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A violência no Brasil mata quase um Vietnã por ano

A violência no Brasil mata quase um Vietnã por ano
A violência no Brasil mata quase um Vietnã por ano | internet

Sociologicamente, existe, em todo o Brasil, uma profunda prática de violência da existência humana. No país, ninguém vive, entra ou sai sem provar de uma das nossas diversas formas de violência. As vítimas preferenciais – ou os bodes expiatórios de todas as mazelas brasileiras - são crianças, mulheres, idosos e as juventudes negras, moradores das periferias e de baixa escolaridade (ATLAS DA VIOLÊNCIA, 2019).

Antropologicamente, trata-se de uma sociedade que tem uma prática de violência estrutural, que mata quase um Vietnã por ano e só vê a violência no outro, nunca em si, cujo “ódio cordial" perpassa a formação do povo brasileiro, transformando-o em racismo, corrupção, feminicídio, preconceito, homicídio, homofobia etc. Resistimos em admitir que temos o ódio em nossas entranhas sociohistóricas.

Historicamente, em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda afirma, “o Brasil é, em essência, a terra do homem cordial” (i.e., somos a terra do coração). Vivemos sempre na linha tênue de uma guerra civil, que se ensaia todos os dias nas periferias. Ensinamos aos nossos filhos que na vida é vencer ou vencer, pois só o mais forte, o mais violento, o mais agressivo é o mais bem-sucedido na sociedade. Mas que, natalinicamente, ano após ano, exercitamos a solidariedade personalista, quando fingimos uma comunhão social.

Experimentamos um mundo em que a função do hospício não é confinar os loucos, mas garantir que os que estão fora não são loucos, ou seja, dá um parâmetro para que os que estão do lado de fora se sintam normais (MICHAEL FOUCAULT, 2002). Só enxergamos a violência no outro e nunca no eu, dentro de uma sociedade falocêntrica, aquela socializada pelos valores do masculino: a força, o vigor, a raiva, a ira, o decidido, o vitorioso, o agressivo, o impositor, o não negociador, o odiador.

O Atlas da Violência 2019 mostra inúmeros indicadores que revelam um processo de acentuada violência no país, rumando para a “banalidade do mal” (HANNAH ARENDT, 1906-1975) e o drama da espetacularização da violência, racialmente concentrada em negras e negros. Com isso, celebramos os vários programas policialescos, que nos fazem deleitar com as cotidianas cenas de horror, violência e desgraça dos outros, cabendo a nós os compartilhamentos virtuais com imagens reais de sangue.

Politicamente, por um lado, a esquerda idealiza um futuro possível e, por outro lado, a direita idealiza um passado improvável. Comum em ambos, somente as promessas e partidos de aluguel. Naturalmente, matamos e odiamos pela vitória ou derrota de um time de futebol; usamos a lei para fraudar o erário; enterramos a merenda escolar.

A violência letal no país nos revela um contexto político e institucional inconsequente que, paradoxalmente, pouco se preocupa em saber sobre as origens e razões desse movimento violento e criminal, incluindo a morte de policiais, para a promoção de melhores condições de enfrentamento ao crime e à violência na sociedade brasileira.

Por exemplo, as “teorias de estilo de vida” (life-style models) e “oportunidades” (opportunity models) podem contribuir para a discussão de iniciativas que minimizem os riscos da atividade policial, para que se paute na proteção aos direitos humanos e não na eterna higienização social por ódio aos pobres. E, assim, não instrumentalizar a polícia para retribuir a violência com mais violência numa banalidade do mal.

Portanto, por falta de uma proposta de intervenção qualificada, o Estado apela às operações de “Garantia da Lei e da Ordem” (GLO) em bairros populares e favelas, para negar a defesa dos direitos fundamentais da população mais afetada.

Arnaldo Eugênio
Doutor em Ciências Sociais/Antropologia em Pontifical Catholic University of São Paulo


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