As mulheres são as que mais buscam meios de mudar de vida. De acordo com números do Sebrae, o Piauí se destaca em um segmento que só cresce: o empreendedorismo feminino. Para se ter ideal, o Estado é o terceiro maior do Nordeste entre mulheres donas do próprio negócio.

Hoje são 140 mil empresas no Piauí comandadas por mulheres. Elas representam 36% dos líderes empresariais do Estado, acima da média nacional de 34%. As mulheres piauienses colocam o Estado à frente da maior parte dos nove territórios nordestinos, equiparando-se ao Maranhão e perdendo apenas para Sergipe (39%) e Ceará (34%).

Maria das Graças Mendes sustenta família com produção de acerola - Divulgação.Maria das Graças Mendes sustenta família com produção de acerola - Divulgação.

Força da Terra

Entre tantas mulheres líderes, muitas histórias inspiradoras. Como Maria das Graças Mendes Costa, que demonstra na habilidade com o cultivo da terra a força de vontade para crescer. Ela dedica tempo integral ao desenvolvimento de sua atividade, fruticultura irrigada, voltada para o cultivo de acerola.

O imóvel localizado no Distrito de Irrigação dos Tabuleiros Litorâneos é o retrato da força do empreendedorismo feminino. 

Sistema de irrigação

Por meio dos recursos do Banco do Nordeste, ela automatizou o sistema de irrigação e adquiriu cultivador motorizado com implementos. "Consegui aumentar minha produção, foi muito bom esse incentivo", conta.

Dona Maria Mendes, hoje, emprega toda a família, gerando mais de 15 empregos sazonais, além de atender o mercado local com polpas de fruta. Os negócios cresceram tanto que as polpas hoje também estão sendo exportadas para outros Estados e países. "Hoje mando acerola até para a Alemanha. Sou muito feliz no meu trabalho, graças a Deus", revela.

Mulher inovadora no sertão

Marcia Alves Rodrigues iniciou suas atividades em 2013. Tudo começou com a venda de cosméticos profissionais para salões de beleza, realizando atendimento no estabelecimento de cada uma de suas clientes. Em 2014, sentindo a necessidade de adquirir recursos para capital de giro, Marcia buscou apoio do Banco do Nordeste para conseguir um empréstimo. 

Marcia investe na promoção de vendas - Raíssa MoraisMarcia investe na promoção de vendas - Raíssa Morais

Necessidade de inovar

Com o início da pandemia, houve a necessidade de inovar, então Marcia investiu na promoção de vendas e capacitação por meio do Instagram. Logo seus resultados tiveram um "boom", destacando-se nas vendas em seu ramo de atuação. Hoje, ela vende o dobro do que vendia antes da pandemia, além de ter conseguido adquirir loja física.

O espaço aconchegante e bem decorado fica bem localizado, no centro de São Raimundo Nonato.

 "As redes sociais foram grandes aliadas. O mercado é voltado para o digital e sem ele seria muito mais difícil. Então foi uma alavancada para um projeto que eu já vinha trabalhando", explica.

A ideia é expandir ainda mais os negócios para outros Estados e regiões. "Atendemos não apenas em São Raimundo Nonato, atendemos cidades na Bahia e toda a região do Parque Nacional da Serra da Capivara", acrescenta. (L.A)

O espaaço fica no centro de São Raimundo Nonato - Raíssa MoraisO espaaço fica no centro de São Raimundo Nonato - Raíssa Morais

Transformar vidas através do trabalho

Luiza dos Santos Vieira é uma empreendedora de sucesso. Dona Lu, como costuma ser chamada, gera valor na comunidade onde mora. Isso tudo é proporcionado por meio do projeto desenvolvido por ela, o Cozinha Amiga, no qual a cliente ensina várias mulheres de sua comunidade a fabricarem bolos e doces, conquistando sua própria renda e consequentemente independência.

Os cursos de Dona Lu são realizados na cozinha experimental instalada em uma igreja evangélica localizada no bairro Planalto Uruguai, zona Leste de Teresina. O projeto já transformou a vida de 600 mulheres.

Dona Lu tem sido inspiração para as mulheres - Raíssa MoraesDona Lu tem sido inspiração para as mulheres - Raíssa Moraes

Doces e bolos

A empreendedora iniciou suas atividades com apenas R$50 e é uma inspiração para muitas mulheres. Natural de Pedro II, ela veio para Teresina, onde montou uma lanchonete e nunca mais parou. Hoje o foco são bolos e doces. "Pedi para colocar a lanchonete na creche do meu filho. Ela me deu uma carência e deu sorte. Hoje sonho em ajudar outras mulheres a garantirem um meio de vida", ressalta.

Dona Lu atende toda a cidade com o mercado, que cresceu muito durante a pandemia. 

"Os bolos vulcões viraram uma febre. Todo mundo queria. Principalmente porque na pandemia, com o isolamento, muita gente não aguentava comer um bolo todo sozinho. Com a miniatura, dava pra matar a vontade", conta

Dona Lu conta com uma rede de trabalhadoresDona Lu conta com uma rede de trabalhadores

Rede de trabalhadoras

A loja virtual de dona Luiza conta com uma rede de trabalhadoras, que são mulheres que aprenderam com ela o ofício de boleira. "Fazer 50 bolos é fácil, mas quando recebo uma encomenda de 300, por exemplo, sempre conto com a ajuda das meninas", revela.

Maria, Marcia e Luiza foram vencedoras do Prêmio BNB Empreendedorismo Feminino. Maria Mendes venceu a categoria agroamigo. Já Marcia Rodrigues e Dona Lu levaram para casa o troféu da categoria crediamigo.