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Deficientes visuais preparam espetáculo de coral, dança e radionovela ao mesmo tempo em que são qualificados profissionalmente

Deficientes visuais preparam espetáculo de coral, dança e radionovela ao mesmo tempo em que são qualificados profissionalmente

Deficientes visuais de Teresina se estão preparando, na Associação dos Cegos do Estado no Piauí, um espetáculo em que se apresentarão como coral, dançando e participando de uma radionovela.

O espetáculo é para estrear no final deste ano ou no início de 2012 e une dois projetos multidisciplinares, o Nova Visão, coordenado pelo médico e ex-secretário estadual de Educação, Antônio Noronha Filho, e Um Olhar para a Cidadania, coordenado pelo jornalista, radialista e professor universitário Jessé Barbosa da Silva.

Antônio Noronha Filho disse que procurou os diretores da Associação dos Cegos do Estado do Piauí e quis saber quais os sonhos deles e foi informado que queriam um coral e um grupo de danças. Ele falou que foi elaborar o projeto, avaliado em R$ 80 mil e em fase de captação de recursos, e conseguiu a adesão do coreógrafo, Valdemar Santos, que já tinha sido pioneiro em formação de um grupo de danças com deficientes físicos, e o regente Emmanuel Coelho Maciel, também pioneiro na criação do Coral dos Vaqueiros, de União, e o Coral de Mil Vozes, formado por crianças e adolescentes de todos os bairros de Teresina.

Antônio Noronha Filho afirmou que no processo de elaboração do projeto conheceu as pessoas do projeto Um Olhar para a Cidadania, que produz radionovelas com os deficientes físicos.

O resultado dessa união é a formação de um coral que dance, um coral de deficientes visuais que dance. Antônio Noronha Filho afirmou que a meta do trabalho conjunto dos dois projetos é montar um espetáculo, no qual quando as pessoas chegarem na casa de espetáculo terão os olhos vendados na porta do teatro, com um guia. A intenção é fazer com que os telespectadores entrem no mundo dos cegos. Neste momento, os espectadores com os olhos vendados acompanharão a radionovela.

Depois, são retiradas as vendas dos olhos e o coral começa a cantar e depois, canta e dança.

Os deficientes visuais estão na fase de treinamento e de seleção. Eles ocupam salas na Associação dos Cegos quando começam a ter os primeiros treinamentos e as primeiras audições com Valdemar Santos e Emmanuel Coelho.

?Tudo é desafiante. O maestro Emmanuel Maciel vai ter que descobrir um método para reger o coral sem a batuta, o coreográfico Valdemar Santos vai descobrir uma foma de se comunicar para fazer com que os cegos consigam dançar?, falou Antônio Noronha Filho.

Ele diz que os deficientes ganham a autoestima, serão capacitados em rádio e poderão ser empregados em emissoras de rádio como comunicadores, poderão formar grupos vocais. ?Nos projetos, eles sairão com a profissionalização?, adiantou.

?Será através da audição que nós vamos trabalhar o coral?, afirmou Emmanuel Maciel

O regente Emmanuel Maciel disse que será com o sentido da audição que vai trabalhar com os deficientes físicos para a formação do coral.

?Vão ouvir primeiro batidas de percussão, em seguida vão entoar sons, que vamos demonstrar através do teclado. Um vou dizer um, dois, três, quatro e no quatro vocês vão cantar esse som que demonstrarei no teclado. Antes disso, será feito um trabalho de preparação da respiração, para abrir o diafragma, para fazer a respiração plena, para encher os pulmões de ar. Sobre a abertura da boca, eles n ão vão ver, mas eu direi que é ovo, como se estivessem abrindo a boca com um ovo de codorna, em uma linguagem bem acessível?, declarou Emmanuel Maciel, que ao formar o Coral dos Vaqueiros encontrou a dificuldade em relação à prosódia. Alguns vaqueiros quando iam executar uma canção que tinha a palavra flor, alguns chamavam de flor, outro diziam fulô e outros diziam flô.

O maestro lembra que a solução encontrada foi democrática. A pronúncia cantada foi a que a maioria dos vaqueiros usava. ?Eu não, poderia ter um coral com cada um com uma pronúncia diferente. Então, se a maioria falava fulô, ficava fulô?, conta

Na hora de formar o Coral das Mil Vozes, Emmanuel Maciel encarou crianças inquietude e indisciplinadas. ?Se mexiam demais, a gente usava muitos os auxiliares, chamava os pais para que conversassem com eles?, declarou.

?Coral de cegos a gente conhece, cegos que dançam, também, mas que cantam e dançam são os primeiros do mundo?, diz o presidente da Associação dos Cegos

O presidente da Associação dos Cegos do Estado do Piauí, Francisco Costa, afirmou que a união dos projetos Nova Visão e Um Olhar para a Cidadania é muito importante para a profissionalização e inclusão social dos deficientes físicos por criar um espetáculo original.

?Para nós é muito importante porque quando fomos procurados por Antônio Noronha e Jessé Barbosa, com dois projetos diferentes, e depois com a oportunidade com a junção, se produziu algo novo.

?Cegos que cantam a gente sabe que existem, que dançam, a gente sabe que existe, mas que cantam e dançam, a gente não tem conhecimento, a gente não conhece nem fora do país. Para nós é gratificante essa criação para que a gente possa estar fazendo uma maior integração das pessoas cegas. O mais importante é que o trabalho da Associação dos Cegos tem que estar voltado para a cidadania e não tem nada mais importante do que a comunicação, a dança, a música para que aconteça essa integração?, declarou Francisco Costa, que é jornalista.

Projeto desenvolve tecnologia de capacitação específica para deficientes visuais

Coordenador do Projeto Um Olhar para a Cidadania, Jessé Barbosa da Silva, disse que o projeto vai capacitar 15 pessoas com deficiência visual para trabalhar no rádio. Segundo ele, são são quatro módulos de 20 horas.

Os deficientes visuais vão utilizar uma emissora de rádio, a Pioneira; uma rádioweb com programas durante 24 horas,com veiculação pela internet, e com radiodramas, quando irão utilizar a radiodramaturgia.

?Eles irão trabalhar com temas voltados para a cidadania, direitos e deveres das pessoas com deficiência visual. As peças que eles vão produzir serão distribuídas para outras emissoras de rádio. O grande salto desse projeto é desenvolver uma tecnologia de capacitação diferenciada porque as pessoas com deficiência visual devem ter uma forma diferente de capacitação, diferente das pessoas com visão?, falou Jessé Barbosa.

?A dança tem elementos que podem ser desenvolvidos pela pessoa tendo ou não visão, o importante é ter um corpo?, diz o coreógrafo Valdemar Santos

Criador do grupo Dança Eficiente, que atua com deficientes físicos, Valdemar Santos, diz que trabalhar com os deficientes visuais é um grande desafio porque a dança é uma arte visual, mas o importante é o dançarino ter um corpo..

?É um desafio trabalhar com deficientes visuais porque a dança é visual. O meu trabalho será interiorizar a dança. Como eu trabalho com ma dança contemporânea, que trabalha muito com o individual e particular, em cada um descobre a sua dança. Não tem um padrão a seguir, cada um vai descobrir sua forma de mover porque a dança tem a questão do espaço, do corpo, o ritmo. Todos esses elementos podem ser desenvolvidos de várias formas, tendo ou não visão, o importante é ter um corpo?, afirma o coreógrafo Valdemar Santos.

























fotos: MOISÉS SABA


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