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Celso de Mello libera vídeo da reunião ministerial com Bolsonaro

Por Rany Veloso

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou às 17 horas desta sexta-feita (22) o acesso ao vídeo da reunião entre ministros do governo e o presidente Bolsonaro realizada no dia 22 de abril, no Palácio do Planalto, em Brasília.

A decisão foi tomada no Inquérito 4831, em que se apuram declarações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro sobre suposta tentativa de Jair Bolsonaro interferir politicamente na Polícia Federal.

Assista: 


Com a decisão, qualquer cidadão poderá ter acesso ao conteúdo do encontro de ministros com o presidente Jair Bolsonaro. O decano autorizou, ainda, o acesso à íntegra da degravação do vídeo. A única restrição imposta foi a trechos específicos em que há referência a dois países com os quais o Brasil mantém relação diplomática. Confira abaixo, no fim da repotagem, a íntegra da decisão do ministro.

Os principais trechos da fala de Bolsonaro, pertinentes ao inquérito, são sobre a falta de informações dos orgãos de inteligência e da Polícia Federal e que por isso iria interferir; e quando diz que já havia tentato trocar o segurança do Rio de Janeiro. Veja a transcrição dos dois trechos:

"Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações, eu tenho as inteligências das  Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente... Temos problemas... Aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação. Quem nunca ficou atrás da... da... da... porta ouvdindo o que o seu filho ou a sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois... Depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o muleque encher os cornos de drogas, não adianta mais falar com ele, já era. Informação é assim (referências a nações amigas). Então essa é a preocupação que temos que ter: "a questão estratégia" e não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso - todos - é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, não dá para trabahar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final, pô. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade ... "

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar (palavrão) minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira..."

Bolsonaro, no Facebook, disse que a exibição do vídeo é "mais uma farsa desmontada; nenhum indício de interferência na Polícia Federal". No Twitter, publicou apenas "Brasil acima de tudo", que foi o slogan de sua campanha.

Em outras entrevistas, Bolsonaro disse que quando falou em "trocar gente da segurança" se referiu a uma insatisfação com sua segurança pessoal, e que portanto trocaria o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Mas o problema é que outras reportagens revelaram que alguns dias antes da reunião, o presidente havia promovido o diretor do Departamento de Segurança Presidencial de coronel para general, Sá Correa. Ainda de acordo com a matéria, a representação do GSI no Rio de Janeiro passou por mudanças em fevereiro deste ano. 

O vídeo é considerado uma das principais provas, segundo o ex-ministro Sérgio Moro, contra Bolsonaro, mas apoiadores do presidente dizem que o vídeo não há nenhum conteúdo que revele interferência do presidente no orgão reconhecido pela sua autonomia.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL) disse mais cedo que o povo iria gostar do vídeo e que com a exibição do mesmo Bolsonaro iria ser reeleito em 2022.


A defesa do ex-ministro Sérgio Moro, advogado Rodrigo Sánchez Rios, divulgou uma nota dizendo que "recebeu com respeito e serenidade" a decisão do ministro Celso de Mello, que entendeu pela divulgação do conteúdo substancial da reunião com os ministros. E continua "a decisão possibilita às autoridades e à sociedade civil constatar a veracidade das afirmações do ex-ministro em seu pronunciamento de saída do governo e em seu depoimento à Polícia Federal, em 2 de maio".

No vídeo, o comportamento de outros ministros não passou em branco. O da Economia, Paulo Guedes, se referiu à China como "é aquele cara que você sabe que você tem que aguentar" por causa das relações econômicas do Brasil com o país oriental.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, falou sobre "passar a boiada" em relação à mudança de regras  ligadas à agricultura e proteção ambiental enquanto toda a imprensa estava voltada à pandemia do Coronavírus.

Um dos trechos mais repercutidos, até o momento, é o da fala do ministro da Educação, Abraham Weintreub, quando se refere ao Supremo Tribunal Federal: "coloca esses vagabundos na cadeia, começando pelo STF". O ministro Celso de Mello se manifestou a cerca da fala de Weintraub e disse que viu "aparente prática criminosa". Os parlamentares repercutem nas redes sociais.



Tenha acesso ao laudo digitalizado aqui


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