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Burnout: não trabalhe enquanto eles dormem

Síndrome relacionada ao estresse no trabalho pode levar a quadro de inoperância e prejudicar pelo esforço exagerado

Fuja do papo de coach que é para trabalhar enquanto eles dormem. Na hora de dormir é para dormir mesmo. O esforço às exigências de trabalho têm limites, e o principal sinal de alerta é a saúde mental. Quando o esforço laboral está prejudicando a mente é porque está na hora de parar. O burnout não está para brincadeira.

Foi o que fez L.S.P., de 43 anos. Ela trabalhava como professora de uma escola antes de ter que se afastar do cargo. "Acumulei tantas funções com tantas responsabilidades que chegou o dia que eu não consegui mais levantar da cama. Eu simplesmente pausei. Não conseguia fazer nada. Meu marido ficou preocupado e me levou na urgência. Fique em estado de choque", lembra.

Depois de muita terapia, L.S.P. decidiu que não queria mais ser professora e coordenadora escolar. "Criei um trauma. Preferi ajudar meu marido em um negócio familiar. Depois da licença, eu pedi demissão. Foi a melhor coisa que fiz na vida e não me arrependo", considera.

o burnout hoje é praticamente uma pandemia - Adobe Stock/Reproduçãoo burnout hoje é praticamente uma pandemia - Adobe Stock/Reprodução

Ambientes corporativos

Histórias assim estão cada vez mais comuns nos ambientes corporativos. O que antes era um fenômeno isolado, o burnout hoje é praticamente uma pandemia silenciosa, que caminha junto com a ansiedade, depressão e outros transtornos.

Neste caso, o acompanhamento psiquiátrico e psicológico é essencial para que o retorno ao trabalho aconteça. Ou não, dependendo das condições psicológicas e alternativas de cada um.

Síndrome cresceu na pandemia

Para a psicóloga clínica Denisdéia Sotero, os enfermeiros e profissionais da saúde foram os mais afetados. "Percebo no dia-a-dia do consultório que os profissionais da linha de frente enfrentam grandes problemas com relação ao esgotamento profissional. É algo delicado que precisa de uma terapia ampla e individualizada", defende.

A psicóloga defende que o indivíduo deve ser afastado do trabalho imediatamente. 

"Ele está se prejudicando e prejudicando o próprio trabalho. Muitos pacientes chegam a uma situação de inoperância, simplesmente não conseguem mais realizar atividades. Aí é preciso de um trabalho profundo para desconstruir essas pontes negativa", considera.

Burnout: não trabalhe enquanto eles dormem - Imagem 2

A psicóloga Denisdéia afirma que é possível prevenir a doença

Profissionais qualificados

Os sintomas do burnout são bem abrangentes, por isso apenas profissionais qualificados podem identificar o transtorno. 

"É algo sério. Não é simplesmente acordar indisposto. A pessoa literalmente para no próprio ser, se desestabiliza, impede completamente a rotina. Pode haver alterações de memória, por exemplo", acrescenta Denisdéia.

A psicóloga afirma que é possível prevenir a doença. "Trace metas profissionais. Estabeleça critérios de trabalho e crie uma rotina agradável. Quando digo critérios é não se sentir na obrigação de atender o chefe às 00h. A exploração do capitalismo também reforça esse processo. O patrão também deve a noção ao funcionário, não apenas o salário", explica.(L.A)

Problema tem afetado cada vez mais pessoas pelo mundo- PixabayProblema tem afetado cada vez mais pessoas pelo mundo- Pixabay

Uma questão também judicial

Inicialmente, a Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é uma doença mental que surge após o indivíduo passar por situações de trabalho desgastantes, ou em decorrência da sujeição do trabalhador a demasiada carga de responsabilidade ou em decorrência do excesso de competitividade.

Para o advogado Cláudio Feitosa, especialista em Direito do Trabalho, o problema pode ir aos tribunais. 

"Essa síndrome tem como causa o incremento demasiado de trabalho vinculado à pressão que o obreiro sobre para produzir resultados. Diante deste cenário, é concreta a intensa ligação da Síndrome ao trabalho, e isso, por conseguinte, produz efeitos na seara do Direito do Trabalho, especialmente no que toca à responsabilidade do empregador", explica.

As Cortes Trabalhistas Brasileiras reconhecem a Síndrome como doença ocupacional. A novidade é que desde o dia 1 de janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a Síndrome de Burnout como doença ocupacional, criando um código próprio para tal moléstia: CID (Código Internacional de Doença) n. 11.

De acordo com o advogado, o problema pode ir aos tribunaisDe acordo com o advogado, o problema pode ir aos tribunais

Demanda judicial

Para um trabalhador ingressar com demanda judicial alegando a Síndrome de Burnout é primordial que ele tenha condições de demonstrar que, no trabalho, estava ele sujeito à demasiada carga de responsabilidade ou à excessiva competitividade, vinculando tais fatos à pressão para produzir resultados.

Normalmente, exige-se a prova de laudos específicos, ou de médicos psiquiatras ou de psicólogos, para demonstrar o adoecimento do trabalhador.

 "Além da comprovação dos excessos no ambiente do trabalho, especialmente partindo de atitudes excessivas adotadas pelo empregador na exigência de serviços, ou por ele toleradas", finaliza Cláudio Feitosa.

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