e a própria iniciativa privada? 

O estado do Pará já nos mostrou experiência muito positiva na criação de Unidades de Conservação em regiões de difícil acesso no norte daquele estado durante a gestão da governadora Ana Julia Carepa, àquela época filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) através de convênios com instituições de ensino e pesquisa, ONG's e iniciativa privada, sendo legalmente possível. Lá no norte do Pará a realidade era mais complexa por conta dos rios não serem navegáveis, as distâncias enormes e a logística para se chegar até os locais para elaboração dos estudos muito complexa. Ainda assim funcionou muito bem, como pode ser comprovado pelos planos de manejo para todas as UC's e continuidade de estudos (Imagem abaixo mostra o mosaico de Unidades de Conservação no norte do Pará. Foram criadas 5 novas Unidades, em diferentes categorias, destacando-se a Estação Ecológica Grão-Pará. Estas Unidades se juntaram as já existentes no Pará e Amapá para formar um corredor transnacional que inclui outros países como Suriname e Guiana Francesa. Participei dos estudos faunísticos e da elaboração dos planos de manejo das 5 Unidades de Conservação através do Museu Paraense Emílio Goeldi. Fonte: Iepé).

 Diante do exposto em relação ao Pará deixo a seguinte indagação: por que não funcionaria para o Maranhão onde as condições são bem mais favoráveis? Os gastos aqui seriam menores, ou melhor, os investimentos. Aqui deixo uma opinião pessoal minha: sou profundo admirador da gestão realizada pelo governador Flavio Dino e pelas conquistas sócio-econômicas alcançadas no Maranhão, louváveis. Porém, no que se refere às políticas públicas voltadas ao Meio Ambiente, ainda temos um caminho muito longo até chegarmos à mesma qualidade apresentada na área da Educação, Ciência e Tecnologia e Urbanizaçãoe  estruturação dos municípios, por exemplo.

Agora estamos organizando uma excursão científica para a REBIO Gurupi onde há espécies de fauna ameaçadas de extinção, amplamente caçadas, perdendo hábitats naturais pela derrubada de árvores de valor comercial, e até mesmo presença de nova espécie para Ciência. Iremos sob escolta da polícia Ambiental do Maranhão por conta dos conflitos já mencionados. Aproveito para agradecer piamente a policia ambiental pela parceria com a Universidade Estadual do Maranhão para estudos sobre Biodiversidade e Conservação no Maranhão, a qual gerará bons frutos .  Espero mostrar alguns resultados dessa pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA) aqui nesse espaço. Ademais,  desejo que em breve pesquisadores não precisem ir realizar estudos em Unidades de Conservação do Maranhão sob proteção policial. Estamos aguardando liberação dos recursos da FAPEMA para concretizar essa excursão científica (Imagens abaixo. A primeira trata do macaco conhecido como cuxiú-preto, Chiropotes satanas, espécie sob ameaça de extinção que ocorre na Amazônia maranhense e REBIO Gurupi (Fonte: Liza Veiga). A segunda imagem trata de um marsupial do gênero Metachirus, conhecido como cuíca-de-quatro-olhos ou jupatí. Uma nova espécie desse marsupial ocorre no oeste do Maranhãe e REBIO Gurupi [Fonte: Fiona Reid ).

O próximo texto tratará da problemática da caça no meio-norte do Brasil, questão grave enfrentada também na Amazônia maranhense, região abordada nesse texto. Mais a frente também abordarei a problemática do tráfico de animais silvestres no meio-norte em colaboração com colegas especialistas.

Muito obrigado e até mais, caros leitores e amigos.


Dr. Cleuton Lima Miranda

Biólogo formado pela Universidade Federal do Piauí (2005)

Mestre  e Doutor em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Pará (2008 e 2016, respectivamente)

Pós-doutor na área de Biodiversidade pela Universidade Estadual do Maranhão, São Luís (2018)



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