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Campanha dos piauienses contra a apropriação da Cajuína pela Coca-Cola chega ao Senado

Campanha dos piauienses contra a apropriação da Cajuína pela Coca-Cola chega ao Senado

Campanha dos piauienses contra a apropriação da Cajuína pela Coca-Cola chega ao Senado

O movimento contra a apropriação da Cajuína pela Coca-Cola, que lançou através de sua fabricante na maioria dos Estados do Nordeste o refrigerante Crush-Cajuína, feito com uma mistura de guaraná e caju, chegou ao Senado,

O senador Wellington Dias (PT) fez discurso no plenário do Senado sobre a polêmica iniciada no Piauí pelo artista plástico e escritor Joca Oeiras.

Wellington Dias falou que levo ao Senado um debate que se trava na região Nordeste, espalhando-se para o restante do Brasil, sobre

a informação de que a Coca-Cola Norsa, fabricante multinacional de bebidas nos estados Ceará, Piauí, Bahia e Rio

Grande do Norte estaria patenteando o nome Cajuína ? já negado ? e, por último, tentando se apropriar indevidamente do termo cajuína ao batizar um de seus produtos com o nome de ?Crush-Cajuína?, o que foi recebido como um desrespeito ao povo e à cultura de nossa região.

?Embora a empresa tenha emitido nota de posicionamento, no último dia 3 de agosto, alegando ?que em nenhum momento ela ou a

Coca-Cola tentou ou obteve ?patente? sobre o termo cajuína, além de não ter intenção de registrar a marca em seu nome?, os esclarecimentos dados reforçam a indignação entre os piauienses e outros brasileiros, considerando a diferença clara entre cajuína e refrigerante de caju?, falou Wellington Dias..

Segundo Wellington Dias, para tentar justificar, a assessoria de imprensa da Norsa afirma que ?a confusão pode ter surgido após o lançamento do refrigerante Crush no sabor guaraná e cajuína.

?Deixa claro que se trata de refrigerante, mas ao batizá-lo como cajuína - o que não é cajuína - causa uma revolta crescente. Esquece a fabricante que, primeiro,cajuína é suco natural, produto nutritivo e saudável, e não refrigerante, como está sendo chamado?, falou Dias .Wellington Dias declarou que longe de ser uma dádiva da natureza, como pensam os representantes da Coca-Cola, a cajuína é um

produto cultural nordestino, notadamente piauiense, fruto de um saber socializado entre várias gerações durante todos esses anos. ?Trabalhado artesanalmente, como produto nobre e que gera milhares de empregos e empreendedores familiares. Mais inacreditável ainda, é a empresa declarar, menosprezando a justiça e a nossa inteligência, que ?o uso da palavra cajuína na designação de sabor é absolutamente livre, não fazendo parte da marca ou de seu registro, no caso de Crush?, argumenta Wellington Dias.

Dias afirma que a Coca-Cola poderia ter batizado seu novo refrigerante de ?Crush-Caju?.

Wellington Dias falou que celebrada em verso pelo cantor e compositor Caetano Veloso, que fez a música em homenagem aos pais de Torquato Neto, a ?cajuína cristalina em Teresina?, como é cantada pelo artista baiano, é, como o Brasil inteiro sabe, uma bebida típica do Nordeste, sobretudo do Piauí, Ceará, Bahia, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte, produzida artesanalmente, sem álcool nem adição de açúcar, e preparada do suco de caju.

?O caju é uma fruta que tem, é bom frisar, cinco vezes mais vitamina C do que a laranja. Agora, de repente, não mais que de repente, constatamos que nossa cajuína, produto cultural e nutritivo, chega desfigurada ao mercado e acoplada a um termo em inglês, ?crush?, que os sertanejos, além de não entenderem o significado, pronunciam com dificuldade. Dentre tantas outras aberrações, este é um exemplo cabal, do total desrespeito que uma multinacional comete em solo nacional?, falou Wellington Dias..

Ele lembrou que quando era governador do Piauí, acatando sugestão do Conselho Estadual de Cultura, bem como já prevendo certas malandragens do capitalismo, baixou um decreto que torna de ?Interesse Cultural o Modo de Fazer Tradicional da Cajuína do Estado do Piauí, passando a integrar o Patrimônio Cultural do Estado.

?Para garantir ainda mais as coisas, recomendei à Emater (Instituto de Assistência e Extensão Rural) que entrasse, junto aos órgãos nacionais, com pedido de patente da cajuína, processo que atualmente tramita e está sendo analisado em Brasília. Para se ter ideia de quanto os piauienses, valorizam a qualidade da cajuína é que a cooperativa dos produtores do estado, tendo à frente o incansável e batalhador Lenildo Lima, presidente da Cajuespi, busca no momento, com ajuda do Sebrae do Piauí, conquistar um selo indicativo do produto Premium, a exemplo do que acontece com os vinhos franceses, de acordo com padrões internacionais. De posse desse selo de Identificação Geográfica (IG), a ser recebido até outubro próximo, a nossa cajuína passará a contar com maior valor agregado, isto é, um superior padrão de qualidade A fim de ilustrar a importância do selo, peguemos alguns produtos que já possuem IG no Brasil, e teremos uma verdadeira dimensão do que realmente perseguem os cajucultores do meu estado: vinhos espumantes do Vale dos Vinhedos (RS), café do cerrado Mineiro, carne dos Pampas Gaúchos, cachaça de Parati (RJ) e o queijo Minas da Serra da Canastra. Acredito que tão logo o Brasil descubra a ?cajuína cristalina?, como bem definiu Caetano Veloso, não só trocará o refrigerante por um delicioso suco de caju, como observará uma melhora substancial no quadro de saúde das pessoas?, declarou..

Wilson Martins falou que outra providência que tomou foi, enquanto governador, apoiar e patrocinar o Festival de Cajuína do Piauí, cuja primeira edição aconteceu em 2009, na Praça Pedro II, com a presença de vários produtores do Estado. Além deles, o festival contou também com a visita de Gyselle Soares, ex-BBB, da TV Globo, carinhosamente batizada, pelo apresentador Pedro Bial, de Gyselle ?Cajuína?, por ser filha do Piauí.

?Antes que me chamem de radical ou intransigente, quero deixar claro que não vejo problema, muito ao contrário, uma empresa produzir refrigerante à base de caju. Qualquer um dos fabricantes não só desfruta desse direito, como tem o meu irrestrito apoio. Agora, daí a batizá-lo de cajuína, ignorando suas características peculiares e seu modo de feitura artesanal, não concordo. Sem falar dos enormes prejuízos econômicos que podem causar, levando-se em conta a escala industrial, a milhares de famílias piauienses que dependem única e exclusivamente dessa tradicional produção?, concluiu Wellington Dias.

Ele lembrou que o poeta Climério Ferreira que, em linguagem enxuta e bem humorada, expressou brilhantemente a indignação dos piauienses:

?A cajuína cristalina do Cariri? / A cajuína cristalina é de Teresina / Tem coisa que não rima / Tem coisa que não

rola / A cajuína da Coca não cola?, diz os versos de Climério Ferreira.


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