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Abertura do comércio deve provocar novo pico, aponta estudo da Ufpi

Teresina e o Piauí andam muito longe da situação da Nova Zelândia. Enquanto aqui os números de casos de covid-19 crescem a cada dia, apesar de uma leve redução no grau de infecção, por lá eles zeraram a transmissão comunitária. A diferença é que os neozelandeses vão abrir o comércio com responsabilidade, enquanto aqui os empresários e o próprio governo parecem estar um tanto apressados.

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Abertura do comércio deve provocar novo pico

Teresina e o Piauí andam muito longe da situação da Nova Zelândia. Enquanto aqui os números de casos de covid-19 crescem a cada dia, apesar de uma leve redução no grau de infecção, por lá eles zeraram a transmissão comunitária. A diferença é que os neozelandeses vão abrir o comércio com responsabilidade, enquanto aqui os empresários e o próprio governo parecem estar um tanto apressados. Saiba mais: https://www.meionorte.com/blogs/lucrecio/abertura-do-comercio-vai-provocar-novo-pico-aponta-estudo-da-ufpi-342947

08/06/2020

Quem explica isso é Emídio Matos, doutor em biologia celular e tecidual pela USP e membro do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UFPI, além de coordenador do Plano de Ação Interinstitucional de Enfrentamento à Covid-19, onde um dos eixos é a Sala de Situação, coordenada pelo Prof.Bruno Guedes. 

Estudo da Ufpi contraria decisão de abrir o comércio. Crédito: Arquivo JMN.

Os estudos iniciaram no começo da crescente de casos. “Estamos  analisando, desde o dia 12 de abril, a questão do novo coronavírus. Neste último levantamento, especialmente, estamos discutindo a saída do isolamento. Estamos trabalhando diretamente com a prefeitura, no intuito de aumentar a capacidade de testagem. A gente começou essa preparação da população no Poty Velho, criando líderes por rua para preparar a população e fazer busca ativa de casos. Assim poderemos pensar em condições de reabertura, mas mais para frente”, avalia.

O levantamento tem como matriz 70% dos dados epidemiológicos e 30% de dados de economia. “Acabamos dando uma importância maior à saúde que a economia. Entendo que precisamos preparar a população, mas este momento não é interessante. A curva continua apontando para cima, até estabilizar em um platô. Os países que fizeram isso bem feito, esperaram o platô cair. Na Nova Zelândia esperaram não haver mais nenhum caso, e aqui anda muito longe disso”, revela Emídio Matos.

Novo pico deve vir do interior e litoral com até 11 mil novos caso

As regiões Norte e Sul do Piauí apresentam uma crescente ainda maior que a capital, que conseguiu controlar o vírus a partir de medidas de isolamento social. O problema é que agora será o inverso: antes Teresina espalhou o vírus, mas agora o vírus deve vir do interior e chegar novamente à capital. “O caso zero foi em Teresina, que iniciou uma grande propagação. A série histórica de isolamento social de Teresina começou bem, mas depois foi caindo. No entanto, isso reduziu o impacto da infecção. A medida tomada 14 dias atrás só vai reduzir hoje”, explica Emídio Matos.

Dr. Emídio Matos. Crédito: arquivo pessoal.

Há um ponto importante que mostram projeções de mais mortes. “Estamos fazendo uma projeção de sete dias que deve acrescentar entre 10 e 11 mil infectados somente nas próximas duas semanas. É grave. Isso nos preocupa porque a abertura pode acentuar isso. A reabertura começa hoje, com várias limitações, daqui a 14 dias poderemos ver um grande estrago”, acrescenta o doutor pela USP.

Abertura do comércio indica colapso na saúde

Emídio Matos defende que haja união entre os executivos para entender que o isolamento social é a saída até a curva do platô diminuir. “Hoje, baseado nos critérios que estão postos, é um risco enorme abrir o comércio. Embora os governantes estejam pressionados pelos empresários, nós na universidade devemos priorizar a vida. Se abrirmos o comércio agora, será dramática uma abertura. Tanto que a Prefeitura de Teresina se opôs às medidas do Estado”, aponta o pesquisador da Ufpi.

Os países que abriram antes de atenuar a curva tiveram que fechar novamente por causa de um novo pico. “E o mesmo pode acontecer no Piauí. Não vivemos em uma ilha. Essa falta de unidade dos executivos prejudica. Deixa a população em dúvida de quem seguir. Isso parte do Governo Federal. Os dados de Teresina, hoje, mostram que estamos entrando em uma situação confortável. Mas as pessoas continuam transitando. E os casos graves acabam vindo para cá, com suas famílias. Há uma possibilidade de reinfecção vinda do próprio interior, como das regiões Norte e Sul”, prevê Matos.

A possibilidade de colapso no sistema de saúde é uma realidade, ainda que os governantes tenham aumentado o número de leitos. “Mas além de respiradores é necessária a capacitação de profissionais. E isso leva tempo. E isso ainda não há dados que possamos avaliar, pois as contratações ainda estão sendo feitas. Não é só infraestrutura, é de recursos humanos também. Fora o alto nível de profissionais com a doença”, finaliza.


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