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"Ele dizia que ia fazer uma besteira", diz amigo de Eloá durante julgamento

"Ele dizia que ia fazer uma besteira", diz amigo de Eloá durante julgamento

"Ele dizia que ia fazer uma besteira", diz amigo de Eloá durante julgamento
"Ele dizia que ia fazer uma besteira", diz amigo de Eloá durante julgamento | arquivo internet

A segunda pessoa a testemunhar no julgamento do caso Eloá nesta segunda-feira (13) é Victor Lopes de Campos, um dos amigos da jovem que também foi mantido refém em 2008 pelo réu Lindemberg Alves, ex-namorado de Eloá ?que foi morta ao fim de um cárcere de cerca de cem horas.

"Vou atirar em um de vocês para botarem fé em mim", disse Victor respondendo às perguntas da promotora Daniela Hashimoto. "Ele dizia que ia fazer uma besteira." O jovem também relatou como foi o momento do cárcere. "O que me dava mais medo era ver meus amigos tomarem um tiro, acontecer alguma tragédia", afirmou.

Após responder a poucas perguntas da defesa, Victor encerrou seu depoimento. A próxima testemunha a falar foi Iago Oliveira, amigo de Eloá que também foi feito refém. "Fiz tratamento psicológico para me curar do trauma", disse Iago à juíza Milena Dias.

O julgamento começou hoje no Fórum de Santo André, no ABC Paulista, e pode durar entre três e quatro dias. Antes de Victor, quem falou foi Nayara Rodrigues, também feita refém. Durante o cárcere privado, Nayara chegou a ser libertada, mas acabou retornando ao cativeiro. O réu foi retirado da sala a pedido da testemunha, mas retornou ao local ao fim do depoimento da jovem.

Lindemberg agrediu várias vezes a Eloá enquanto nos mantinha reféns", disse Nayara. Para a jovem, o acusado queria se livrar dela para ficar sozinho com Eloá. ?Quando eu voltei ao apartamento, ela estava bastante machucada. (...) Eloá dizia o tempo todo que sabia que ia morrer?, declarou Nayara, que foi ferida por um tiro no rosto quando a polícia invadiu o local.

A jovem afirmou que ouviu três disparos antes da entrada da polícia no apartamento --o que comprova a tese da acusação, de que os tiros partiram do réu e não da polícia.

A amiga de Eloá também falou sobre o comportamento do ex-namorado da vítima. ?Lindemberg passou a perseguir a Eloá depois que eles terminaram o namoro?, completou. Já sobre o comportamento do réu durante o cárcere, ela afirmou que Lindemberg dava risada e se vangloriava pela repercussão do caso na mídia. "Na televisão só passava isso [relatos do caso]", disse Nayara.

Durante este primeiro depoimento, o réu foi tirado da sala a pedido das testemunhas. Nayara terminou de falar por volta das 17h.

O réu é acusado de cometer 12 crimes, entre eles homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, tentativa de homicídio (contra Nayara Rodrigues e contra o sargento Atos Valeriano, que participou da ação de resgate), cárcere privado e disparos de arma de fogo. Se for condenado por todos os crimes, a pena pode ser superior a cem anos de prisão --Lindemberg está preso desde 2008.

O julgamento

O julgamento começou nesta segunda-feira, com o sorteio dos jurados --de um grupo de 25 pessoas, sete foram sorteadas para compor o júri: seis homens e uma mulher.

Depois da escolha dos jurados, serão chamadas as testemunhas convocadas pelo Ministério Público e, na sequência, as testemunhas da defesa. Após os depoimentos, o réu, então, será interrogado ?Lindemberg, que até agora se recusou a falar, poderá permanecer calado. Após essa etapa, os debates são abertos, com uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa (além da réplica e da tréplica).

No começo do primeiro dia de julgamento foram exibidas reportagens de diversas emissoras de televisão, incluindo uma entrevista com o réu e trechos das negociações com a polícia.

Durante esse período inicial, Lindemberg manteve o olhar sempre fixo para frente ?onde ficam os jurados, que assistiam aos vídeos? e as mãos juntas entre as pernas, sem esboçar nenhuma reação. Lindemberg chegou ao fórum por volta das 8h15. ?Ele está calmo, mas ao mesmo tempo nervoso?, disse a advogada do réu, Ana Lúcia Assad. ?Espero que os jurados venham desarmados, prontos para receber a versão do menino. Ele é um bom rapaz.?

De acordo com a advogada, o acusado vai falar pela primeira vez sobre o caso. "Dessa vez ele vai falar, Lindemberg vai expor a versão dele dos fatos", comentou. A linha da defesa é que a imprensa ?que realizou entrevistas com o réu durante o período do cárcere? e a polícia também contribuíram para a tragédia.

Já a promotora Daniela Hashimoto irá sustentar que Lindemberg é um jovem agressivo e possessivo, e que premeditou o assassinato de Eloá. Para a promotora, Lindemberg só não cometeu o crime assim que chegou à casa porque queria explicações dela sobre o motivo do fim do relacionamento.

No começo do julgamento, a juíza Milena Dias aceitou um pedido da defesa e autorizou a inclusão da mãe e do irmão mais novo da jovem como testemunhas. A promotora Daniela Hashimoto se manifestou contrária ao pedido Assad chegou a ameaçar deixar o plenário caso a mãe de Eloá não fosse relacionada como testemunha.

Com as alterações, Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, será ouvida no lugar do perito Nelson Gonçalves. O irmão mais novo da vítima, Everton Douglas, que também era amigo de Lindemberg, será ouvido no lugar da jornalista Ana Paula Neves. Os jornalistas Sonia Abrão, Roberto Cabrini e Gotino, e o perito Ricardo Molina ?todos chamados a depor? foram dispensados.

Ao todo, serão ouvidas 15 testemunhas. As testemunhas de acusação convocadas pelo Ministério Público são Nayara Rodrigues, Vitor Lopes de Campos e Iago Vilela de Oliveira ?amigos de Eloá que estavam no apartamento dela quando Lindemberg o invadiu?, Ronickson Pimentel, irmão mais velho da vítima, e o sargento Atos Valeriano, que participou da negociação para libertação das reféns e também foi baleado.

As testemunhas da defesa são: a mãe e o irmão mais novo de Eloá, Marcos Antonio Cabello (advogado que participou das negociações), Rodrigo Hidalgo, Márcio Campos, Dairse Aparecida Pereira Lopes, Hélio Rodrigues Ramacciotti, Sergio Luditza, Adriano Giovanini e Paulo Sergio Squiavo.


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