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O mito da preguiça baiana

O mito da preguiça baiana

O mito da preguiça baiana
Baianos suando a camisa no Carnaval | Geledés

A cantora Gal Costa escreveu em seu perfil no twitter: "Como na Bahia as pessoas são preguiçosas! Técnico do ar-condicionado não pode terminar o trabalho porque está com dor de cabeça. Essa é a Bahia!"

A declaração infeliz rendeu uma série de críticas e virou até notícia na internet.

Acho um exagero dar atenção à quem não tem nada a dizer, como é o caso de Gal Costa, Rita Lee e outras celebridades em franca decadência. Mas também é muita ingenuidade da cantora achar que, num tempo dominado pelas redes sociais, declaração do tipo ficaria sem resposta.

Uma coisa é o politicamente correto paranóico, que não relaxa nunca e enxerga racismo em tudo. Há dias, por exemplo, postei um vídeo engraçadíssimo do Bemvindo Siqueira. Nele, o ator fala justamente sobre a preguiça baiana. A diferença é que ele não deixa dúvidas de que se trata de uma crônica de costumes ? mas respeitosa, visto que o próprio Bemvindo, ao final, reconhece que deitara um olhar de turista sobre a cena que presenciou, vê a beleza do povo baiano em sua peculiaridade e se identifica com ele, ao ponto de se orgulhar de ser "cidadão baiano".

Outra bem diferente é sair por aí afirmando, com pretensa autoridade, que o povo baiano é preguiçoso porque vive perto do mar. Por incrível que pareça foi assim que Gal Costa tentou se justificar. Só que a merda já estava feita. Como não segurou a bronca, ameaçou sair do twitter e reclamou que se sentia patrulhada em suas opiniões.

Ora, opinião qualquer um pode dar. Todo mundo tem o direito de dizer o que pensa, ainda que seja uma idiotice. Se a Gal Costa acha que um trabalhador é preguiçoso porque alega estar com dor de cabeça, está no direito dela. Só que nós também temos o direito de criticá-la e contestá-la publicamente. Trata-se de uma lógica muito simples.

Quando cursei a faculdade de jornalismo na PUC-Campinas fui aluno da professora Elisete Zanolorenzi. Na época ela estava defendendo uma tese sobre o mito da preguiça baiana ? que depois viraria um livro bastante conceituado no meio da antropologia brasileira. Segundo ela, a famosa ?preguiça baiana?, na verdade, não passava do velho e dissimulado racismo.

Mas, ao contrário de Gal Costa, Elisete não opinou a esmo. Ela demorou quatro anos para chegar a esta conclusão. A tese foi amparada por vasta bibliografia, números e uma intensa pesquisa de campo. Ela chegou a morar em Salvador e observou que, em muitos casos, o baiano chega a ser até mais eficiente do que o trabalhador de outros estados brasileiros.

A tese contesta a visão de que o morador da Bahia vive em clima de "festa eterna". Pelo contrário, é justamente no período de festas que o baiano mais trabalha. Como 51% da mão-de-obra da população atua no mercado informal, as festas são uma oportunidade de trabalho. "Quem se diverte é o turista", diz Elisete.

Em sua investigação para descobrir como a idéia da preguiça baiana se consolidou, a antropóloga concluiu que esta imagem derivou do discurso discriminatório da elite portuguesa contra negros e mestiços ? que respondem por 80% da população da Bahia.

Elisete não livra sequer a cara dos artistas e mostra que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e companhia têm a sua parcela de responsabilidade na popularização deste conceito. "Eles desenvolveram esse discurso para marcar um diferencial nas cidades industrializadas e urbanas. A preguiça, aí, aparece como uma especiaria que a Bahia oferece para o Brasil", diz ela.

Confundida com indolência, a fidalga preguiça brasileira não é mais do que um traço cultural que oculta valores como dignidade e honra ? como escreveu certa vez o mestre Ariano Suassuna.

Leia materia completa: O mito da preguiça baiana - Portal Geledés


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